sábado, junho 26, 2010

# 19 Poemagem


photo by Brigitte Heinsch



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Mas que sei eu




Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha



Ruy Belo,
in
Todos os poemas

quarta-feira, junho 23, 2010

porto
taken by me _Porto


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Sob a máscara que nos mascara, há estilhaços da realidade que nos ferem

quinta-feira, junho 17, 2010

# 19 Poemagem

poema 19
photo by
Erik Wahlstrom





AS GRANDES PALAVRAS

(a Antonio Porchia)




ainda não é agora
agora é nunca
ainda não é agora
agora e sempre
é nunca




Alejandra Pizarnik
in
O Mel do Melhor

segunda-feira, junho 14, 2010

antiquario
taken by me_Porto



Basta de estrelas
e de nuvens
e de pássaros.
Falemos antes de gaiolas
que é tempo de conquistar o céu.
Ant. Ramos Rosa


quinta-feira, junho 10, 2010

Poemagem # 18

Photobucket
taken by Tina Crespo

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Mar





Ventos instáveis, gaivotas sobre
os molhes. A rebentação fixa-se
no ouvido. O som da água
nas fissuras da rocha, os gritos
que se perdem nas praias.



Barcos ancorados
na floresta



Nuno Júdice
in
Pedro lembrando Inês

quarta-feira, junho 09, 2010


taken by me _Porto

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"A poesia continua sempre presente:às vezes apenas num verso e ultimamente cada vez mais no silêncio"

Jorge de Sousa Braga

quinta-feira, junho 03, 2010

# 17 Poemagem

Photobucket
pohto by Bjorn Terring




Havia hoje, ao entardecer, loucos bandos de pássaros voando nos
céus da minha cidade. Iam para Sul, eu sei. E como entendo a sua
fuga!




Manuel Jorge Marmelo
in
O Porto : orgulho e ressentimento