quinta-feira, abril 10, 2008

MOLHE
Foz do Douro_molhe
Porto





FOTOGRAFIA DO PORTO
*
O Porto é uma menina a falar-me de outra idade.
Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz
de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou
um monstro que destrói. Mas os meus dedos são capazes
de tocar-lhe nos ombros, de afastar-lhe os cabelos.
Entre mim e o Porto, existem milímetros que são
muito maiores do que quilómetros, mesmo quando
os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos
lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto,
deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.
.
José Luís Peixoto
in
"Gaveta de Papéis"
*


Roubado daqui Quintas de Leitura

sexta-feira, março 21, 2008

Por 365 dias de Poesia dou-te este dia...



“O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas"

*
José L. Peixoto






Photobucket

Técnica Mista
por
Antoni Tàpies (ver)
*
*
Abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos;
ou, do sinal do provir,
do relançar
para além...
há sempre a luz do "não" dito,
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,
só os fechamos quando o olhar nos trai.

terça-feira, março 04, 2008

Photobucket




Não eram palavras
o que escrevíamos nas paredes,
meu Amor.
Eram as tuas mãos e as minhas
entrelaçadas numa manhã fria
em que pombas voavam dos teus olhos
para me contarem liberdade.
Depois,enquanto as acácias
vertiam folhas
sobre o teu rosto
para beijares a manhã,
surpreendias-te
com os meus dedos
em forma
de girassóis azuis
tangendo os teus cabelos
enrubescidos de prata
Não eram palavras
o que deixámos nas ruas,
meu Amor.
Eram as certezas plenas
dos nossos corpos
abraçados no infinito
duma qualquer
madrugada de silêncio.
.
Pedro Abrunhosa

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Photobucket
Foto de James P. Blair
(ver aqui)


+

+


O apressar do dizer: "Queres vir?"...
...tudo cinematgraficamente perfeito...
"e no entanto arde!"

sábado, janeiro 19, 2008

"Sem futuro, sem passado,/ sem destino, sem idade,/ andamos de braço dado/ Eu poeta, tu cidade."

Pedro Homem de Melo
Photobucket taken in Jardins _ Palácio de Cristal 07

»»



"Desmanchadamente transparente. Descontroladamente diferente.”
Tiago Bettencourt

domingo, dezembro 30, 2007


Tela de Ivan Rabuzin
*ª*
+
Em cada partida uma pena
..............................................Em cada partida uma mão de aço
.......................................................................................................Em cada partida um dia no tempo
.................................Em cada partida o balanço de uma saudade ainda morna
.....
....
....

segunda-feira, dezembro 10, 2007

“O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas."
*
José Luís Peixoto

»
«

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.......HOJE EU SÓ QUERIA SER ALGO EM ALGO.................




segunda-feira, novembro 26, 2007

Eu imPORTO-me !
"Douro visto no Freixo"
+
+
"Deixo-me invadir por um doce torpo .Recosto-me na cadeira e fecho os olhos.Amo aquela gente, aquela cidade, aquele rio.Volto a abrir as cortinas das pestanas e acaricio uma vez mais o Porto, o Douro, os comboios a entrarem de mansinho na ponte...."

domingo, novembro 11, 2007

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras.
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem.
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantesde olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca.


Mário Cesariny
in
Pena Capital

terça-feira, outubro 23, 2007



Sabes quando as palavras nos acontecem?A caneta repara que há espaço ainda a seguir, mas não o vence.E o dedilhar no vazio.O espaço reparte e dá as ordens.A caneta vinga-se e repete a palavra anterior até surgir a vontade.Eu cedo.Faço a vontade ao papel;
deixo-o em branco.Crueza desleal entre o aparo e a folha.Abre-se caminho para a loucura, que não tarda a vencer.É tarde; é a hora do lobo.Amanhã também são horas de recomeçar a luta.Esqueço-me do apelo que me vibra no peito. Fecho o barulho da alma e finjo que nada se deu.Amanhã à mesma hora, deixarei sobre o papel a pálida palavra que teima em viver.Descobre-a;está lançado o repto...


sexta-feira, setembro 21, 2007

**************Faltaste-me em todos os dias
em que acordei***********************

por isso "exijo" de ti o agora******




***** (algures em Lx pelo meu olhar )


+


"Conheço as palavras pelo dorso. Outro, no meu lugar, diria que sou um domador de palavras.[...] Sim. Conheço as palavras. Tenho um vocabulário próprio. O que sofri, o que vim a saber com muito esforço fez inchar, rolar umas sobre as outras palavras. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar. São pesadas e caem. São o contrário dos pássaros, embora «pássaro» seja uma das minhas palavras[....]"

