quinta-feira, fevereiro 25, 2010

# 3 Poemagem

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foto de Elena Ciobanu



O GUARDA - RIOS

É tão difícill gardar um rio
quando ele corre
dentro de nós.


Jorge de Sousa Braga
"O Poete Nu"
[ poesia reunida]
Assírio & Alvim

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

# 2 Poemagem

Photobucket
foto de
Simon Wong




nossa senhora das andorinhas cansadas

no beiral do café, enquanto confessámos
ideias sórdidas sobre as pessoas bonitas,
pousavam as primeiras folhas de outono.
pensámos que as pessoas bonitas deviam
conferir trocos pequenos em lojas de
bairro e que, por uma moeda maior, nos
vendessem corpo e alma sem grande resistência.
pensámos que as folhas de outono, entristecendo
o café, deviam subir com o vento e
encalhar nas nuvens. em alto mar, se as nuvens
se cansassem, poderiam ser largadas
longe dos nossos corações predadores mas
tão aflitos com o amor. no inverno, pensámos,
não sermos amados é como estar na fila para
morrer. olhámos em redor e nada


valter hugo mãe
in
pornografia erudita
*
cosmorama edições

domingo, fevereiro 14, 2010

# 1 Poemagem


Duas bloguers que amam as mesmas formas de Arte.
Uma ideia que tornou forma.Uma proposta aceite.
Uma partilha feita de Poemas e Imagens.
Aconteceu #Poemagem no
O Tempo e o deserto.
Uma "Oficina" onde ambas "vestimos" poemas com imagens, e imagens com poemas.
Cada uma de nós, alternadamente, tem esse compromisso.
Obrigada
Dri por me convidares para este desafio!


foto de George Song
*
*

Onde não pode a mão

Como se uma estrela hidráulica arrebatada das poças.
Tu sim deslumbras, Por coroação:
por regiões activas de levantamento:
por azouge da cabeça,
Brilhas pela testa acima,
Ceptro : potência - ah sempre que o chão crepita
dos charcos de ouro,
E no corpo trancando a veias
e nervos : o sangue que se afunda e faz tremertudo, Tocascom um arrepio de unha a unha
o mundo, Pontada
que te abre e aumenta
ou
- onde se um troço dessa massa
intestina: e como respirada: às queimaduras
primitivas - Boca:sexo: vivezadas tripas: uma glândula que te move
ao centro, Amadureces como um ovo, Na traça carnal: todocom um golpe com muita força para dentro
Cortaram pranchas palpitando de água:
fincaram-nas,Montaram esta casa: suas membranastrémulas: a potência
do chão, Este astro opulento entreaberto
pelas labaredas,
Com uma chaga na camisa: grita,
Há alguém que grita com uma imagem
em combustão saída
do corpo: comoa parte de fora de um planeta,
Que se não toque nunca nas bolsas onde
pulsa a água,
Que se não toque nas torneiras
onde se ata o gás:nos pontos
de tensão por onde o gás rebenta,
A morte está tapada em qualquer parte
dos dedos
enredados em qualquer parte
da matéria
tremenda sob os dedos, A matéria que mata
por fogo ou afogamento,
E na garganta como o ar faz o som
a morte faz um grito:
um estrangulamento, O gás brilha muito:
a água brilha:
no interior de tudo brilha tanto
o medo
como uma força, Respirando: ahjubilação da cara: o sangue dentro
na sua malha sensívelcanta canta, O lirismo é louco: aterra,
O tronco:
a dor de um músculo
arroteado
fremindo,Este uso
luminoso imposto ao mundo
das paisagens, Assim sobre o pescoço
dispõe-se disto - carne
martelada por fluxos e refluxos entre
as formas e o assombro,
A comida por exemplo há que tragá-la,
Há que escoar a água
pelos ralos
da terra: ou entre os braços côncavacomo uma estrela há que
sustê-la, Há que sorver veneno gás: umdelírio tóxico,Há
que ter a transparência da morte,
É preciso ser dental: ter entranhas: ser igualao furor das coisas:
da metáfora
das coisas, Um pouco de acrescento
manual ao raio que destroça
a mão, Ou engolir no tubo assoprado
tanto
do ar do fundo, Há que ser
ferramenta de música.

