segunda-feira, fevereiro 28, 2005

[será k Deus sinaliza essa tal pessoa errada com um chip ou algo do género?]
foto do filme___ "The Million Dollar Hotel"
de Wim Wenders


Pensando bem
em tudo que a gente vê ,e vivência
e ouve e sente
não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa
que se você for parar pra pensar
é, na verdade a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
faz tudo certinho
chega na hora certa
fala as coisas certas,
faz as coisas certas,
mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
fazer loucuras
perder a hora
morrer de amor.
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai-te fazer chorar
mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono
mas vai-te dar em troca umanoite de amor inesquecível.
Essa pessoa talvez te magoe
e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo o mundo
porque a vida não é certa
nada aqui é certo
o que é certo mesmo, é que temos que viver
cada momento
cada segundo
amando, sorrindo,chorando,emocionando,pensando, agindo,querendo, conseguindo
e só assim
é possível chegar àquele momento do dia
em que a gente diz "Graças à Deus deu tudo certo"
quando na verdade
tudo o que ele quer
é que a gente encontre a pessoa errada
pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito prá gente...
Luís F. Veríssimo




segunda-feira, fevereiro 21, 2005


[abre-me o dia]
[frente a frente com a grande janela]
[e sujeita-me à insensatez de não prescendir do que não é relevante]

Uma só coisa é necessária:
a solidão, a grande solidão interior.
Caminhar em si próprio e, durante horas,
não encontrar ninguém
- é a isto que é preciso chegar
Rilke

sábado, fevereiro 19, 2005

[um poema é tão somente uma gotícula que se desprende da nossa seiva e que teima em respirar no sopro de quem o lê]
Revoada
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana

Domingo

Domingo.
Acordar.
Entrar.
Contemplar.
Sentir.
Sair.
Respirar.
Sonhar.
Sorrir.
Partir.
Exposição no Silo NorteShopping
.Jorge Henriques.
TU
Com esse teu ar
de arcanjo negro
pálido e magro
triste e alheado
ficas por vezes quase etéreo
calado
enquanto eu te olho docemente
Num espanto condenado
quase místico
debruço-me secreta à tua beira
e numa espécie de prece
porque existes
alheado - magro
belo e triste
estou de joelhos,
meu amore
beijo-te
Mª Teresa Horta


do filme de Wim Wenders
"As asas do desejo"

domingo, fevereiro 13, 2005

Sem mais nada

.não me perguntes em que horizontes ando nem em que espaços me escondo.não me perguntes em que noite lunar ou em que manhã solar me refugio. aquilo que sou está demasiado esfumado para me acreditar ou para simplesmente me volver na realidade do macadame das ruas, que sonoras me alertam para o existir sem mais nada.
SEM MAIS NADA.
lembro-me das ruas que percorri e do grito que me lançavam.
lembro-me do brilho do som,do brilho do sorrir,do brilho do levantar voo,
mas
MAIS NADA.
nem dos pontos cardeais,nem dos traços a grafite grosso que risquei no meu mapa [das ruas que ia conquistando], nem de
NADA .

taken by Rose
seguindo pra Lx
[[[ Lembro-me da minha mão pousada sobre a tua e esse instante está debaixo da minha solidão.]]] ____________
______________
_________

J.Luís Peixoto

taken by sombrArredia
"Dá-me a tua mão desconhecida, que a vida está me doendo, e não sei como falar."
Clarice Lispector in "A paixão segundo G.H."

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Helena Almeida

Que me importa

amor

que seja dia

ou que seja noite iluminada.

Que me importa

amor

que seja a chuva

ou um novelo de paz a madrugada.

Que me importa

amor

que seja o vento

ou a flor o fogo mais aceso.

Que me importa

amor que seja a raiva.

Que me importa

amor

que seja o medo.

