domingo, novembro 19, 2006

# eram folhas,o que resvalava do meu parapeito.tinham o teu nome em negrito? talvez.já as utilizei para embalar recordações; não as memórias, que para essas não há baús em sotck
"O silêncio (...) não somos gente a ouvi-lo, é ele a ouvir-nos a nós, esconde-se na nossa mão que se fecha, numa dobra de tecido, nas gavetas onde nada cabe salvo alfinetes, botões; pensamos "vou tirar o silêncio dali" e ao abrir as gavetas o outono no lugar do silêncio e (...)"

A. Lobo Antunes in Ontem não te vi em Bablónia

2 comentários:

blue kite disse...

ontem li umas declarações dele (ALA) em que dizia que se tivesse de escolher um escritor se escolhia a ele próprio...

Achei muito bem porque quem escreve como ele não deve ser modesto nem miserabilista como os portugueses em geral.

A. disse...

«Apetece-me chamar-te
mas não te sigo
é madrugada agora
e diluo-me de te não ter
Das janelas dos teus olhos
nasceu uma vela branca
e a tua língua
escorreu uma gaivota
Os teus braços
desfraldaram mares de espuma
e um medo azul
ancorou-me a este cais
onde acenas sem partir...

Amanheceu e eu já não sou»




Dedicado a A.L.Antunes
por C.R.Lopes.