Herberto Helder
in
Ou o poema contínuo,
Assírio & Alvim, Set 04



terça-feira, janeiro 12, 2010


a Leda iniciou o
Travelling Journal Project
a Dri fez um caderno
e eu colaborei assim


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Quero falar do corpo

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como quem fala da prosa


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espaço branco

2

intermédio de uma folha


1
Técnica mista sobre papel

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Refúgio na cidade

Alfandega do Pt
Edifício da Alfândega* Porto
+
+

Porto (sinónimos)
.............


# Grande Dicionário da Líng Port - Bertrand Editores
#´Cidade Invicta / ancoradouro / embarcadouro / lugar de descanço / abrigo / refúgio

sábado, novembro 07, 2009




Ceú meu






ADORMECER(com algumas coisas de Maria Teresa Horta)



Preciso de te tocar

caule

gato

corda

mão

abraço-te

a tua roupa

tu

não te divulgo

o teu nome

os teus olhos azuis

a tua gentileza

espero que os partilhes

com alguém querido

como os partilhaste

comigo

amante querido

que não perco

que não deito fora

os meus amantes

não são Gillettes

(não são de usare deitar fora)

gosto de adormecer

a lembrar-me de ti

de como me sorrias

de como me olhavas

se os meus poemas

contribuíram para isso

são excelentes


+

Adília Lopes, in "Dobra" / Assírio & Alvim

sábado, outubro 10, 2009

ol
by me

+
+

O destino nas tuas mãos faz-me parecer personagem num filme mudo.
Hipoteticamente pinto-te.

terça-feira, julho 14, 2009

jklm
foto de Olhares.pt
Sérgio Guerra
:
:
VENHO avisar-te que vou começar a escrever textos longos sobre ti e que não vou querer andar por aí a tropeçar em penas tuas que deixas à solta a vazante do rio.

domingo, julho 05, 2009

serralves em festa

2009"Serralves em Festa"
nlm~ç.º:
klnl.


(Em jeito de haicu)
*
ª
Um sorriso ao final da tarde
é só para quem tem siso
...e eu cá não preciso disso

segunda-feira, maio 25, 2009

Photobucket
at Palácio de Cristal
+
Faltaste-me todos os dias em que acordei. FALTASTE-ME TODOS OS DIAS EM QUE ACORDEI. faltaste-me todos os dias em que acordei.Faltaste-me todos os dias em que acordei.Faltaste-me todos os dias em que acordei.

sexta-feira, maio 01, 2009

p

foto tirada de olhares.pt


Ela: pq regressas?
Ele: pq foste a única pessoa que sentiu a minha falta ao longe deste tempo
estive este tempo todo sem vislumbrar nada ao meu redor
como um silêncio que me cobriu e me mutilou.

Ela: gelou-te a minha ausência?
Ele:gelou-me à partida o corpo, mas nao a alma

e continuo assim, fiquei assim, e continuo assim...
só espero que o vento nunca te apanhe
Ela: que vento?que nome lhe dás?
amor? obsessão?paixao?
Ele: olha cúmplice, recíproco, feliz...
esse olhar é doce, vem dum vento denso e caloroso, como as tuas mãos

quarta-feira, abril 08, 2009

POEMADA DAS ÁRVORES E DA APRENDIZAGEM

à Stephe com 1 abraço ainda maior ;


técnica mista sobre papel by me ;)

"Tudo o que as árvores fazem é pensar. Ficam generosas à espera de chegar a uma conclusão. E se morrem não é absoluto que tenham tido resposta. Deram sombra,pássaros, fruto e vento, mas podem partir quietas, com quem tomba para dentro de si mesmo, com felicidade pelo que já passou, e nenhuma mágoa, só a aceitação sábia do tempo."
*
Valter Hugo Mãe

sábado, março 21, 2009

Poema

--------------------------------------------------------------------------------

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida



Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Deve andar por aí, algures, depois dessa ponte,todo o meu embaraço de palavras.




