segunda-feira, agosto 29, 2005

Para o que quer que seja é preciso algo

taken by me @Porto
.
.
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Para nunca mais mentir
.
.
para ver
para dar
para estar
para ter
para ir
pra sorrir
e entrar
para rir
pra voltar
a tentar
pra sentir
e mudar
pra voltar
a cair
para me levantar
para nunca
mais tentar
mentir
pra crescer
para amar
para ser
o lugar
pra viver
e gostar
de gostar
de viver
pra fugir
pra mostrar
pra dizer
pra ter paz
pra dormir
pra fingir acordar
para ser
derramar
para nunca
mais tentar
mentir
.
.
Ornatos Violeta

quinta-feira, agosto 25, 2005

when loves come to town
Alvalade 2005 @ U2
.
.
Alguém pode converter-se numa presença lancinante nas nossas vidas..
Quando alguém nos acontece, transfigura o próprio sentido da nossa existência.
[...]
O amor chega-nos com doçura, é doce.
Mas o perigo do amor é que traz consigo também a amargura.
A amargura é a presença do fim.
[...]
O amor é um animal selvagem que chega até nós em silêncio.
Aloja-se em nós e ocupa cada ponto do nosso corpo,mais,
toda a nossa vida. O seu poder de contaminação
é total. Basta um só olhar. O amor é esse conflito permanente
e completo : liberta e agarra, é doçura e amargura, refaz e desfaz,
ressuscita e adormece, faz-nos sonhar e confronta-nos com a realidade pura e dura,
dá à luz. Mas também tem o poder de nos matar.
No amor oscilamos entre tudo poder ser e nada poder ser,
a impossibilidade de tudo.
É este o amor, é esta a nossa vida:
.
:
Pedro Paixão in Ladrão de fogo

sexta-feira, agosto 19, 2005


taken by me
@Porto
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Stay with the demons you drowned
Stay with the spirit i found
Stay and the night would be enought
:
@BonoVox

:
:
.
De noite tudo é transparente demais.
De noite tudo é lúcido demais.
De noite tudo é escandalosamente
.............
repetido até à exaustão
e esqueço-me que não vale a pena repetir a palavra FIM





quarta-feira, agosto 17, 2005

Há momentos, em que nem a voz dos outros, nos chega para aliviarmos o que balança no nosso peito.
Por agora resta-me recordar o que foi escrito certamente
com sangue em papel de cetim;pois como disse Jonh Lennon
"Escrever uma canção é sentarmo-nos e abrir uma veia"
destas palavras
aqui escritas,


estas da foto queria ter sido eu a escrever
ao meu pai

Tough, you think you’ve got the stuff
You’re telling me and anyone
You’re hard enough

.
You don’t have to put up a fight
You don’t have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight
.

Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone
:
And it’s you when I look in the mirror
And it’s you when I don’t pick up the phone
Sometimes you can’t make it on your own

.
We fight all the time
You and I… that’s alrightWe’re the same sou
lI don’t need… I don’t need to hear you say
That if we weren’t so alikeYou’d like me a whole lot more

:
Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone
And it’s you when I look in the mirror
And it’s you when I don’t pick up the phone
Sometimes you can’t make it on your own

:
I know that we don’t talk
I’m sick of it all
Can - you - hear - me – when – I -Sing, you’re the reason i sing
You’re the reason why the opera is in me…
Where are we now?I’ve got to let you know
A house still doesn’t make a home
Don’t leave me here alone...

[...]




quinta-feira, agosto 11, 2005

Foz do Douro
taken by me
.
.
Será para este rio que ainda não encontrou o mar
que este seu "olhar" se perde?
:

.


taken by Gil Ferreira

segunda-feira, agosto 08, 2005

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PA & B

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dentro daquilo que tu sabes


sábado, julho 30, 2005


-------------------------------------
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali


A principio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes,
atravessaram o meu peito

se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca

floresceram comigo.
.
.
-------Vinícios de Moraes
:
:
:
:
Atrás dos meus medos se uniu
um fulgor de fuga e liberdade.
.
Sei-o porque assim aconteceu...
.
ou porque assim o ansiava ardentemente...

