quinta-feira, agosto 19, 2010

# 27 Poemagem

poemagem
photo by Simon Wong








Magia


Às vezes parava o tempo
como um levita esquecido
na comunhão.
Parava-o, e ficava atento,
a ver a cor do milagre
a desmaiar-lhe na mão.

Era só erguer a pena
dum verso já começado,
dobrar a ponta da antena
no telhado.

Parava o tempo, e parava
o movimento de tudo;
o povo ficava mudo,
a beleza por cantar;
era um mundo que lembrava
um verso por acabar.


Miguel Torga

1 comentário:

Eu, Lu disse...

Bom seria pegar o tempo e aprisioná-lo ...Tornaria eternos os momentos mais felizes
bjssssssssssssssss