___________Maria Teresa Horta





domingo, fevereiro 06, 2005

taken by Rose
Porto 2003
E de repente, tudo se acaba
num repente toda a água sobre mim, e destrói
minha lúcida fortaleza de areia que,
encerrava o sonho de que te fiz.
Tudo se acaba, quando vem a noite
tudo se acaba...repito em vão...
o que gostaria que acontecesse à minha solidão
esta mágoa tão sombria que me deixa
assim desolado, da lágrima mais tardia
que mesmo tardia, desenterra meu passado.
E eu, aí de mim!que sou o mais singelo
o mais honesto,o mais austero
colecionador de lágrimas.
O mais perfeccionista e competente colecionador
de LÁ GRI MAS.
Ofício companheiro,ofício inseparável este
que caminha comigo pelas noites,dentro dos bares
nos ollhares dos estranhos, no reflexo das poças
nos teus olhos infinitos.
Teus olhos, vejo-os, na parede vazia
na cama desfeita, eu os sintos quando acordo
eu os imagino quando eu choro
eu te recordo ao ver teus óculos
esquecidos no criado mundo...
gentilmente cedido por _____Glauco Callia

Helena Almeida




Eu estava só naquela tarde e tu vieste
de dentro povoar-me de cidade o coração
prometido para o lugar
onde costumamos deixar as palavras
Tinham posto de novo fitas nas árvores
reuniram-se os corpos e as vozes
para todos sentirem
pontualmente a alegria
E tu pousaste então ó meu pássaro naquele coração
cingido no meio da cidade.



(Ruy Belo)






Helena Almeida





sábado, fevereiro 05, 2005

numa manhã em que não queria estar
me



Houve alguém que te conheceu . que te faz tremer ao passar . porque nunca a deixaste de a amar . continuas a ensaiar a conveniência do sorriso . o planear do improvisso que te faz sentir maior . no artificio dos teus gestos pensas abraçar o mundo quando nem por um segundo te abraças a ti mesmo. e assim vais vivendo e assim vais andando aí e assim vais perdendo em ti tudo aquilo que nunca foste...


Toranja in Adormecido

domingo, janeiro 30, 2005

Serigrafia sobre papel Craft 1997
by {sombrArredia}
[o desenho é o trabalho mais íntimo que se faz. somos só nós, um lápis,aguarelas,cores e o papel.está muito próximo,amamo-lo e mantemo-lo só para nós.náo queremos mostrá-lo. é diferene da poesia.]
@Rebecca Horn _______ Artista plástica
in Suplemento mIL Folhas / jornal Publico 29.01.05

quarta-feira, janeiro 26, 2005


taken by SombArredia





Sós
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós e ninguém nos conhece
(...)
Os astros não se explicam; arrefecem.
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se dentro se refracta,
nenhum ser se transmite.
Quem tenta o sofrimento sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o sofrimento sou eu e mais ninguém.
Quem estremece neste meu estremecimento sou eu só e mais ninguém.

Dão-se os lábios,dão-se os braços, dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mim; segredos dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, dão-se os dias, dão-se aflitivas esmolas;
(....)
dão-se os nervos, dá-se a vida, dá-se o sangue gota a gota, com uma braçada rota.
Dá-se tudo e nada fica.
(...)



António Gedeão

onde só em janeiro as há...


take by sombrArredia __dum alto duma cidade
[...]
e uma melancolia grave como um horizonte longínquo.
E um choro para dentro,estúpido e terno.
[...]
Vergílio Ferreira in "Pensar"

Passos inéditos que me foram empurrados
e só compreendidos no fim...
Segui o que tinha que seguir naquela manhã
e descobri que a luz e o som andam de mãos dadas
para extinguir o que não se viveu até hoje.
"O vento, esse zumbido interior perseguir-te-à sempre",
só tenho que o sincronizar entre o gesto e o acordar,
entre o olhar e o adormecer.
(mas
até lá
é provável que me perca novamente).

terça-feira, janeiro 25, 2005

quis escrever isto numa mão
à uns dias atrás...
Não o fiz
.....
vai a tempo ainda de o dizer :)

domingo, janeiro 23, 2005


"holofotes"_ take 2
take by {me}



novamente a mesma luz que seduz e cega
indomesticável
perene
e voluntariosa

"para um Palco"
taken by SombrArredia




o som quando é "visto" tem este aspecto.
o som

o perturbante som que quando não me é dirigido

me fere e me faz ajoelhar.