sexta-feira, julho 29, 2005

--- e de lá tanta água do tempo que aconteceu...
Lês em silêncio?----
*


taken by me
(a)olhar DE UM CAIS
:
:
.
O velho poeta
:
:
O seu desejo era que plantassem
um espinheiro numa nesga de
.
.
terra frente ao mar e ao rio
e que ele florisse nem
.
.
que fosse uma única vez.
Esse espinheiro protegê-lo-ia
.
.
mais do frio que um edredão.
A nesga de terra continua lá
.
.
e o mar e o rio e a manhã.
Só o espinheiro e o poeta
.
.
é que não.
:
:
_______Jorge de Sousa Braga

sábado, julho 23, 2005

Se os meus olhos te incomodam quando te olho de frente, não me importo de arrancá-los e amar-te cegamente



__Mário de Sá Carneiro

terça-feira, julho 19, 2005

maisnãoseiquegritaremsurdina
maisnãoseiquegritaremsurdina
maisnãoseiquegritaremsurdina

silêncio

domingo, julho 17, 2005

Há não sei quê de díspar em ti que me afecta os sentidos:
será o ler-te?
será o ouvir-te?
será o tocar-te?
será o provar-te?

Será que saberei algum dia?
Será que naquela hora soube então o que me aconteceria?
será que não existirá o fim?
taken by me
.
:
.
As Aves
:
Afluem às margens, jogam
como se a água lhes pertencesse,
pousam no meio dos arbustos
como se tivessem todo o tempo! No
entanto, sabem que as nuvens
vão encher o céu; e que o norte
irá enviar o vento frio que as
há-de arrastar para sul, deixando
atrás de si o silêncio
nos campos. Mas pouco lhes importa
isso, quando se juntam, e
cantam a efemeridade do
instante.

:
:
Nuno Júdice
:
:
:
:
"APENAS O VAZio que existe depois das coisas para nos fazer duvidar de que alguma vez EXISTIRAM."
.
José LuÍs Peixoto
in
Uma casa na escuridão

quarta-feira, julho 13, 2005

O silêncio pendura-se nas últimas palavras;
naquelas que só soubeste dizer enquanto esperavas
que o descanso te arrefesse,
nessa tua forma de estar não estando.
.
Prefiro o frio da palavras ao calor da ilusão...




...E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite
e responder.

.
:
Ruy Belo in Aquele grande rio Eufrates


segunda-feira, julho 11, 2005



taken by Téte. // clicar pra «VER»

.
.
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Destruímos sempre aquilo que mais amamos
em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os cobades destroem com um beijo,
os valentes, destroem com a espada.
.
.
Oscar Wilde, Balada do Cárcere de Reading

sábado, julho 09, 2005

M_____M
.
.

*há no teu silêncio um poente imenso
que me curva a quimera de o poder encontrar*

Maio,2003 Belém

.
:
:

taken by C.


Clicar pra «OUVIR»
.
.
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[ in Jazz,
as in other musics,
some things are of their time,
some ahead of it,
while others
simply know no time at all... ]

terça-feira, julho 05, 2005

[[[ontem o meu Porto vi-o assim:
altivo demais para mim ,que me senti
insignificante demais para o poder abraçar;
trouxe-o na lembrança...
e chega *
]]]


taken by me


Shakespeare podia ter vivido aqui.
Podia ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes humanas
que as inundam. Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.
Podia terensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que nunca terá nome
nem corpo. As almas, que empalidecem quando
o sol poente se reflecte nos vidros,

cantam bruscamente o verão: reflexo de um
reflexo, frutos que se deixam colher pela
memória, seres sem ser que não hão-de voltar
a nascer: Mas o que ele cantou, podia
tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são,
afinal, lugar nenhum para quem não habita
senão a própria voz: sonho de outra margem,
cantor perdido no labirinto das pontes. Perto
da foz, sem o saber; sonhando a nascente,
como se não fosse ele próprio a única fonte.



Nuno Júdice




foto cedida by Zé Luís
(Porto)














«««««peripécias acontecem sempre
e esta foi uma delas: ao querer fazer novo Post
este foi apagado, daí já nao conseguir
escrever o que escrevi, porque o momento
passou.
Fica somente o registo do poema
e a lembrança do que estava escrito e
que sei que foi lido pela pessoa a quem o dirigi»»»»»»«
(4 julho*um beijo neste dia que é teu)
:

.

.

Poema morto



Repara como as árvores mortas
se surpreendem aind apelo vento,
repara como as suas folhas decrépitas
ainda se movem por ele.
Assim sou eu, já sem luz,
mas a sentir ainda o vento
a marulhar-me as folhas,
assim sou eu, inerte,
mas a sentir por mim frémitos de vida...

