domingo, dezembro 30, 2007


Tela de Ivan Rabuzin
*ª*
+
Em cada partida uma pena
..............................................Em cada partida uma mão de aço
.......................................................................................................Em cada partida um dia no tempo
.................................Em cada partida o balanço de uma saudade ainda morna
.....
....
....

segunda-feira, dezembro 10, 2007

“O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos, tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e incertezas."
*
José Luís Peixoto

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.......HOJE EU SÓ QUERIA SER ALGO EM ALGO.................




segunda-feira, novembro 26, 2007

Eu imPORTO-me !
"Douro visto no Freixo"
+
+
"Deixo-me invadir por um doce torpo .Recosto-me na cadeira e fecho os olhos.Amo aquela gente, aquela cidade, aquele rio.Volto a abrir as cortinas das pestanas e acaricio uma vez mais o Porto, o Douro, os comboios a entrarem de mansinho na ponte...."

domingo, novembro 11, 2007

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras.
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas no próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem.
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantesde olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca.


Mário Cesariny
in
Pena Capital

terça-feira, outubro 23, 2007



Sabes quando as palavras nos acontecem?A caneta repara que há espaço ainda a seguir, mas não o vence.E o dedilhar no vazio.O espaço reparte e dá as ordens.A caneta vinga-se e repete a palavra anterior até surgir a vontade.Eu cedo.Faço a vontade ao papel;
deixo-o em branco.Crueza desleal entre o aparo e a folha.Abre-se caminho para a loucura, que não tarda a vencer.É tarde; é a hora do lobo.Amanhã também são horas de recomeçar a luta.Esqueço-me do apelo que me vibra no peito. Fecho o barulho da alma e finjo que nada se deu.Amanhã à mesma hora, deixarei sobre o papel a pálida palavra que teima em viver.Descobre-a;está lançado o repto...


sexta-feira, setembro 21, 2007

**************Faltaste-me em todos os dias
em que acordei***********************

por isso "exijo" de ti o agora******




***** (algures em Lx pelo meu olhar )


+


"Conheço as palavras pelo dorso. Outro, no meu lugar, diria que sou um domador de palavras.[...] Sim. Conheço as palavras. Tenho um vocabulário próprio. O que sofri, o que vim a saber com muito esforço fez inchar, rolar umas sobre as outras palavras. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar. São pesadas e caem. São o contrário dos pássaros, embora «pássaro» seja uma das minhas palavras[....]"

*

Ruy Belo
in
Homens de palavra(s)

segunda-feira, agosto 27, 2007

*

É tarde sentir-te - nos dedos a raspa ácida do limão.Consegues fazer-me 1 sorriso se entrares por aí e me ofereceres 1minuto da tua voz...30 segundos se for um murmúrio, 5 segundos se for um hálito.
Tu a fazeres-me sentir.Eu a fazer-te sentir.
"LEVA-ME CONTIGO E AJUDA-ME A FICAR" - esta é do A.Lobo Antunes e é para a recordares.
Resiste; resiste.Vá anda resiste-me!Suporta todas as minhas dores de silêncio.Quebra-te à tua pele.

quarta-feira, agosto 15, 2007


Foto de David Nebreda
ver aqui



" Uma intromissão que exige o álcool, que se põe,embebido em algodão, na ferida que reabriu para que de novo arda, palavras aflitas de uma conversa [..] E depois o regresso a casa com o corpo anestesiado,a música aos berros, a vontade de que tudo se desfaça no instante para o qual falta a coragem.Chegar a casa a agarrar a última garrafa e nas tuas fotografias até me virem os vómitos,as lágrimas,o ranho que expulse de mim o que guardo no mais fundo e me traz a vida vazia e inútil.Tenho tanto medo de encontrar que mesmo nunca te encontrando estás mais presente que todos os que vejo girar à minha volta."

