photo by Brigitte Heinsch
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Mas que sei eu
Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha
Ruy Belo,
in
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2 comentários:
Mim gosta disto.
São milhares os olhares que ignoramos que nos olham...E os nossos olhares são milhares e milhares de vezes ignorados...Não importa...importa olhar e sabermos que, em algum lugar, em algum momento, um olhar nos olha....
Bjssssssss com um olhar de muito carinho não ignorado
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