Repara como as almas se ajeitam,
encolhidas e enroladas nos seus nichos,
repara como eu me altero,
entre hipérboles de palavras
que deixo perdidas e...
sem rima...

Vê como é tão difìcil sorver
do dia a luz completa

e bebê-la, enfiada que está
no seu canto, resguardada,
vê como, a pouco e pouco,
eu me deixo perder entre os teus dedos
e os dedos são já apenas fumo
longo e lento por mim
como a brevidade
de um poema já dito....
.
.
A. Malheiro

sábado, julho 02, 2005


adopt your own virtual pet!

« É sempre aconselhável
fugir da pretensa "linha editorial",
nem que seja para pôr um pouco
de sopro risonho neste meu espaço
demasiado sombrio...
por isso,brinquem aqui com o "bicho"
que ele agradece ehhehe »

segunda-feira, junho 27, 2005

Desculpa P. ter aproveitado a ideia que expusseste mas
eu "tinha" que colocar isto, hoje, aqui, agora...
Mexeu demais comigo, doeu...fez mossa.
.

.
A angúsita tem muitos dedos,
muitas mãos que nos prendem e nos presenteiam com sorrisos falsos.

«Francesca » [ver site]
conheceu um desses sorrisos da pior maneira possível:
através da morte.
Da morte provocada por ela mesma,
numa cidade: Roma..

mas podia ser outra qualquer
Num dia de Janeiro de 1981...
mas podia ser ter sido outro.
Foi ela a vítima...
mas podia não ser
Tinha 22 anos,
absorvia o mundo
atrás de uma máquina...
de uma máquina fotográfica

e deixou alguma dessa beleza
impressa em sais de prata.
Foram decerto gritos mudos
que ela soltou;
gritos que não foram compreendidos,
questionados;
gritos que só por si deviam abalar o mundo de quem os ouvisse,
mas parece que não foi isso que sucedeu.
QUEM É QUE "NÃO QUIS" que o seu mundo fosse abalado por eles?





Esta dor não passa quando adormeço / chora ao pé de mim / irremediável // alguém nos toca o ombro e / damos por nós mais sozinhos // o meu lugar na morte / é junto da janela / logo atrás de ti."
:

Mário Rui de Oliveira in "Bairro Judeu"

sábado, junho 18, 2005

taken by SombrArredia

:
:
:
:
Eu que me finjo,me fito,
me ultrapasso nas vestes
sem presa de as despir;das peles
que demoro a tirar para
que a dor chegue mais devagar,
mais sem jeito de gente para
que eu não a reconheça,
não a chame pelo nome,
não a...
Quando me soube já era tarde,
já nada dizia...ou,
se dizia,
já nada pensava,
de tanta escuridão e pó,
desgastada pelo esforço que,
ao não me consumir,
me atiçava.
Qualquer dia toco-me e já não me sinto aqui

quinta-feira, junho 16, 2005

taken by Teresa Parente
((um *bj p ti minhoca)) .

.

.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormisseem
tua sombra e loucura.
Não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo:olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa,descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principaim o mar e o mundo
.

:
:
:
Herberto Helder
in
"Ofício Cantante"



quarta-feira, junho 15, 2005

Qualquer poeta que tenha atravessado os túneis pode assinar a palavra «merda»
:
:

Herberto Helder in Photomaton & Vox


terça-feira, junho 14, 2005

Quando a saudade me grita demasiado alto
e os meus passos são inseguros para me meter a caminho,
venho

A q u i « [SITE] »
e esqueço que há um écran como divisória

segunda-feira, junho 13, 2005

A ti,POETA:por todas as palavras que ficaram no eco em mim,o meu profundo agradecimento.

................... (Eugénio de Andrade.1923_2005)
:
:
:

A poesia não vai
.
:

"A poesia não vai à missa
não obedece ao sino da paróquia;
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não;

caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão
que o chama.

Animal solitário, às vezes
irónicos,às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do verão."

quinta-feira, junho 09, 2005

a alguém mt especial *____M____*
quando acontecem dias como o de hoje e as palavras não pesam no decorrer destes anos que nos aconteceram

quarta-feira, junho 08, 2005

CORTOU OS PULSOS

DOR NAO SENTIU.


