terça-feira, maio 29, 2007


*Foz*
photoshop sobre foto original de Clara

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Passo a passo, cãibra doce e perpétua.
Ganho corpo de estrada, vincada de sulcos,
de esgares, de solturas de gritos, de rubros....
A roupa que trazes e que eu queria segurar perpétuamente.
O hálito como que a procurar a cama;
o teu hálito como que a provocar o drama,
solto.
Solto-te mas receio que me perca;
perco-me mas receio que te encontre.
Descubro esta cidade que não se escreve
nem se deixa escrever,
nem se julga poeta, dissidente das palavras;
ainda que por exaustão se encarregue de as desenhar letra a letra.
Seguro o teu nome encaixilhado;
seco o teu nome,amanso-o,aliso-o...
Nada me consola.
Nada me separa desse ter-te resumidamente nos dedos.



6 comentários:

Anónimo disse...

Maravilhoso o teu poema.
Bem se sente que a inspiração veio com toda a força.
E ele nasceu pronto.
Obrigada por me conceder a primeira vista... é uma honra e uma felicidade.

Beijos da amiga
Maurette

blue kite disse...

Estou literalmente sem palavras! Nem dos outros e muito menos minhas.
Mas as tuas enchem tudo, dizem tudo, significam tudo.
Tudo o que nós sentimos e que não queremos deixar escorregar por entre os nossos dedos.

Aquele abraço

Rose_ disse...

Palavras para quÊ, quando a união é assim...
Deixo-te a surpresa, o largo nó da ternura.

Adriana Oliveira disse...

Lindo! E sim, tb era para ti...***

cristina disse...

Quando damos algo nosso,
fica lá com o outro.
É aí que somos do outro,
há a entrega
mas há também algo lá que é nosso!

maria disse...

"ter-te resumidamente nos dedos"