
photo by me @Serralves
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OS dias côncavos, os quartos alagados,as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os barços.E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites
corta pelo meio
entre os barços.E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites
corta pelo meio
o abraço da nossa morte.Os fulcros das caras
um pouco loucas
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta.E como estrelas
vida secreta.E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos deum para o outro
das trevas.
Herberto Helder
1 comentário:
Obrigada, amiga, por me apresentares a Herberto Helder...MARAVILHOSO
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