SOB O
JACTO FRIO
DA TORNEIRA

O FRIO
ANASTECIA BEM

E AQUELES
LONGOS INVERNOS EM QUE PASSEARA A ALMA


TINHAM SIDO DUROS À SOBREVIVÊNCIA.

DOR NÃO SENTIU.

SÓ QUE A IDEIA , DO FIM LOGO ALI


NUM ESPAÇO DE TANTO AZUL, SOBREVEIO

UMA FOME DE SOL E CORPO
QUENTE.

AMARROU OS BRAÇOS COM
PANOS

DE TEXTURAS CERRADAS

E CERROU OS DENTES.

PARA DAR MAIS TEMPO
AO TEMPO.

ATRAVESSOU A AREIA E DEITOU-SE
ALI,

QUENTE E VERMELHA, JUNTO AO MAR,



A MARÉ, CHEIA,

MAS CHEIA MESMO
LEVOU-A.

É QUE JÁ
NEM O MAR A PODIA
ATURAR.

.
:

Miuxa Carvalhal







domingo, junho 05, 2005


não é sobre a solidão,
pouco me importa quem me
desviou a palavra, é sobre
a tua ausência no lugar
íngreme da minha pele,por isso
cairei implume telhado abaixo
debulhada no coração

.
.
Valer Hugo Mãe
in
O retrato da minha alegria


@imagem original de João Barreto
@tratamento by me

.
.
.
.
a casa;
o telhado dentro da casa. O tecto
dentro de ti.
De ti toda essa voz, rouca tão depressa feita murmúrio, ou
num beijo de esquecer,o teu vulto, dobrado
sobre ti mesmo,
a toalha branca envolvendo-te o pescoço; o branco,
a cor da cal,da casa,
do tecto,
da incerteza. O apressar do dizer: “queres vir?”.
tudo cinematograficamente perfeito…
e no entanto arde

quarta-feira, junho 01, 2005

preencho o resto das palavras que me deste com o resto das palavras que me fizeste ser

taken by me




"(...)não percebo
dentro de momentos é cedo ainda para matar palavras
será sempre cedo nas moradas do meu silêncio?"
.
Al Berto in Doze moradas de silêncio 1978/78)

terça-feira, maio 31, 2005

encontro-me em todas de ti,as ruas,
remotas ilhas de presença ambígua;
camélias pendentes,
escombros
habitados por palavras
agri-doces ou acres, ou,
sonolentas,ou
sonhadoras...
o aperto de ambos,o deslizar das mãos.
.
.
o aperto,o corpo,o sexo,
o...
OndeTudoÉtaoDiferente




"Um dia li num livo: "viajar cura a melancolia".


«...»
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros
viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem. O olhar de
cada um, sobre as coisas do mundo é único, não se confunde com nenhum outro."
Al Berto



terça-feira, maio 24, 2005

abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos,
ou,do sinal do provir,
do relançar
para além...
há sempre a luz do "não" dito,
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,
só os fechamos quando o olhar nos trai


taken by me






:
Estarei ainda muito perto da luz?

Poderei esquecer
estes rostos,
estas vozes,e ficar diante do meu rosto?

Às vezes,como num sonho,
vejo formas como um rosto
e pergunto:"De quem é este rosto?
"E ainda:"Quem pergunta isto?"


"E:E com quem fala?"
Estarei ainda longe de Ti,
quem quer que sejas ou eu seja?
Cresce a noite à minha volta,

terei palavras para falar-Te?
E compreenderás Tu este
não sei qual de nós,que procura
a Tua face entre as sombras?

Quando eu me calar
sabei que estarei diante de uma coisa imensa.
E que esta é a minha voz,
o que no fundo de isto se escuta.
:
:
de Nenhum Sítio(1984)
António Manuel P ina




sábado, maio 21, 2005

taken by_me

(em volta de )

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(texto retirado p´la autora)

Só tenho uma ponta
de cigarro para fumar
E para apagá-la :
todo o mar
.
Jorge de Sousa Braga
" Sagres" 1987
:
:
:
:
:
:
:
:
Há sempre o que eu preciso tanto em ti
Cabo Mondego
(Fig.da Foz)


foto gentilmente cedida por «Mar Revolto»


sexta-feira, maio 13, 2005

à Rose
foram tantos os abraços
foram tantos os passos
foram tantas as ruas
foram tantas as amarguras
foram tantas as palavras
foram tantas as madrugadas
foram tantas as mãos
foram tantos os chãos
foram tantos os acordares
foram tantos os olhares
foram tantos os rios
foram tantos os frios
tantos os ecos
os toques
as pontes
...