*
Pedro Paixão
in Amor Portátil







domingo, agosto 05, 2007

Photoshop by me _ Porto
*
PRAÇA DOS LEÕES

*
Estou aqui à tua espera
num café na Praça dos Leões
Combinei um encontro contigo pelo telefone
prometeste que desta vez não faltarias
Estou aqui à tua espera
as mãos suadas a testa suada não sei como controlar a minha ansiedade
Tenho combinado inúmeros encontros contigo
através de bilhetes postais ramos de violetas bombardeiros apaixonados
amanhã à quatorze horas no hall de entrada do Grande Hotel do Universo
nas retretes nos jardins nas margens do rio Douro
Estou aqui à tua espera
Aliás desde que me conheço que não faço outra coisa
senão estar à tua espera
Disseram-me que tinhas o nome e o corpo duma mulher
que eras uma nuvem branca ou uma aurora boreal
Estou aqui à tua espera
Já passam algumas horas sobre a hora marcada
Hoje decerto que não vens
Mas eu continuarei à tua espera
Daqui a dois mil anos ainda aqui estarei à tua espera
No fundo eu sei que nunca te vou encontrar
Que tu
talvez estejas nisso mesmo:em nunca te encontrar!



Jorge de Sousa Braga


















quarta-feira, julho 25, 2007

quinta-feira, julho 05, 2007

Cinco dedos que mentem
Um ventre em aberto
A aspereza que arranha
A palavra que ama
A loucura de um verso

quarta-feira, junho 27, 2007

quinta-feira, junho 07, 2007

. taken by me in Casa da Música
"Não vás
E não
fui. Ainda que todo o dia, toda a vida, tivesse esperado aquele instante, único entre todos os instantes, ainda que tivesse imaginado o mundo ao pormenor depois da fronteira pequena daquele instante, não fui. Não vás. [...]"
+
José Luís Peixoto
*in
Nenhum olhar

terça-feira, maio 29, 2007


*Foz*
photoshop sobre foto original de Clara

+
*
Passo a passo, cãibra doce e perpétua.
Ganho corpo de estrada, vincada de sulcos,
de esgares, de solturas de gritos, de rubros....
A roupa que trazes e que eu queria segurar perpétuamente.
O hálito como que a procurar a cama;
o teu hálito como que a provocar o drama,
solto.
Solto-te mas receio que me perca;
perco-me mas receio que te encontre.
Descubro esta cidade que não se escreve
nem se deixa escrever,
nem se julga poeta, dissidente das palavras;
ainda que por exaustão se encarregue de as desenhar letra a letra.
Seguro o teu nome encaixilhado;
seco o teu nome,amanso-o,aliso-o...
Nada me consola.
Nada me separa desse ter-te resumidamente nos dedos.



sexta-feira, maio 18, 2007

"Fico parada a ver a luz.
Muitas vezes penso se gosto de viagens apenas para ver a luz do dia cair sobre lugares diferentes,lugares distantes.Gosto quando a luz nao me cobre a mim, porque não sou daqui, nem destas horas, nem desta forma de sofrer ou de celebrar por estes lugares."

`*
+

P. Miguel Martins
in
Contigo para um último dia




sábado, abril 21, 2007

"Esta cidade não é uma cidade
é um vício"
.................................................. .................. ... Porto

segunda-feira, abril 09, 2007





As cores das fachadas que estalam e não permanecem;

a realidade interposta de hálitos...



Há buracos no céu, e é só isso o quero deixar aqui hoje..

..

*





................photos by me and
..... .........
D

quinta-feira, março 29, 2007

o TEMPO REVESTIU-SE DE TI.
CRUEL A MADRUGADA QUE
DESPERTA, INERTE.
SOAM SOLUÇOS DESVAIRADOS
DE COMPASSOS.

"E se não posso ter-te aqui,
ter-te-ei além
.
onde os barcos navegam sem vento...
ainda que não te tenha nunca..."
.
.

Maria José Quintela

terça-feira, março 13, 2007


Há um prenúncio de morte, lá do fundo de onde eu venho, os antigos chamam-lhe renho, novos ricos são má sorte.É a pronúncia do Norte, os tontos chamam-lhe torpe.Hemisfério fraco outro forte, meio-dia não sejas triste, a bússula não sei se existe, e o plano talvez aborte.Nem guerra, bairro ou corte, é a pronúncia do Norte.Não tenho barqueiro nem hei-de remar, procuro caminhos novos para andar, tolheste os ramos onde pousavam da geada as pérolas as fontes secaram.Corre um rio para o mar e há um prenúncio de morte.E as teias que vidram nas janelas, esperam um barco parecido com elas, não tenho barqueiro nem hei-de remar, procuro caminhos novos para andar.E é a pronúncia do Norte, corre um rio para o mar.
*
GNR
*
photo by me( Porto)

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

«CaMInHO na RUA,no NORTE de qualquer cidade e não vou distraída com soluços»
«Viajo em inúteis círculos por dentro dos rastros da última caminhada»

*

*

* foto tirada daqui olhares.com
* textos de Lídia Martinez . "Um adeus perfeito"

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

"Beijo na livraria"






[..]