*

Ruy Belo
in
Homens de palavra(s)

segunda-feira, agosto 27, 2007

*

É tarde sentir-te - nos dedos a raspa ácida do limão.Consegues fazer-me 1 sorriso se entrares por aí e me ofereceres 1minuto da tua voz...30 segundos se for um murmúrio, 5 segundos se for um hálito.
Tu a fazeres-me sentir.Eu a fazer-te sentir.
"LEVA-ME CONTIGO E AJUDA-ME A FICAR" - esta é do A.Lobo Antunes e é para a recordares.
Resiste; resiste.Vá anda resiste-me!Suporta todas as minhas dores de silêncio.Quebra-te à tua pele.

quarta-feira, agosto 15, 2007


Foto de David Nebreda
ver aqui



" Uma intromissão que exige o álcool, que se põe,embebido em algodão, na ferida que reabriu para que de novo arda, palavras aflitas de uma conversa [..] E depois o regresso a casa com o corpo anestesiado,a música aos berros, a vontade de que tudo se desfaça no instante para o qual falta a coragem.Chegar a casa a agarrar a última garrafa e nas tuas fotografias até me virem os vómitos,as lágrimas,o ranho que expulse de mim o que guardo no mais fundo e me traz a vida vazia e inútil.Tenho tanto medo de encontrar que mesmo nunca te encontrando estás mais presente que todos os que vejo girar à minha volta."

*
Pedro Paixão
in Amor Portátil







domingo, agosto 05, 2007

Photoshop by me _ Porto
*
PRAÇA DOS LEÕES

*
Estou aqui à tua espera
num café na Praça dos Leões
Combinei um encontro contigo pelo telefone
prometeste que desta vez não faltarias
Estou aqui à tua espera
as mãos suadas a testa suada não sei como controlar a minha ansiedade
Tenho combinado inúmeros encontros contigo
através de bilhetes postais ramos de violetas bombardeiros apaixonados
amanhã à quatorze horas no hall de entrada do Grande Hotel do Universo
nas retretes nos jardins nas margens do rio Douro
Estou aqui à tua espera
Aliás desde que me conheço que não faço outra coisa
senão estar à tua espera
Disseram-me que tinhas o nome e o corpo duma mulher
que eras uma nuvem branca ou uma aurora boreal
Estou aqui à tua espera
Já passam algumas horas sobre a hora marcada
Hoje decerto que não vens
Mas eu continuarei à tua espera
Daqui a dois mil anos ainda aqui estarei à tua espera
No fundo eu sei que nunca te vou encontrar
Que tu
talvez estejas nisso mesmo:em nunca te encontrar!



Jorge de Sousa Braga


















quarta-feira, julho 25, 2007

quinta-feira, julho 05, 2007

Cinco dedos que mentem
Um ventre em aberto
A aspereza que arranha
A palavra que ama
A loucura de um verso

quarta-feira, junho 27, 2007

quinta-feira, junho 07, 2007

. taken by me in Casa da Música
"Não vás
E não
fui. Ainda que todo o dia, toda a vida, tivesse esperado aquele instante, único entre todos os instantes, ainda que tivesse imaginado o mundo ao pormenor depois da fronteira pequena daquele instante, não fui. Não vás. [...]"
+
José Luís Peixoto
*in
Nenhum olhar

terça-feira, maio 29, 2007


*Foz*
photoshop sobre foto original de Clara

+
*
Passo a passo, cãibra doce e perpétua.
Ganho corpo de estrada, vincada de sulcos,
de esgares, de solturas de gritos, de rubros....
A roupa que trazes e que eu queria segurar perpétuamente.
O hálito como que a procurar a cama;
o teu hálito como que a provocar o drama,
solto.
Solto-te mas receio que me perca;
perco-me mas receio que te encontre.
Descubro esta cidade que não se escreve
nem se deixa escrever,
nem se julga poeta, dissidente das palavras;
ainda que por exaustão se encarregue de as desenhar letra a letra.
Seguro o teu nome encaixilhado;
seco o teu nome,amanso-o,aliso-o...
Nada me consola.
Nada me separa desse ter-te resumidamente nos dedos.



