domingo, janeiro 30, 2005
quarta-feira, janeiro 26, 2005
taken by SombArredia
Sós
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós e ninguém nos conhece
(...)
Os astros não se explicam; arrefecem.
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se dentro se refracta,
nenhum ser se transmite.
Quem tenta o sofrimento sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o sofrimento sou eu e mais ninguém.
Quem estremece neste meu estremecimento sou eu só e mais ninguém.
Dão-se os lábios,dão-se os braços, dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mim; segredos dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, dão-se os dias, dão-se aflitivas esmolas;
(....)
dão-se os nervos, dá-se a vida, dá-se o sangue gota a gota, com uma braçada rota.
Dá-se tudo e nada fica.
(...)
António Gedeão
onde só em janeiro as há...
Passos inéditos que me foram empurrados
domingo, janeiro 23, 2005
quinta-feira, janeiro 20, 2005
quarta-feira, janeiro 19, 2005
sábado, janeiro 15, 2005
by SombrArredia
1 2 3 passos para a direita
descruzo os braços
conto os intervalos de tempo
descompassos no tempo
descompassos no teu tempo
descompassos no desespero do tempo
abro a única janela para o mundo que em ti existe
num acto selvático de te saber
permites-me?
ou sorris pela fresta da loucura?
precisava de um 3ª braço
para me segurar os meus outos dois
enquanto eu te descanso
e não esburaco o lacre que te remendei em mim
o que é mais terrível...?
saber-te longe
ou
perceber-te perto?
segunda-feira, janeiro 10, 2005
domingo, janeiro 09, 2005
ou dou-me protegida;
taken by SombrArredia
Sombras da Noite
*
sábado, janeiro 08, 2005
tão próxima do meu báu que o abri sem o querer e o espreitei, e o remexi, e constatei que as coisas ainda se mantéem na mesma posição e na mesma ânsia inquieta e que isso nunca irá dissolver-se na corrosão do tempo.
Sorrir?
Basta sorrir?
Ou basta saber permanecer
e aprender a viver com o calor do tempo passado?
by SombrArredia
Não partas já.Fica até onde a noite se dobra.para o lado da cama eo silêncio recorta.as margens do tempo. É aí que os livros.começam devagar e as cores nos cegam.e as mãos fazem de norte viagem. Parte apenas.quando a manhã se ferir nos espelhos do quarto.em estilhaços de luz; e um feixe poeiras.rasgar as janelas como uma ave desabrida.Alguém murmurará o teu nome,vagamente,.como o gastar dos dedos na derradeira página.E então,sim,parte que outra história se.invente mais tarde,quando os pássaros gritarem.à primeira lua e os gatos se deitarem sobre.o muro,de olhos acessos,fingindo que perguntam.
_________Maria do Rosário Pedreira in "A casa e o cheiro dos livros"
domingo, janeiro 02, 2005
sábado, janeiro 01, 2005
sexta-feira, dezembro 31, 2004
Pra estes próximos 365 dias que se aproximam...
domingo, dezembro 26, 2004
quinta-feira, dezembro 23, 2004
I TEASTE YOU
I BREATHE YOU
I SCAN YOU
I WAIT FOR YOU
I SEE YOU
I WALK IN
I CRY IN
.
.
.
taken by SombrArredia
´num Café em Coimbra
"Então sento-me à tua mesa.Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
Máscara"
desenho gentilmente cedido por Cris Alcântara
..... ........ ........ ......
Técnica mista sobre papel Canson
Miga...
pois é Cris,
a net tem destas coisas surpreendentes,não é "sósia"? :)...
Pensar que a culpa disto tudo é do "lindinho"...
rararaaarararararr
Obrigada por partilhares tantas madrugadas sem fusos ...,desafiadoras das nossas coerências artísticase mentais;
e por me mostrares os "traços" do Ferreira Gullar, Clarice Lispector, Carlos Bracher...and so on, and so on
Beijim e parabénsssss pelo teu dia :) :)
terça-feira, dezembro 21, 2004
As cores dos mares...
#Vergílio Ferreira
a que outros chamam seu
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse fui eu"
#António Gedeão
que eu me cumprisse como porfiei
e caísse de pe´, num desafio.
desaguar,
e, em largo oceano eternizar
o seu esplendor torrencial de rio"
num soluçar aflito e murmurado...
como neves nos píncaros nascidas!"
#Florbela Espanca
do mar que cantava só p´ra mim"
#Sophia Mello B. Andresen
quem não morreu no mar
calem-se os poetas
as curvas das ondas
e o dorso de um peixe ao luar
segunda-feira, dezembro 20, 2004
domingo, dezembro 19, 2004
aguarela e lápis de cera
Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verãonos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua
numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado
e à palma da tua mão...
(...)
Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidosque voltei a encontrar em ti...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...
...nela te pinto nua
Numa chama minha e tua
Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado
_______________________"A carta" @ Toranja
sexta-feira, dezembro 17, 2004
segunda-feira, dezembro 06, 2004
domingo, dezembro 05, 2004
e o silencio inacabável.
Detive-me como uma árvore
e ouvi falar as arvores.
________Juan Ramon Jimenez
Entre o jardim da árvore única
E a única árvore do jardim.
Serias obrigado
E nenhum facto
Travestido de consequência
Te faria voltar atrás.
sábado, dezembro 04, 2004
Há madrugadas em que se nao fizermos a vontade às palavras, elas ficam-nos a bailar o sono, batendo em surdina nos dedos...nas folhas.
(tok tok tok...ruído surdo e compassado.)
Obstruindo-nos os poros...dilacerando a carne.
Cuspindo-nos para o inferno de nós mesmos e tapando a saída.
......E tanto nos sopram que nos vencem.
E tiram-nos as meias mentiras e lançam-nos as verdades inteiras no hálito do papel
E elas lá ficam...a olhar para nós, com aqueles (A)s abertos e os ( O)s ainda mais assustadores....
São os nossos fantasmas que despertam e querem vida.
A vida que não lhes queremos dar por medo. Por medo de nós...
quarta-feira, dezembro 01, 2004
teste de parâmetros (fase laboratorial
da fotografia a preto e branco)
e HOJE foi uma noite difícil...
domingo, novembro 28, 2004
o meu Porto...





