Tento escrever mas não consigo , tento lembrar mas não consigo ,tento discernir mas não consigo e percebo então que você é sem metafísica ,e sem metáforas propriamente a Poesia que eu não sei escrever !O sonho quenão paro de sonhar deitado ou acordado , com fome ou com sede , o quadroinacabado e o capitulo mais belo do Romance que não termina ...



[...]
*
* do texto #beijo na Livraria#__Glauco Callia
*
(obrigada Glauco**)


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

ManhãsOU TardesOUnoites
Técnica mista sobre
tinta da china e tinta serigráfica
-
-
--
"Ah, os poetas são decididamente afectados.Que raio de ideia esta de saber da primeira manhã?"
..... ....António Gancho....
_
.
-
OUamanheceresOU
simplesmenteOnadaOUsimplesmnete o de nao te compremeteresOdenãoOpinaresOUopinares porfavorOUdesimplesmente nao..

quinta-feira, janeiro 18, 2007

"...urgência de perdurar o sempre"

1.2.3.4.5.6.7.8.9.10.11.12.13.14.15.16.16.17.18.18.19.20.21.22.23.24.
25.26.26.27.28.28.29.30.31.32.33.34.35.36.37.38.39.40.
41.42.43.44.45.46.47.48.49.50.51.52.53.54.55.56
.57.58.59.60.61.62.63.64.65.66.67.68.69
.70.71.72.73.74.75.76.77.78.79.80.81.82.83.84.85.
86.87.88.89.90.91.9293.94.95.96.97.98.99.100.101.102.
103.104.105.106.107.108.109.110.111.112.113.114.115.
116.116.117.118.119.120.121.122.123.124.125.
125.16.127.128.129.130.131.131.
133.134.135.136.137.138.
139.140.141.142.143.144.145.146.147.148.149.150.151.152.153
.154.155.156.157.157.158.159.160.161.162.163.164.
165.166.167.168.169.170.171.172.173.174.175.176.177.78.
179.180.181.182.183.184.185.186.187.187.188.189.190.191
.192.193.194.195.196.197.198.199.200.201.202.
203.204.205.206.207.208.209.210.211.
212.213.214.215.216.217.218.219.220.221.222.223.224.
225.226.227.228.229.230.231.232.233.234.
235.236.237.238.239.240.241.242.243.244.245.246.247.
248.249.250.251.252.253.254.255.256.257.
257.258.259.260.261.262.263.264.265.266.267.268.
269.270.271.272.273.274.275.276.277.278.279.280-281.
282.283.294.285.286.287.288.289.
290.291.192.193.194.195.196.
197.298.299.300.301.302.303.304.305.305.306.307.308.
309.310.311.312.313.314.315.316.317.318.319.320.
321.322.323.324.325.326.327.328.329.330.331.332.333.
334.335.336.337.338.339.340.341.342.343.
344.345.346.347.348.349.350.351.352.353.354.355.356.
357.358.359.360.361.362.363.364.365

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A JAULA
Lá fora há sol.Não é mais que um solporém os homens olham-noe depois cantam.Eu não sei do sol.Eu sei a melodia do anjoe o sermão quentedo último vento.Sei gritar até de manhãquando a morte pousa nuana minha sombra.Eu choro debaixo do meu nome.Eu agito lenços na noite e barcos sedentos de realidadedançam comigo.Eu oculto cravospara escarnecer dos meus sonhos enfermos.Lá fora há sol.Eu visto-me de cinzas.
*
Alejandra Pizarnik. ver aqui
+
Nació en Buenos Aires, el 29 de Abril de 1936. Estudió filosofía y letras en la Universidad de Buenos Aires y, más tarde, pintura con Juan Batlle Planas.
El 25 de septiembre de 1972, mientras pasaba un fin de semana fuera de la clínica siquiátrica donde estaba internada, Pizarnik murió de una sobredosis intencional de seconal.