sexta-feira, maio 18, 2007

"Fico parada a ver a luz.
Muitas vezes penso se gosto de viagens apenas para ver a luz do dia cair sobre lugares diferentes,lugares distantes.Gosto quando a luz nao me cobre a mim, porque não sou daqui, nem destas horas, nem desta forma de sofrer ou de celebrar por estes lugares."

`*
+

P. Miguel Martins
in
Contigo para um último dia




sábado, abril 21, 2007

"Esta cidade não é uma cidade
é um vício"
.................................................. .................. ... Porto

segunda-feira, abril 09, 2007





As cores das fachadas que estalam e não permanecem;

a realidade interposta de hálitos...



Há buracos no céu, e é só isso o quero deixar aqui hoje..

..

*





................photos by me and
..... .........
D

quinta-feira, março 29, 2007

o TEMPO REVESTIU-SE DE TI.
CRUEL A MADRUGADA QUE
DESPERTA, INERTE.
SOAM SOLUÇOS DESVAIRADOS
DE COMPASSOS.

"E se não posso ter-te aqui,
ter-te-ei além
.
onde os barcos navegam sem vento...
ainda que não te tenha nunca..."
.
.

Maria José Quintela

terça-feira, março 13, 2007


Há um prenúncio de morte, lá do fundo de onde eu venho, os antigos chamam-lhe renho, novos ricos são má sorte.É a pronúncia do Norte, os tontos chamam-lhe torpe.Hemisfério fraco outro forte, meio-dia não sejas triste, a bússula não sei se existe, e o plano talvez aborte.Nem guerra, bairro ou corte, é a pronúncia do Norte.Não tenho barqueiro nem hei-de remar, procuro caminhos novos para andar, tolheste os ramos onde pousavam da geada as pérolas as fontes secaram.Corre um rio para o mar e há um prenúncio de morte.E as teias que vidram nas janelas, esperam um barco parecido com elas, não tenho barqueiro nem hei-de remar, procuro caminhos novos para andar.E é a pronúncia do Norte, corre um rio para o mar.
*
GNR
*
photo by me( Porto)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

«CaMInHO na RUA,no NORTE de qualquer cidade e não vou distraída com soluços»
«Viajo em inúteis círculos por dentro dos rastros da última caminhada»

*

*

* foto tirada daqui olhares.com
* textos de Lídia Martinez . "Um adeus perfeito"

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

"Beijo na livraria"






[..]


Tento escrever mas não consigo , tento lembrar mas não consigo ,tento discernir mas não consigo e percebo então que você é sem metafísica ,e sem metáforas propriamente a Poesia que eu não sei escrever !O sonho quenão paro de sonhar deitado ou acordado , com fome ou com sede , o quadroinacabado e o capitulo mais belo do Romance que não termina ...



[...]
*
* do texto #beijo na Livraria#__Glauco Callia
*
(obrigada Glauco**)


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

ManhãsOU TardesOUnoites
Técnica mista sobre
tinta da china e tinta serigráfica
-
-
--
"Ah, os poetas são decididamente afectados.Que raio de ideia esta de saber da primeira manhã?"
..... ....António Gancho....
_
.
-
OUamanheceresOU
simplesmenteOnadaOUsimplesmnete o de nao te compremeteresOdenãoOpinaresOUopinares porfavorOUdesimplesmente nao..

quinta-feira, janeiro 18, 2007

"...urgência de perdurar o sempre"

