quinta-feira, dezembro 21, 2006

O Silêncio confirmado

Veneza 06Photobucket - Video and Image Hosting
@@Taken by Rose

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"Silêncio.
Como se o momento em que alguém se preparasse para dizer uma palavra ficasse suspenso.Instantes a acumularem-se sobre esse tempo cada vez mais longo.A suspeita de que toda a eternidade existe dentro desse momento parado. E, se alguém deixasse cair uma pedra na profundidade desse silêncio, poderia esperar que passassem séculos, mas nunca iria ouvi-la tocar no chão e apenas ficaria livre no momento em que acreditasse que a pedra se tinha desfeito em tempo e em silêncio.

O número de mortos e o número de desaparecidos. Uma conversa que se ouve no autocarro enquanto se olha pela janela e não se consegue ver a paisagem que passa lá fora porque apenas se consegue ouvir aquela conversa de interjeições, de palavras inacabadas entre uma mulher e um homem.Milhares de crianças a fazerem as mesmas perguntas em todas as línguas do mundo.A hora certa marcada por apitos rectos, pedaços de rectas nos noticiários das estações de rádio.São catorze horas.São dezassere horas. São vinte horas em Portugal continental e no arquipélago da Madeira, menos uma nos Açores.O tom de voz dos políticos.Os comentários por telefone de pessoas que estão no outro lado do mundo.As imagens em movimentos na televisão.Um jornalista a dizer "uma história entre tantas outras".


E silêncio.Nem o movimento das ervas sob uma aragem.Nem, por exemplo, um olhar pela janela pousado na distância. Apenas uma cor opaca e constante.As formas nítidas e paradas de todos os objectoso.Finalmente nítidas no momento em que se tornam definitivas e inúteis .A solidão é feita de silêncio.As casas tinham tinham sido feitas de silêncio enão sabíamos.Alguém contou todos os segredos.Num momento sem palavras,alguém contou todos os segredos e ficou apenas o silêncio.
[...]
E silêncio. Como se os homens ou a terra fosem capazes de criar uma música que corresse dentro do silêncio, como vento invisível dentro do ar invisível.Nenhuma palavra e a ausência de cada palavra esculpida com silêncio.O significado daquilo que ninguém sabe dizer.Silêncio atirado de encontro às palavras .A distância inconcebível e insuportável entre nós e todos os outros.Pedras.Terra.Lama.E silêncio. Silêncio.Silêncio.
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José Luís Peixoto in { suplemento do D.N. }

quarta-feira, dezembro 06, 2006

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............................................. desistir .............................

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terça-feira, novembro 28, 2006


Foto de Bruno Espadana / tirada daqui
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YOU ARE WELCOME TO ELSINORE
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Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
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MÁRIO CESARINY (Lisboa, 1923)Pena capital (Assírio e Alvim)

domingo, novembro 19, 2006

# eram folhas,o que resvalava do meu parapeito.tinham o teu nome em negrito? talvez.já as utilizei para embalar recordações; não as memórias, que para essas não há baús em sotck
"O silêncio (...) não somos gente a ouvi-lo, é ele a ouvir-nos a nós, esconde-se na nossa mão que se fecha, numa dobra de tecido, nas gavetas onde nada cabe salvo alfinetes, botões; pensamos "vou tirar o silêncio dali" e ao abrir as gavetas o outono no lugar do silêncio e (...)"

A. Lobo Antunes in Ontem não te vi em Bablónia

quarta-feira, novembro 01, 2006




taken by me

Shakespeare podia ter vivido aqui.Podia
ter dançado na noite de S.João,quando o rio
transborda para as ruas nas correntes
humanas que as inundam.Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.Podia ter
ensinado, à beira do cais,que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que unca terá nome
nem corpo.
[...]
Nuno Júdice

sábado, outubro 21, 2006

À R...
( pelas "nudezes" partilhadas")

photo by Rose @ Porto

"O que é que se pode fazer com a pele quando esta não se faz de pele?"