quinta-feira, janeiro 20, 2005


"Holofotes permissos" _ Take 1
Taken by {me}
.Quando nâo "temos luz"
tenta-se ir ao encontro dela
de qualquer jeito.
.Da melhor maneira que se nos depara no momento ...
nem que seja pra constatarmos que não reflectimos
qualquer pedaço de cintilação conhecida,
e que estamos baços
ou com "sujidade" no espelho da alma.
.E se esse encontro acontece e a luz nos encadeia,
então,
ficamos esmagados no chão e já dele não conseguimos sair.
Então espera-se pacientemente.
.Erguemos talvez então um pouco a cara p´ra respirar,
esticamos o corpo afim de que os outros percebam que estamos "ali"...
e que aquele espaço é nosso.
Sim.
É nosso.
.É nosso apesar de o ocuparmos de rastos,
porque só de rastos é que conseguimos permanecer
em dias de nódoas negras na alma.



sábado, janeiro 15, 2005

numa noite com medo de não conseguir
............................
"metásteses com água"
by SombrArredia
tinta de óleo sobre papel/tela
o medo vai ter tudo.Pernas.ambulâncias.e o luxo blindado.de alguns automóveis.Vai ter olhos onde ninguém o veja.mãozinhas cautelosas.enredos quase inocentes. ouvidos não só nas paredes.mas também no chão.no teto.no mumúrio dos esgotos e talvez até (cautela).ouvidos nos teus ouvidos.O medo vai ter tudo.Fantasmas na ópera.sessões contínuas de espiritismo.milagres.cortejos.frases corajosas.meninas exemplares.seguras de penhor.maliciosas casas de passe.conferências várias congressos muitos.óptimos empregos.poemas originais e poemas como este.projectos altamente porcos.heróis.(o medo vai ter heróis!).costureiras reais e irreais.operários (assim assim).escriturários.(muitos) talvez a minha.com certeza a deles.Vai ter capitais.países.suspeitas como toda a gente.muitíssimos amigos.beijos.namorados esverdeados.ardentes.amantes silenciosos.e angustiados.o medo vai ter tudo.tudo.e tenho medo.que é justamente. (o que o medo quer).O medo vai ter tudo.quase tudo.e cada um por seu caminho.havemos todos de chegar.quase todos.a ratos.
_________Alexandre O´Neiil in Poema pouco original do medo

_______-(cont. do Post de 12 Nov.) ________

taken by SombrArredia



movo-me
1 2 3 passos para a direita
descruzo os braços
conto os intervalos de tempo

descompassos no tempo
descompassos no teu tempo
descompassos no desespero do tempo

abro a única janela para o mundo que em ti existe
num acto selvático de te saber
permites-me?
ou sorris pela fresta da loucura?

precisava de um 3ª braço
para me segurar os meus outos dois
enquanto eu te descanso
e não esburaco o lacre que te remendei em mim

o que é mais terrível...?
saber-te longe
ou
perceber-te perto?

segunda-feira, janeiro 10, 2005

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domingo, janeiro 09, 2005

Encontrámo-nos por acaso.
Falámos da mesma poesia, da mesma música, do mesmo que nos move...
e apesar de estarmos separados por milhas de água, apesar de estarmos à espreita de um fuso horário que nos acerte o passo,
o mesmo desacerto com o Real, é-nos familiar, e a fuga ao mesmo também.
Esse "tira e põe" da máscara.
Esse subir e descer do palco.
Esse dar aos outros um Eu disfarçado.
Contas à parte, fica-nos caro...muito caro.
A factura de já quase nao conseguirmos viver sem essa "metáfora" é paga no instante em que caímos no absoluto de nós mesmos.
Depois é uma luta de gigantes o que se avizinha:
ou dou-me protegida;
ou dou-me como sou e estou.
Ambas opções doem.
Ambas dilaceram.
Ambas me dizem : "fizeste bem"