1.2.3.4.5.6.7.8.9.10.11.12.13.14.15.16.16.17.18.18.19.20.21.22.23.24.
25.26.26.27.28.28.29.30.31.32.33.34.35.36.37.38.39.40.
41.42.43.44.45.46.47.48.49.50.51.52.53.54.55.56
.57.58.59.60.61.62.63.64.65.66.67.68.69
.70.71.72.73.74.75.76.77.78.79.80.81.82.83.84.85.
86.87.88.89.90.91.9293.94.95.96.97.98.99.100.101.102.
103.104.105.106.107.108.109.110.111.112.113.114.115.
116.116.117.118.119.120.121.122.123.124.125.
125.16.127.128.129.130.131.131.
133.134.135.136.137.138.
139.140.141.142.143.144.145.146.147.148.149.150.151.152.153
.154.155.156.157.157.158.159.160.161.162.163.164.
165.166.167.168.169.170.171.172.173.174.175.176.177.78.
179.180.181.182.183.184.185.186.187.187.188.189.190.191
.192.193.194.195.196.197.198.199.200.201.202.
203.204.205.206.207.208.209.210.211.
212.213.214.215.216.217.218.219.220.221.222.223.224.
225.226.227.228.229.230.231.232.233.234.
235.236.237.238.239.240.241.242.243.244.245.246.247.
248.249.250.251.252.253.254.255.256.257.
257.258.259.260.261.262.263.264.265.266.267.268.
269.270.271.272.273.274.275.276.277.278.279.280-281.
282.283.294.285.286.287.288.289.
290.291.192.193.194.195.196.
197.298.299.300.301.302.303.304.305.305.306.307.308.
309.310.311.312.313.314.315.316.317.318.319.320.
321.322.323.324.325.326.327.328.329.330.331.332.333.
334.335.336.337.338.339.340.341.342.343.
344.345.346.347.348.349.350.351.352.353.354.355.356.
357.358.359.360.361.362.363.364.365

«


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[photoPaint]by me
*

A JAULA
Lá fora há sol.Não é mais que um solporém os homens olham-noe depois cantam.Eu não sei do sol.Eu sei a melodia do anjoe o sermão quentedo último vento.Sei gritar até de manhãquando a morte pousa nuana minha sombra.Eu choro debaixo do meu nome.Eu agito lenços na noite e barcos sedentos de realidadedançam comigo.Eu oculto cravospara escarnecer dos meus sonhos enfermos.Lá fora há sol.Eu visto-me de cinzas.
*
Alejandra Pizarnik. ver aqui
+
Nació en Buenos Aires, el 29 de Abril de 1936. Estudió filosofía y letras en la Universidad de Buenos Aires y, más tarde, pintura con Juan Batlle Planas.
El 25 de septiembre de 1972, mientras pasaba un fin de semana fuera de la clínica siquiátrica donde estaba internada, Pizarnik murió de una sobredosis intencional de seconal.








quinta-feira, dezembro 21, 2006

O Silêncio confirmado

Veneza 06Photobucket - Video and Image Hosting
@@Taken by Rose

..

.

..
"Silêncio.
Como se o momento em que alguém se preparasse para dizer uma palavra ficasse suspenso.Instantes a acumularem-se sobre esse tempo cada vez mais longo.A suspeita de que toda a eternidade existe dentro desse momento parado. E, se alguém deixasse cair uma pedra na profundidade desse silêncio, poderia esperar que passassem séculos, mas nunca iria ouvi-la tocar no chão e apenas ficaria livre no momento em que acreditasse que a pedra se tinha desfeito em tempo e em silêncio.

O número de mortos e o número de desaparecidos. Uma conversa que se ouve no autocarro enquanto se olha pela janela e não se consegue ver a paisagem que passa lá fora porque apenas se consegue ouvir aquela conversa de interjeições, de palavras inacabadas entre uma mulher e um homem.Milhares de crianças a fazerem as mesmas perguntas em todas as línguas do mundo.A hora certa marcada por apitos rectos, pedaços de rectas nos noticiários das estações de rádio.São catorze horas.São dezassere horas. São vinte horas em Portugal continental e no arquipélago da Madeira, menos uma nos Açores.O tom de voz dos políticos.Os comentários por telefone de pessoas que estão no outro lado do mundo.As imagens em movimentos na televisão.Um jornalista a dizer "uma história entre tantas outras".