Jordi Nadal in Tão perto de ti



quarta-feira, outubro 18, 2006

sábado, outubro 07, 2006





sOmOs o que resta de uma coisa antiga

# chego até ti com uma mão atrás , outra à frente, não sei que sou, este que te chega numa manhã, como todas as outras...

# não sei dizer-te porque te procuro, porquê a ti acima de todos os outros.Chama-lhe um apelo de sangue.

# um pé do lado de lá sem tirar o outro pé do lado de cá, eu numa ponte, capaz de de me segurar assim, com um rio de dúvidas por baixo, o rio onde me hei-de afogar, onde me vou de certeza afogar, quem aguenta assim este equilíbrio instável, o coração a jurar que aguenta.

# o coração pede um compasso de espera e se recusa a continuar sem saber por quem bate, o coração tem de saber por quem bate.

# e nunca deves confiar no coração e só podes confiarno coração.
Esse mesmo que te envena e te engana à mínima oportunidade, o teu coração que te empurra.

De repente.
No tempo de uma respiração
nunca sabes por onde!

...............

[ A mulher em Branco de Rodrigo G. de Carvalho]

sexta-feira, setembro 22, 2006



"De um momento para o outro pode entrar um pássaro que levante o céu."
Alexande O´Neill

segunda-feira, setembro 18, 2006



Para a S
by SombrArredia

[continunado o teu poema]


,,,sempre na exausta procura de uma sombra
que nos lembre que ali fomos
poema na boca de alguém

quinta-feira, setembro 07, 2006




«Não

entendi ,

mas
senti »
@ Caetano Veloso
....................................................Gaia entre tardes

sexta-feira, setembro 01, 2006

"E espero ao telefone que me digam se sou feliz, real, ou simplesmente uma espuma de cinza em muitas mãos."
António Franco Alexandre
in Quatro Caprichos

domingo, agosto 27, 2006

Coimbra numa esplanada


Escrever-te ou o desenhar letras , que é a mesma coisa
*
"Não que saiba escrever ou dizer o que quero"
ou que apenas abra funis no papel
pra dele escoar as lágrimas que me possam cair, ou imaginar longos passeios desbotados de frases já gastas e de adeus já mil vezes encenados.
Não sei o que busco, ou nem sei se busco até.Porventura ainda não haverá destinos a saldo naquele café tantas vezes visitado, onde sempre estiveste,porque nele vives, nem que seja só no meu pensamento.Há ainda o mesmo trilho percorrido horas a fio,com os olhos vendados, sem o tacto do nosso hálito a puxar-nos... e eu penso o que seria se...
Sim, o que seria se...

Vês.. ,(rsss)
continuo a escrever sem saber a razão,

"e não é porque saiba escrever ou dizer o que quero é"
é só porque sim"

frases a itálico de João do Nascimento

quinta-feira, agosto 17, 2006

Lisboa # metro Chiado

Os tempos do silêncio:


Alargar em sorrisos esgares impossíveis.
Rasurar lacunas do nosso passado.
Sonhar no acreditar.
Encher de água todas as lágrimas.
Entorná-las...

para sempre

sábado, agosto 05, 2006

O oiro da asa baixa O tempo calado no
arco dos olhos
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from: Asas e penas de Emanuel Jorge Botelho, Edições & etc
fotos by me : Arrábida

quarta-feira, julho 26, 2006

................... ..... "Os escritores barricam-se em histórias para não sofrer."

foto de A.M. @ 2006
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E se tudo que é contável se perdesse?
Viria em branco aqui e repousaria sem ter pressa nas vezes em que não ouço nada nem vejo?

segunda-feira, julho 17, 2006

Em branco...


