domingo, novembro 28, 2010

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photo by me (Porto)





PORQUE TODAS AS ÁRVORES TÊM O TEU OLHAR
.
.
De todas as manhãs
as melhores são as de sol
amarelo Van Gogh.








sexta-feira, novembro 26, 2010

# 42 Poemagem


photo by Adriana O.








[…]
Agora é a tua ausência que se ri de mim no silêncio da minha casa. Quando tu vivias, podias sempre voltar. Existias em suspenso sobre os dias em que nos afastávamos. Respiravas algures na mesma cidade. Encontrar-nos-íamos no acaso duma tarde, num recanto de jardim, diante de uma natureza morta da tua Josefa de Óbidos. Às vezes saía à tua procura nos bares que dantes frequentávamos. E voltava para casa com a certeza d que o céu estudaria a hora e a luz precisas desse encontro.
[…]


Inês Pedrosa,
in
Fazes-me falta

sábado, novembro 20, 2010

# 41 Poemagem

Photo by Ffgoatee



Gozo os campos sem reparar neles

Gozo os campos sem reparar para eles.
Perguntas-me por que os gozo.
Porque os gozo, respondo.
Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente
E ter uma noção do seu perfume nas nossas idéias mais apagadas.
Quando reparo, não gozo: vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo, que está entre a erva,
Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos
À dureza fresca da terra cheirosa e irregular;
E alguma cousa dos ruídos indistintos das cousas a existir,
E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas,
E só um resto de vida ouve.



Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos",
Obra Poética de Fernando Pessoa

quinta-feira, novembro 11, 2010

# 40 Poemagem



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photo by NunoG.









Antes do começo

Antes do nenúfar da origem

Antes da hélice dos tufões ciclópicos

Antes do escancarar da sombra a vazar-se

Antes do golpe de gongue no tímpano do dia

Antes da dança dos fosfenos no nada


Antes

Do inimaginável repouso da energia

No não figuradp o rarescente o denso

Na involução do Ser que não existe

No germe cujo nada é o princípio

Na semente cujo fruto é o nada

Ela dorme


Antes do começo

Antes do nenúfar da origem

Antes da hélice dos tufões ciclópicos

Antes do escancarar da sombra a vazar-se

Antes do golpe de gongue no tímpano do dia

Antes da dança dos fosfenos no nada


Antes

Do inimaginável repouso da energia

No não figurado o rarescente o denso

Na involução do Ser que não existe

No germe cujo nada é o princípio

Na semente cujo fruto é o nada

Ela dorme




Ernesto Sampaio
in
Fernanda

segunda-feira, novembro 08, 2010

# 39 Poemagem

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photo by Bjorn Terring





Esquece-te de Mim, Amor



Esquece-te de mim, Amor,
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa,
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez
termos chegado.




António Mega Ferreira,
in
Os Princípios do Fim