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José L. Peixoto
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Abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos;
ou, do sinal do provir,
para além...
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,




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P. Miguel Martins
in
Contigo para um último dia
a realidade interposta de hálitos... ..
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................photos by me and
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talvez aborte.Nem guerra, bairro ou corte, é a pronúncia do Norte.Não tenho barqueiro nem hei-de remar, procuro caminhos novos para andar, tolheste os ramos onde pousavam da geada as pérolas as fontes secaram.Corre um rio para o mar e há um prenúncio de morte.E as teias que vidram nas janelas, esperam um barco parecido com elas, não tenho barqueiro nem hei-de remar, procuro caminhos novos para andar.E é a pronúncia do Norte, corre um rio para o mar. 


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"Silêncio.
Como se o momento em que alguém se preparasse para dizer uma palavra ficasse suspenso.Instantes a acumularem-se sobre esse tempo cada vez mais longo.A suspeita de que toda a eternidade existe dentro desse momento parado. E, se alguém deixasse cair uma pedra na profundidade desse silêncio, poderia esperar que passassem séculos, mas nunca iria ouvi-la tocar no chão e apenas ficaria livre no momento em que acreditasse que a pedra se tinha desfeito em tempo e em silêncio.

"O silêncio (...) não somos gente a ouvi-lo, é ele a ouvir-nos a nós, esconde-se na nossa mão que se fecha, numa dobra de tecido, nas gavetas onde nada cabe salvo alfinetes, botões; pensamos "vou tirar o silêncio dali" e ao abrir as gavetas o outono no lugar do silêncio e (...)"# chego até ti com uma mão atrás , outra à frente, não sei que sou, este que te chega numa manhã, como todas as outras...
# não sei dizer-te porque te procuro, porquê a ti acima de todos os outros.Chama-lhe um apelo de sangue.
# um pé do lado de lá sem tirar o outro pé do lado de cá, eu numa ponte, capaz de de me segurar assim, com um rio de dúvidas por baixo, o rio onde me hei-de afogar, onde me vou de certeza afogar, quem aguenta assim este equilíbrio instável, o coração a jurar que aguenta.
# o coração pede um compasso de espera e se recusa a continuar sem saber por quem bate, o coração tem de saber por quem bate.
# e nunca deves confiar no coração e só podes confiarno coração.
Esse mesmo que te envena e te engana à mínima oportunidade, o teu coração que te empurra.
De repente.
No tempo de uma respiração
nunca sabes por onde!
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[ A mulher em Branco de Rodrigo G. de Carvalho]