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Porto by me

BOLETIM METEREOLÓGICO

Céu muito nublado vento
fraco moderado de sudoeste

soprando forte nas terras
altas aguaceiros em especial

nas regiões do Norte e Centro
e que serão de neve nos

pontos mais altos da Serrada Estrela
e no teu coração.

*
Jorge Sousa Braga, in "Porto de Abrigo"

domingo, janeiro 11, 2009

...e porque me sento a contemplar se sei que te sentas também e que me sentes que é ali na
margem que tudo o que importa O É realmente na medida exacta do Existir




chicago
Photo by Patrizio Battaglia



...................................................................................................................... Nas pálpebras
da noite
chorei
cadências
que me ensinaram
que o Amor Ama-se
Assim teus
Olhos.
*
*
Daniel Faria

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra....


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, dezembro 12, 2008



(de autor desconhecido)






Gastei mais que as palavras
Em sonhos que eram teus,
E do pó que pisavas
Fiz estradas e céu.
Inventei ventos e ruas,
Fiz-me louco nos teus braços,
E das minhas frases nuas
No teu corpo escrevi laços.

E se partires de manhã
Deixa a sombra e o chão
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão

E no nome que te dei
Tu já tens onde acordar,
Amanhã eu não sei
Quem te vai abraçar.
E então voltas do nada,
Sem pecados ou perdão,
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão.

Vem de longe o teu caminho,
Em mim faz sempre verão,
Esta noite eu e tu
Somos mais que a razão.
Eu sou um mundo sozinho,
Por isso é fácil dizeres "Não"
Volta para mim esta noite
Para sermos
A Palma e a Mão.



Pedro Abrunhosa
in
A palma e a mão

quarta-feira, novembro 19, 2008

Photobucket

*

nunca seras


*
Photobucket

*
se 1 pessoa
trafaria
Photobucket
largue lisboa
e olhava-.se

»
* Fotos da campanha promocional "O Arquilelago da insónia" de Ant.Lobo Antunes cedidas por Cris
_________________________________________________
....................................................."Quando salto do céu, caí no tecto no inferno" Ant.Lobo A.
___________________________________________________________________________________



domingo, novembro 02, 2008

"Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer. Muitas vezes me lembrei de que esse sítio , até, um lugar sem nada de especial,como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde,o último estertor do dia antes de nos despedirmos,quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É que o amor nem sempre é uma palavra de uso,aquela que permite a passagem à comunicação mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o, como se uma troca de almas fosse possível neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e me peças: Vem comigo!, e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, feiracomo se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros. "

Nuno Júdice



acrílico sobre tela
Design by me
(indisponível
)

domingo, outubro 12, 2008

"A ansiedade é uma corda à volta da garganta. Impede-me os movimentos, prende-me os pensamentos, entrega-me ao abandono. O dia fere. Só a noite, com a sua misericórdia, me traz algum alívio. "






eduardo bragança
Zoom duma tela de
Eduardo Bragança




Acordei com a dor e a fúria dos dias gastos.
Que fazer?
Talvez...


quinta-feira, setembro 25, 2008

dri
Foto da Dri




Apenas um cigarro



As palavras são as mesmas
mas deixei de saber o tempo
para chegar a ti
durante meses e meses
tinha perdido o hábito

as histórias que de noite sonhas
o evidente esplendor que depois
não tomou nehuma forma

que razão é a deste amor
que tanto se confunde
com o medo

não dizias nada
tinhas de repente uma pressa desesperada
como quem do mundo inteiro
pretendesse apenas
um cigarro.

