terça-feira, outubro 23, 2007



Sabes quando as palavras nos acontecem?A caneta repara que há espaço ainda a seguir, mas não o vence.E o dedilhar no vazio.O espaço reparte e dá as ordens.A caneta vinga-se e repete a palavra anterior até surgir a vontade.Eu cedo.Faço a vontade ao papel;
deixo-o em branco.Crueza desleal entre o aparo e a folha.Abre-se caminho para a loucura, que não tarda a vencer.É tarde; é a hora do lobo.Amanhã também são horas de recomeçar a luta.Esqueço-me do apelo que me vibra no peito. Fecho o barulho da alma e finjo que nada se deu.Amanhã à mesma hora, deixarei sobre o papel a pálida palavra que teima em viver.Descobre-a;está lançado o repto...