"não te procurei porque procurar-te
me daria a exacta dimensão da tua ausência"
@ in Lisbon 06

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"mas talvez tu não saibas que não há um momento em que se tornam possíveis todas as impossibilidades"
+

Rodrigo G. de Carvalho _ A casa quieta

sexta-feira, julho 07, 2006

De:Alberto Serra
Hoje escrevo-te em papel timbrado por uma chão de ardósia.Entra por esta folha ensina-me a mudar a página dos teus olhos. Diz-me que o meu nome não é um borrão sobre os dias. Não preciso que me vejas basta que me encontres no berço das quimeras. Não necessito que me abraces num solo calcinado de promessas. Basta que leias no olhar enxuto do poema. Se o amor é uma rosa-dos-ventos basta que existas em todas as latitudes.
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in O aparo do demónio

terça-feira, julho 04, 2006

. . .. [private post]
À... S neste dia de hoje


.................................... .. ...k o livro tem o tamanho perfeito pra ser encostado ao peito?

sexta-feira, junho 30, 2006




pergunto se posso dizer o teu nome a uma flor
flor o teu nome sussurrado pétala a pétala
letra a letra uma flor desfolhada na terra.
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[José Luís Peixoto] @ "A criança em ruínas"





*
*

Hoje tentei ver-te,ou só ver-te a ti através de outros, ou de outros através de ti
e sei que, quando falas, todas as línguas se entrelaçam e dão o sabor que procuro, nos teus lábios,
pelos teus lábios, pelo teu hálito ou por ti acima.E de quando é a hora do recordar
tudo se torna patéticamente real como um olhar de pássaro a adoçar a presa.
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[ Lx mês de Junho ]

terça-feira, junho 20, 2006



......Não há tempo entre o medo e o desejo.
@
................ ........ Jorge de Sousa Braga in Imagens do Rio
[ fotos tiradas algures no Porto ]

terça-feira, junho 06, 2006

[ tão simples
como

não existir;
ou

simplesmente
o facto de
andar p´los
subterrâneos da alma ]

......
..
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chorar [0]
não chorar [1]






"Hoje não estou cá
.................. .............................morri para obras."



A. M.




terça-feira, maio 30, 2006

Sequences..




O amor

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é só
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um estremecimento de azul
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photos taken by me
@
[Excerto do poema "Perto do centro" de António Manuel Pina ]

segunda-feira, maio 15, 2006

Eternamente...


“...E de novo acredito que nada do que é importante se perde

verdadeiramente.

Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos
instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os
amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.

Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."


Miguel Sousa Tavares

#
...
ou o destrancar de velhas portas,
que sem dobradiças

não se quiseram fechar...

#

terça-feira, maio 09, 2006



#
... com a sombra se apagaram ________todas
as
-------------------------- velas;
SÓ ficou a tua
por ser
-------talvez
a que eu menos conhecesse



Eu sei que se tocasse
com a mão aquele canto do quadro
onde um amarelo arde me queimaria nele
ou teria manchado para sempre de delírio
a ponta dos dedos
*
Ferreira Gullar



taken by me
Porto

Quero uma vida em forma de areia nas minhas mãos
[...]
Quero uma vida em forma de ti
E tenho-a mas ainda não é bastante
Eu nunca estou contente.
Boris Vian

sábado, abril 29, 2006



Photos by me
*
Porto@p´las ruas

.
:
Só caminhndo bastante se chega bem perto...
[...]
Caminha-se e deixam-se para trás os corpos...

[...]

Caminha-se ainda, seguindo o rastro de lixo..
[...]

Caminha-se sempre e,à direita...
[...]

[...]
O que se vê SÃO DUAS MÃOS apenas...
[...]

Enfrenta-se devagar,sem presas...
[...]
.
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frases retiradas de
" O Porto: orgulho e ressentimento"
M. Jorge Marmelo


quarta-feira, abril 19, 2006



tenho.um. restolhar. de. asas. por. cumprir...e. um .pedaço. de. papel .para. vencer. se. a. mão. não. sair. dormente. do. desencanto.

terça-feira, abril 11, 2006








[...]
Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo
:
Daniel Filipe (ver)
exerto de
"A invenção do amor"



terça-feira, abril 04, 2006

Como uma ilha
Sózinha
Prende-me em ti
Agarra-me ao chão
Como barco em terra
Como fogo na mão

Como vou eu esquecer-te
Como vou eu perder-te
Se me prendes em ti.
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@photos by me
@excerto do poema de P. Abrunhosa "Como uma ilha"