*

José Tolentino de Mendonça
in
A noite abre os meus olhos

terça-feira, setembro 02, 2008




E na palma da tua mão
busco ternura
sem contar meses,
anos, dias,
sem saber dizer
se já te chorei
por inteiro
o suficiente
para não voltar
a perder-te
*

Vasco Gato
in
"Um mover de mão"

quarta-feira, agosto 20, 2008

Aviso nº 1 :

Tenho o coração ferido por tua causa, mas não tem importância.
O importante é que "dei o teu nome ao corte e agora fazes parte de mim".
*
Ç
Aviso nº2:

Dizer que tenho as mãos cheias de ti ou de poesia é a mesmíssima coisa.Decide-te antes que eu te esqueça.

terça-feira, agosto 12, 2008

"No Verão, a maresia eterna que pela noite penetra intrusa por entre as frestas da janela.

clp

No Inverno, o silêncio do amanhecer de domingo esculpido pelo som dos eléctricos que lutam ao acordar contra os ferros dos carris.
Esta é a cidade que eu amo."

P. Abrunhosa

sexta-feira, julho 25, 2008

nevogilde

foto por Teo Dias







"Dorme na mesma cidade em que durmo, respira o mesmo ar , deve maldizer o mesmo céu permanentemente húmido, continuamente chuvoso; percorre certamente as mesmas ruas que eu, admira-me durante estes anos todos não ter dado de caras com ele, ir a atravessar numa passadeira, olhar para o carro que parou por causa do semáforo vermelho e vê-lo, sorrindo-me por trás do vidro embaciado, faz-me confusão nunca o ter encontrado nos cafés, nos cinemas, nas discotecas, que faz, com quem se dá, em quem afoga a sua ternura amordaçada, quem beijará antes de adormecer, como vive fora dos meus limites, do meu alcançe agora que sou um pássaro à solta, afiando as garras do desprezo em cada conversa, em cada encontro, em cada beijo torcado ao de leve para provocar o desejo violento de outros beijos. [...]
[...]Quem és que realmente nunca cheguei a saber, o que és que não me deste, que não me deixaste absorver para ser mais eu dentro do que queria ser tua, ser tua como nunca fui e agora tenho medo de ser."
*
Rodrigo Guedes de Carvalho
in
Daqui a nada

domingo, julho 06, 2008

Obrigada por te lembrares Pd **

+
Photobucket

colagem por Nachotta

*

"..E as árvores despidas, o vento, a chuva, os anúncios luminosos de Lisboa, tudo tinha o teu nome e me falava de ti, tudo era ao mesmo tempo, tentação e perdição.Ou talvez só o amor do amor, a melancolia da cidade à chuva, a tristeza dos eléctricos vazios atravessando a noite a tilintar, a solidão da grande cidade, os sapatos molhados e o orgulho ferido, perdido de amor, perdido como nunca ninguém por ninguém, senão eu, em Lisboa por ti."

^Manuel Alegre
in
A terceira rosa

quarta-feira, junho 11, 2008

WAITING
foto de autor desconhecido

SABER POR ONDE ANDAS,ONDE TE SENTAS, A MANEIRA DE CRUZAR AS PERNAS....É DEMAIS PARA MIM!
SABER DOS ESTALOS DOS TEUS DEDOS A DOBRAR O PAPEL; DOS TEUS OLHOS...

TEUS INSIGNIFICANTES OLHOS QUE SÓ VÊM O QUE LHES DIGO PARA VER

quarta-feira, maio 28, 2008

vp

andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
parar
andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
sentir
andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
.
(pausa)

quinta-feira, maio 15, 2008

DORME TÃO MANSAMENTE ESTA CIDADE QUE ESTONTEIA dorme tão mansamente esta cidade que estonteia
DORME TÃO MANSAMENTE ESTA CIDADE QUE ESTONTEIA dorme tão mansamente esta cidade que estonteia


coração minhoto

"Porque não estás aqui?"era a sua pergunta sem destinatário concreto ou conhecido, feita ao vazio e no vazio,na consciência de que nunca ninguém estaria ali, de que ali nunca haveria ninguém para vir ter com ela num tempo menos efémero, que a sua ruptura da noite teria de se fazer como até então, ao sabor das fomes repentinas e de encontros avulsos, de insatisfações permanentes e de aventuras sem compromisso,de fulgores precários e de breves epifanias, como as do fogo-de-artíficio a enredarem-se no fio de Ariane interminável que ela assim desenrolava no seu próprio labirinto e nunca a nada a poderia prendê-la e nunca ninguém haveria de indicar qualquer espécie de caminho que lhe dissesse respeito.
Foi o fim da madrugada, quando tomava o chocolate quente da praxe com os Silveira Pimentel, que Monique decidiu que afinal ficaria no Porto e que no Porto passaria a ser o seu tédio e a sua solidão insatisfeita".
+
Vasco Graça Moura