E silêncio.Nem o movimento das ervas sob uma aragem.Nem, por exemplo, um olhar pela janela pousado na distância. Apenas uma cor opaca e constante.As formas nítidas e paradas de todos os objectoso.Finalmente nítidas no momento em que se tornam definitivas e inúteis .A solidão é feita de silêncio.As casas tinham tinham sido feitas de silêncio enão sabíamos.Alguém contou todos os segredos.Num momento sem palavras,alguém contou todos os segredos e ficou apenas o silêncio.
[...]
E silêncio. Como se os homens ou a terra fosem capazes de criar uma música que corresse dentro do silêncio, como vento invisível dentro do ar invisível.Nenhuma palavra e a ausência de cada palavra esculpida com silêncio.O significado daquilo que ninguém sabe dizer.Silêncio atirado de encontro às palavras .A distância inconcebível e insuportável entre nós e todos os outros.Pedras.Terra.Lama.E silêncio. Silêncio.Silêncio.
.
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José Luís Peixoto in { suplemento do D.N. }

quarta-feira, dezembro 06, 2006

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............................................. desistir .............................

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terça-feira, novembro 28, 2006


Foto de Bruno Espadana / tirada daqui
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YOU ARE WELCOME TO ELSINORE
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Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
.
.
MÁRIO CESARINY (Lisboa, 1923)Pena capital (Assírio e Alvim)

domingo, novembro 19, 2006

# eram folhas,o que resvalava do meu parapeito.tinham o teu nome em negrito? talvez.já as utilizei para embalar recordações; não as memórias, que para essas não há baús em sotck
"O silêncio (...) não somos gente a ouvi-lo, é ele a ouvir-nos a nós, esconde-se na nossa mão que se fecha, numa dobra de tecido, nas gavetas onde nada cabe salvo alfinetes, botões; pensamos "vou tirar o silêncio dali" e ao abrir as gavetas o outono no lugar do silêncio e (...)"

A. Lobo Antunes in Ontem não te vi em Bablónia

quarta-feira, novembro 01, 2006




taken by me

Shakespeare podia ter vivido aqui.Podia
ter dançado na noite de S.João,quando o rio
transborda para as ruas nas correntes
humanas que as inundam.Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.Podia ter
ensinado, à beira do cais,que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que unca terá nome
nem corpo.
[...]
Nuno Júdice

sábado, outubro 21, 2006

À R...
( pelas "nudezes" partilhadas")

photo by Rose @ Porto

"O que é que se pode fazer com a pele quando esta não se faz de pele?"

Jordi Nadal in Tão perto de ti



quarta-feira, outubro 18, 2006

sábado, outubro 07, 2006





sOmOs o que resta de uma coisa antiga

# chego até ti com uma mão atrás , outra à frente, não sei que sou, este que te chega numa manhã, como todas as outras...

# não sei dizer-te porque te procuro, porquê a ti acima de todos os outros.Chama-lhe um apelo de sangue.

# um pé do lado de lá sem tirar o outro pé do lado de cá, eu numa ponte, capaz de de me segurar assim, com um rio de dúvidas por baixo, o rio onde me hei-de afogar, onde me vou de certeza afogar, quem aguenta assim este equilíbrio instável, o coração a jurar que aguenta.

# o coração pede um compasso de espera e se recusa a continuar sem saber por quem bate, o coração tem de saber por quem bate.

# e nunca deves confiar no coração e só podes confiarno coração.
Esse mesmo que te envena e te engana à mínima oportunidade, o teu coração que te empurra.

De repente.
No tempo de uma respiração
nunca sabes por onde!

...............

[ A mulher em Branco de Rodrigo G. de Carvalho]

sexta-feira, setembro 22, 2006



"De um momento para o outro pode entrar um pássaro que levante o céu."
Alexande O´Neill

segunda-feira, setembro 18, 2006



Para a S
by SombrArredia

[continunado o teu poema]


,,,sempre na exausta procura de uma sombra
que nos lembre que ali fomos
poema na boca de alguém

quinta-feira, setembro 07, 2006




«Não

entendi ,

mas
senti »
@ Caetano Veloso
....................................................Gaia entre tardes