terça-feira, outubro 23, 2007



Sabes quando as palavras nos acontecem?A caneta repara que há espaço ainda a seguir, mas não o vence.E o dedilhar no vazio.O espaço reparte e dá as ordens.A caneta vinga-se e repete a palavra anterior até surgir a vontade.Eu cedo.Faço a vontade ao papel;
deixo-o em branco.Crueza desleal entre o aparo e a folha.Abre-se caminho para a loucura, que não tarda a vencer.É tarde; é a hora do lobo.Amanhã também são horas de recomeçar a luta.Esqueço-me do apelo que me vibra no peito. Fecho o barulho da alma e finjo que nada se deu.Amanhã à mesma hora, deixarei sobre o papel a pálida palavra que teima em viver.Descobre-a;está lançado o repto...


3 comentários:

Letras de Babel disse...

com cuidado...
somos prisioneiros das palavras depois de as soltarmos...

Rose disse...

Foges-me; o corpo esguio que acontece nas folhagens da cidade; gritas e sou. O negro lento a romper. Amanhã já não estás; mas voltas. De novo a fugir.

Fatima disse...

Em otubro esteve debeixo dessa tenda, a colher palavras, truçe algumas comigo. Cheguei a casa e soltei-as, mas fugirao logo, voltarao pro livro