terça-feira, abril 29, 2008

"Para pintar o retrato de um pássaro.
Primeiro pinte uma gaiola
com a porta aberta.
Depois pinte
algo gracioso
algo simples
algo bonito
algo útil
para o pássaro.
Então encoste a tela a uma árvore
em um jardim
em um bosque
ou em uma floresta.
Esconda-se atrás da árvore
sem falar
sem se mover...
Às vezes o pássaro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pássaro
não influi no bom resultadodo quadro.
Quando o pássaro aparecer
se ele o fizer
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e quando ele assim agir
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então,apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar na plumagem do pássaro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pássaro.
Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
E então espere até que o pássaro decida cantar.
Se ele não cantar
é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza,
você arranca
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome em um canto do quadro. "

*

Jacques Prévert




portopp taken by me @ .....................algures numa rua @ Porto
---

Até aqui os pássaros vomitam o teu nome.
É sonante...mas vem vazio de ti...

sexta-feira, abril 25, 2008




A noite devia ter um cadeado contra todos os medos .
Irrisoriamente toma-nos a loucura...


Foto de Cristina Cruz #### :))
ver aqui

*



"A noite - a hora em que tudo é imenso como um olhar cego. A hora em que estamos a sós connosco, com esta coisa terrível que somos nós por dentro de nós vivissimos e não há público para nos ajudar"
.



Vergílio Ferreira


in
Em nome da terra




quinta-feira, abril 10, 2008

MOLHE
Foz do Douro_molhe
Porto





FOTOGRAFIA DO PORTO
*
O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.
.
José Luís Peixoto
in
"Gaveta de Papéis"
*


Roubado daqui Quintas de Leitura

sexta-feira, março 21, 2008

Por 365 dias de Poesia dou-te este dia...



“O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas"

*
José L. Peixoto






Photobucket

Técnica Mista
por
Antoni Tàpies (ver)
*
*
Abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos;
ou, do sinal do provir,
do relançar
para além...
há sempre a luz do "não" dito,
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,
só os fechamos quando o olhar nos trai.

terça-feira, março 04, 2008

Photobucket




Não eram palavras
o que escrevíamos nas paredes,
meu Amor.
Eram as tuas mãos e as minhas
entrelaçadas numa manhã fria
em que pombas voavam dos teus olhos
para me contarem liberdade.
Depois,enquanto as acácias
vertiam folhas
sobre o teu rosto
para beijares a manhã,
surpreendias-te
com os meus dedos
em forma
de girassóis azuis
tangendo os teus cabelos
enrubescidos de prata
Não eram palavras
o que deixámos nas ruas,
meu Amor.
Eram as certezas plenas
dos nossos corpos
abraçados no infinito
duma qualquer
madrugada de silêncio.
.
Pedro Abrunhosa

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Photobucket
Foto de James P. Blair
(ver aqui)


+

+


O apressar do dizer: "Queres vir?"...
...tudo cinematgraficamente perfeito...
"e no entanto arde!"

sábado, janeiro 19, 2008

"Sem futuro, sem passado,/ sem destino, sem idade,/ andamos de braço dado/ Eu poeta, tu cidade."

Pedro Homem de Melo
Photobucket taken in Jardins _ Palácio de Cristal 07

»»



"Desmanchadamente transparente. Descontroladamente diferente.”
Tiago Bettencourt

domingo, dezembro 30, 2007


Tela de Ivan Rabuzin
*ª*
+
Em cada partida uma pena
..............................................Em cada partida uma mão de aço
.......................................................................................................Em cada partida um dia no tempo
.................................Em cada partida o balanço de uma saudade ainda morna
.....
....
....