taken by SombrArredia


Sombras da Noite




Não vou escrever esta noite nem singularidades nem metafísica. É difícil muitas vezes chegar a conclusões vazias, e no final de tudo, quando o pano baixa, perceber que se fez o personagem certo na peça errada.O encerramento cénico, para não se dizer cínico é sempre precedido, por aplausos, ou por silêncio . Prefiro o silêncio.
Cai o pano, e eu continuo a encenar o teatro que acabou, faço o mesmo papel, e finjo estar bem com ele, e , todo dia ao acordar, visto a mesma máscara do dia anterior.
Depois da madrugada, sempre aparece a luz do dia, cumprimento as pessoas com meu falso interesse, "oi ,como vai?" e sempre com mais frequência nos dias que não quero saber de ninguém.
Um poeta disse que estamos sós com tudo o que amamos, mas eu acredito que é o que amamos que nos torna sós. Ilusões são feitas de pilares de areia e é uma questão de tempo, o intervalo entre cada onda para tudo desabar.
Na penumbra do quarto vejo a noite caminhar,compreendo que um coração nem tem nenhuma lógica e me revolto com a biofísica.Percebo que posso Ter um relógio de sombras tanto de dia quanto à noite, e pela madrugada vejo as sombras caminharem, mudam de lugar, como um jogo policromático, um estudo azul prata e breu, de algum pintor esquecido na imensidão.
Contas não pagas atordoam-me como as promessas não cumpridas, e percebo que é difícil encontar honestidade nos dias de hoje.O medo de se machucar tornou-se maior que o de machucar. O medo de amar tornou-se maior que o de tentar.
___________ by Glauco Callia
Amigo e Poeta :
Obrigada por me teres oferecido este texto e tantos outros que me fizeram companhia aqui em além -mar, (como um dia o teu punho me escreveu)
*
( promete-me que continuas na tua senda pessoal,prometes? )
*

sábado, janeiro 08, 2005

Madruga feita de baús dos outros...
tão próxima do meu báu que o abri sem o querer e o espreitei, e o remexi, e constatei que as coisas ainda se mantéem na mesma posição e na mesma ânsia inquieta e que isso nunca irá dissolver-se na corrosão do tempo.
Sorrir?

Basta sorrir?
Ou basta saber permanecer
e aprender a viver com o calor do tempo passado?



by SombrArredia




Não partas já.Fica até onde a noite se dobra.para o lado da cama eo silêncio recorta.as margens do tempo. É aí que os livros.começam devagar e as cores nos cegam.e as mãos fazem de norte viagem. Parte apenas.quando a manhã se ferir nos espelhos do quarto.em estilhaços de luz; e um feixe poeiras.rasgar as janelas como uma ave desabrida.Alguém murmurará o teu nome,vagamente,.como o gastar dos dedos na derradeira página.E então,sim,parte que outra história se.invente mais tarde,quando os pássaros gritarem.à primeira lua e os gatos se deitarem sobre.o muro,de olhos acessos,fingindo que perguntam.





_________Maria do Rosário Pedreira in "A casa e o cheiro dos livros"

quinta-feira, janeiro 06, 2005

domingo, janeiro 02, 2005


"O que uma barra branca provoca?"

técnica mista sobre papel Canson
by SombrArredia



[...]
felizmente, há os versos, último esconderijo da pureza.porque o destino são os versos e os pombos que cruzamo céu em círculos que sempre regressam.




__________José Luís Peixoto in "A criança em ruínas"

sábado, janeiro 01, 2005

Há uma cidade com um Café que tem desde hoje um espaço vazio,outrora ocupado por uma mesa.
Não refiro a que canto se encontrava a dita mesa, pois concerteza repararão ao entrar,numa especíe de luz de forma quadrangular derramada pelo chão.
É assim que ficam sinalizados os lugares onde se derramaram centenas de palavras escritas com o tinteiro da "loucura".
São lugares mágicos, povoados de sentimentos, à espera de serem novamente ocupados por alguém que os sinta e os explore e cuide deles novamente, tal como o último "inquilino" o fez.
A quem o ocupar, que o ame e o aconchegue, pois foi um lugar cativo de uma personagem...de uma bela personagem, que agora anda por essa cidade solta e uivante...
Até um dia...


taken by SombrArredia




e se me deixares ir até ao fundo da linha?
desembarcava no único traço que te conheço
ensinavas-me de olhos fechados a cor do orvalho que vês pela manhã
16.50
algures na linha do norte,
lugar à janela
lugar 76
carruagem 21