"Tudo o que as árvores fazem é pensar. Ficam generosas à espera de chegar a uma conclusão. E se morrem não é absoluto que tenham tido resposta. Deram sombra,pássaros, fruto e vento, mas podem partir quietas, com quem tomba para dentro de si mesmo, com felicidade pelo que já passou, e nenhuma mágoa, só a aceitação sábia do tempo."
*
Valter Hugo Mãe
quarta-feira, abril 08, 2009
POEMADA DAS ÁRVORES E DA APRENDIZAGEM
sábado, março 21, 2009
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Para Ti
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Porto by me
BOLETIM METEREOLÓGICO
Céu muito nublado vento
fraco moderado de sudoeste
soprando forte nas terras
altas aguaceiros em especial
nas regiões do Norte e Centro
e que serão de neve nos
pontos mais altos da Serrada Estrela
e no teu coração.
*
Jorge Sousa Braga, in "Porto de Abrigo"
domingo, janeiro 11, 2009
margem que tudo o que importa O É realmente na medida exacta do Existir

Photo by Patrizio Battaglia
quarta-feira, dezembro 31, 2008
sexta-feira, dezembro 12, 2008

Gastei mais que as palavras
Em sonhos que eram teus,
E do pó que pisavas
Fiz estradas e céu.
Inventei ventos e ruas,
Fiz-me louco nos teus braços,
E das minhas frases nuas
No teu corpo escrevi laços.
E se partires de manhã
Deixa a sombra e o chão
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão
E no nome que te dei
Tu já tens onde acordar,
Amanhã eu não sei
Quem te vai abraçar.
E então voltas do nada,
Sem pecados ou perdão,
Esta noite eu e tu
Somos a Palma e a Mão.
Vem de longe o teu caminho,
Em mim faz sempre verão,
Esta noite eu e tu
Somos mais que a razão.
Eu sou um mundo sozinho,
Por isso é fácil dizeres "Não"
Volta para mim esta noite
Para sermos
A Palma e a Mão.
Pedro Abrunhosa
in
A palma e a mão
quarta-feira, novembro 19, 2008
domingo, novembro 02, 2008
como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros. "Nuno Júdice
acrílico sobre tela
Design by me
(indisponível)
domingo, outubro 12, 2008
quinta-feira, setembro 25, 2008

Foto da Dri
Apenas um cigarro
As palavras são as mesmas
mas deixei de saber o tempo
para chegar a ti
durante meses e meses
tinha perdido o hábito
as histórias que de noite sonhas
o evidente esplendor que depois
não tomou nehuma forma
que razão é a deste amor
que tanto se confunde
com o medo
não dizias nada
tinhas de repente uma pressa desesperada
como quem do mundo inteiro
pretendesse apenas
um cigarro.
*
José Tolentino de Mendonça
in
A noite abre os meus olhos
terça-feira, setembro 02, 2008
quarta-feira, agosto 20, 2008
sexta-feira, julho 25, 2008

foto por Teo Dias
Rodrigo Guedes de Carvalho
in
Daqui a nada
domingo, julho 06, 2008
+

colagem por Nachotta
*
"..E as árvores despidas, o vento, a chuva, os anúncios luminosos de Lisboa, tudo tinha o teu nome e me falava de ti, tudo era ao mesmo tempo, tentação e perdição.Ou talvez só o amor do amor, a melancolia da cidade à chuva, a tristeza dos eléctricos vazios atravessando a noite a tilintar, a solidão da grande cidade, os sapatos molhados e o orgulho ferido, perdido de amor, perdido como nunca ninguém por ninguém, senão eu, em Lisboa por ti."
^Manuel Alegre
in
A terceira rosa
quarta-feira, maio 28, 2008

andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
parar
andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
sentir
andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar andar
.
(pausa)
quinta-feira, maio 15, 2008
DORME TÃO MANSAMENTE ESTA CIDADE QUE ESTONTEIA dorme tão mansamente esta cidade que estonteia

"Porque não estás aqui?"era a sua pergunta sem destinatário concreto ou conhecido, feita ao vazio e no vazio,na consciência de que nunca ninguém estaria ali, de que ali nunca haveria ninguém para vir ter com ela num tempo menos efémero, que a sua ruptura da noite teria de se fazer como até então, ao sabor das fomes repentinas e de encontros avulsos, de insatisfações permanentes e de aventuras sem compromisso,de fulgores precários e de breves epifanias, como as do fogo-de-artíficio a enredarem-se no fio de Ariane interminável que ela assim desenrolava no seu próprio labirinto e nunca a nada a poderia prendê-la e nunca ninguém haveria de indicar qualquer espécie de caminho que lhe dissesse respeito.
+
Vasco Graça Moura
terça-feira, abril 29, 2008
Primeiro pinte uma gaiola
com a porta aberta.
Depois pinte
algo gracioso
algo simples
algo bonito
algo útil
para o pássaro.
Então encoste a tela a uma árvore
em um jardim
em um bosque
ou em uma floresta.
Esconda-se atrás da árvore
sem falar
sem se mover...
Às vezes o pássaro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pássaro
não influi no bom resultadodo quadro.
Quando o pássaro aparecer
se ele o fizer
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e quando ele assim agir
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então,apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar na plumagem do pássaro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pássaro.
Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
E então espere até que o pássaro decida cantar.
Se ele não cantar
é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza,
você arranca
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome em um canto do quadro. "
*
Jacques Prévert
taken by me @ .....................algures numa rua @ Porto---
Até aqui os pássaros vomitam o teu nome.
É sonante...mas vem vazio de ti...
sexta-feira, abril 25, 2008
quinta-feira, abril 10, 2008