quarta-feira, maio 11, 2005


by
------------> «Paulo Nozolino»



Far Cry

O fotógrafo português Paulo Nozolino expõe 83 fotografias de diferentes fases dos seus 30 anos de carreira. É a oportunidade de ficar a conhecer mais profundamente a obra de um dos fotógrafos nacionais mais conceituados. Até 10 de Julho no Museu de Serralves.
As suas fotografias, tiradas um pouco por todo o mundo, são testemunhos de lugares, pessoas, interiores e cenas urbanas. A sua imagem de marca: o preto e branco muito denso e escuro, onde é a luz que rasga a "escuridão" das suas criações.
(PUBLICO:Guia do Lazer)





sábado, maio 07, 2005

Aprender a amá-lo
Aprender
Aprender a amá-lo
Aprender sempre
Amá-lo sempre
Para sempre
Até sempre
Exaustivamente o sempre

.........................





Nunca o sempre







(foto da autora)





quarta-feira, maio 04, 2005

Exercício do olhar
taken by SombrArredia

(Prova de contacto em papel mate /
grão3 / Máquina PRATIKA MTL 5B)

Enegreci-te nos olhos


Enegreci-te nas mãos
Com o pó do sentir
Espesso
Dolente
Incapaz de se mover sem mais um sopro.

Há sempre
Um olhar humedecido que encontro para o teu negrume

Ou será para o meu?
Ou será para o “voyer” ali da mesa ao lado
Que mais não é
Do que a Certeza mitigando à Saudade
Um pouco de paz?

terça-feira, maio 03, 2005

taken by me
Cravo sangue


Cravo sangue
cor ambígua do pecado
tantas vezes em ti.


Cravo sangue
de dor a soar por mim.


E se eu não sorrir?
E se eu não quiser?
E se eu não vir onde está o fim?


Flor de sangues mascarada
desenho que espera um fim.


Flor de sangue descansada
repousa o teu braço enfim.


E se eu então fingir?
E se eu então fugir?
Resta a cor...
ou não será?


Maio 04

domingo, maio 01, 2005

Lua I

foto gentilmente cedida por Glauco Callia






Claridade dada pelo tempo







Deixa-me sentar numa nuvem
a mais alta

e dar pontapés na Lua que era como eu devia ter vivido
a vida toda
dar pontapés
até sentir um tal cansaço nas pernas
que elas pudessem voar

mas não é possível
que tenho tonturas e quando
olho para baixo
vejo sempre planícies muito brancas
intermináveis
povoadas por uma enorme quantidadede sombras
dá-me um cão ou uma bola
ou qualquer coisa que eu possa olhar
dá-me os teus braços exaustivamente longos
dá-me o sono que me pediste uma vez
e que transformaste apenas para
teu prazer
nos nossos encontros
e nos nossos dias perdidos e achados logo em
seguida
depois de terem passado
por uma ponte feita por nós dois
em qualquer sítio me serve
encontrar o teu cabelo
em qualquer lugar me bastam
os teus olhos

porque
sentado numa nuvem
na lua
ou em qualquer precipício
eu sei
que as minhas pernas
feitas pássaros
voam para ti
e as tonturas que a planície me dá
são feitas por nós
de propósito
para irritar aqueles que não sabem
subir e descer as montanhas geladas
são feitas por nós
para nunca nos esquecermos
da beleza dum corpo
cintilando fulgurantemente
para nunca nos esquecermos
do abraço que nos foi dado
por um braço desconhecido
nós sabemos
tu e eu
que depois de tudo
apenas existem os nossos corpos
rutilantes
até se perderem no
limite do olhar
dá-me um cigarro
mesmo que seja só um
já me basta
desde que seja dado por ti
mas não me leves
não me tires
as tonturas que eu teria
que eu terei
sempre que penso cá de cima
duma altura vertiginosa
onde a própria águia
nada mais é que um minúsculo
objecto perdido
onde a nuvem
mais alta de todas
se agasalha como um cão de caça
leva-me a recordação
apenas a recordação
da vida martelada
que em mim tem ficado
como herança dada há mil e
duzentos anos deixa que eu fique
muito afastado
silencioso
e únicono alto daquela nuvem
que escolhi
ainda antes de existir






Mário Henrique Leiria