Foz do Douro_molhe
Porto
O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.
"Gaveta de Papéis"
Roubado daqui Quintas de Leitura
sexta-feira, março 21, 2008
Por 365 dias de Poesia dou-te este dia...
*
José L. Peixoto
*
Abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos;
ou, do sinal do provir,
para além...
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,
terça-feira, março 04, 2008

o que escrevíamos nas paredes,
meu Amor.
Eram as tuas mãos e as minhas
entrelaçadas numa manhã fria
em que pombas voavam dos teus olhos
para me contarem liberdade.
Depois,enquanto as acácias
vertiam folhas
sobre o teu rosto
para beijares a manhã,
surpreendias-te
com os meus dedos
em forma
de girassóis azuis
tangendo os teus cabelos
enrubescidos de prata
Não eram palavras
o que deixámos nas ruas,
meu Amor.
Eram as certezas plenas
dos nossos corpos
abraçados no infinito
duma qualquer
terça-feira, fevereiro 12, 2008

Foto de James P. Blair
(ver aqui)
+
+
O apressar do dizer: "Queres vir?"...
...tudo cinematgraficamente perfeito...
"e no entanto arde!"
sábado, janeiro 19, 2008
domingo, dezembro 30, 2007
*ª*
+
segunda-feira, dezembro 10, 2007
segunda-feira, novembro 26, 2007
domingo, novembro 11, 2007
de eliminação de sombras.
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem.
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantesde olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca.
in
Pena Capital
terça-feira, outubro 23, 2007
Sabes quando as palavras nos acontecem?A caneta repara que há espaço ainda a seguir, mas não o vence.E o dedilhar no vazio.O espaço reparte e dá as ordens.A caneta vinga-se e repete a palavra anterior até surgir a vontade.Eu cedo.Faço a vontade ao papel;
deixo-o em branco.Crueza desleal entre o aparo e a folha.Abre-se caminho para a loucura, que não tarda a vencer.É tarde; é a hora do lobo.Amanhã também são horas de recomeçar a luta.Esqueço-me do apelo que me vibra no peito. Fecho o barulho da alma e finjo que nada se deu.Amanhã à mesma hora, deixarei sobre o papel a pálida palavra que teima em viver.Descobre-a;está lançado o repto...
sexta-feira, setembro 21, 2007
em que acordei***********************

"Conheço as palavras pelo dorso. Outro, no meu lugar, diria que sou um domador de palavras.[...] Sim. Conheço as palavras. Tenho um vocabulário próprio. O que sofri, o que vim a saber com muito esforço fez inchar, rolar umas sobre as outras palavras. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar. São pesadas e caem. São o contrário dos pássaros, embora «pássaro» seja uma das minhas palavras[....]"
in
Homens de palavra(s)
segunda-feira, agosto 27, 2007
É tarde sentir-te - nos dedos a raspa ácida do limão.Consegues fazer-me 1 sorriso se entrares por aí e me ofereceres 1minuto da tua voz...30 segundos se for um murmúrio, 5 segundos se for um hálito.
"LEVA-ME CONTIGO E AJUDA-ME A FICAR" - esta é do A.Lobo Antunes e é para a recordares.
quarta-feira, agosto 15, 2007

Foto de David Nebreda
ver aqui
in Amor Portátil
domingo, agosto 05, 2007
*
PRAÇA DOS LEÕES
*
Combinei um encontro contigo pelo telefone
prometeste que desta vez não faltarias
Estou aqui à tua espera
as mãos suadas a testa suada não sei como controlar a minha ansiedade
Tenho combinado inúmeros encontros contigo
através de bilhetes postais ramos de violetas bombardeiros apaixonados
amanhã à quatorze horas no hall de entrada do Grande Hotel do Universo
nas retretes nos jardins nas margens do rio Douro
Estou aqui à tua espera
Aliás desde que me conheço que não faço outra coisa
senão estar à tua espera
Disseram-me que tinhas o nome e o corpo duma mulher
que eras uma nuvem branca ou uma aurora boreal
Estou aqui à tua espera
Já passam algumas horas sobre a hora marcada
Hoje decerto que não vens
Mas eu continuarei à tua espera
Daqui a dois mil anos ainda aqui estarei à tua espera
No fundo eu sei que nunca te vou encontrar
Que tu
talvez estejas nisso mesmo:em nunca te encontrar!
Jorge de Sousa Braga
quarta-feira, julho 25, 2007
quinta-feira, julho 05, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
quinta-feira, junho 07, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
*
Passo a passo, cãibra doce e perpétua.
Ganho corpo de estrada, vincada de sulcos,
A roupa que trazes e que eu queria segurar perpétuamente.
O hálito como que a procurar a cama;
o teu hálito como que a provocar o drama,
seco o teu nome,amanso-o,aliso-o...
Nada me separa desse ter-te resumidamente nos dedos.
sexta-feira, maio 18, 2007
Muitas vezes penso se gosto de viagens apenas para ver a luz do dia cair sobre lugares diferentes,lugares distantes.Gosto quando a luz nao me cobre a mim, porque não sou daqui, nem destas horas, nem desta forma de sofrer ou de celebrar por estes lugares."
`*
+
P. Miguel Martins
in
Contigo para um último dia
sábado, abril 21, 2007
segunda-feira, abril 09, 2007
As cores das fachadas que estalam e não permanecem;
a realidade interposta de hálitos... Há buracos no céu, e é só isso o quero deixar aqui hoje..
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*
................photos by me and
..... ......... D
































