quinta-feira, agosto 11, 2005

Foz do Douro
taken by me
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Será para este rio que ainda não encontrou o mar
que este seu "olhar" se perde?
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taken by Gil Ferreira

8 comentários:

Anónimo disse...

Um imagem...
Águas passadas que passaram e não passam mais...

...não se pode entrar duas vezes na mesma corrente do mesmo rio...


Uma PalavraSolta

Maria do Ceu disse...

Bonita reflexão, acompanhada de imagens à altura. Cumprimentos.

Sistermoonshine disse...

"[...]Sinto que respiram
Por entre as mãos
Os teus olhos de Anjo,
Como se fossem eternos,
Os teus olhos de Anjo,
Os teus olhos de Anjo."

P.Abrunhosa

Rita disse...

sim, constantemente..
bj

TMara disse...

o Anjo, da Irene Vilar perde-se na contemplação incessane. Bjs e ;)

moon between golden stars disse...

Segue-lhe a corrente... ela levar-te-á ao mar...

Um abraço

João Garcia Barreto disse...

"Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho,
Corre um rio sem fim."

Fernando Pessoa

Sabes que comecei a trabalhar após o tempo de universidade, mas asseguro-te que tenho lido e observado o que pousas, aqui, no teu espaço...

Joaquim Pinto da Silva disse...

O Progresso da Foz
Mensário e grupo cultural
Lavadouro da Ervilha
Rua Corte Real
4150-235 Porto



Ana Maria Costa,
Candidata pelo PS à Junta da Foz do Douro,
cara amiga,

Por questões de saúde não me foi possível enviar-lhe a tempo uma contribuição para a elaboração do seu programa. Enquanto director de um periódico, mesmo que sem publicação há um ano mas em teimosa espera de melhores dias, sempre entendi que se todo o cidadão, mesmo o não filiado deve contribuir com opinião crítica para a vida política e, por extensão, aos partidos, e, por dobradas razões, os partidos devem auscultar os cidadãos, afinal razão de ser e meta de toda a sua actividade, o que a minha amiga soube muito bem fazer nestes últimos tempos.

Queria no entanto testemunhar-lhe por escrito aquilo que penso nesta altura da situação cultural, social e política da Foz do Douro, melhor, da actuação do actual Executivo da Junta de Freguesia e respectiva Assembleia, dando-lhe de passagem liberdade para utilizar esta carta como bem entender , notando-lhe o carácter sumário e não exaustivo.

A Foz do Douro marca passo, numa conjuntura nacional que sabemos não ser boa, mas onde algo de diferente poderia ser feito, caso nesta terra tivéssemos dirigentes à altura, quer em competência, quer em cultura, quer em sensibilidade e humildade social e política.

No aspecto cultural a obra que deixam é nula. Limitam-se a manter, « nas suas poderosas mãos » a festividade tradicional do S. Bartolomeu, não lhe dando outro espaço e outra liberdade de se renovar e expandir. Estas festas que no passado brilhante foram organizadas por cidadãos com apoio da autarquia, são hoje manifestações de um poder cerrado, autocrático, de quem tudo quer tudo tem, em que funcionamento, regras, datas e tudo o mais estão ao serviço desse poder e dos homens e interesses que os regem. Valha-nos o esforço notável das associações que se desdobram para renovar e dar brilho a uma festa que gostam e querem manter, como foi o caso este ano.
A Feira de Artesanato sofre dos mesmos males, mas aqui a falta de clareza dos princípios de organização e a prepotência atingem níveis superiores, até porque os interesses envolvidos são mais consistentes. O poder de atribuir stands, negócios e primazias é absolutamente discricionário. O Executivo gere com mão de ferro esses interesses e arrasa quem se lhe opõe. Que o diga O Progresso da Foz, excluído desde há dois anos da Feira por motivos de fachada legalista : « que não tínhamos enviado a lista dos corpos gerentes » (o que nada tem a ver com a Feira e nunca nos tinha sido pedido até à altura… nem a nenhuma outra colectividade), o que sendo verdade, se passa com tantas outras associações e grupos que participam nesta e noutras actividades ligadas à Junta. Essa exclusão surgiu depois dos artigos críticos que publicámos a respeito da actividade, ou falta dela, deste Executivo, denunciando mesmo uma mentira, um aproveitamento público de matéria confidencial interna à administração pública e o abuso de posição política para tirar desforço político por parte do Presidente com a conivência de todo o Executivo.
Diria ainda que se deveria estudar a transferência desta feira do Jardim do Passeio Alegre para outro local, pois este para além de sair bastante maltratado após cada Feira, fica fechado durante um mês à fruição pública.
Noto ainda que, com dobradas razões, transferiria a Festa da Cerveja daquele jardim, até porque se trata de uma festa sem nível, ruidosa e que não serve a população da Foz, que dela foge pela confusão que provoca. Neste capítulo, gostaríamos ainda de conhecer as contrapartidas que a Foz e, sobretudo, o Executivo, dela recebem.
E mais não lhe posso dizer sobre actividade cultural, porque a não há. Em nome duma pretensa « cultura para o povo », esquecemo-nos que nesta terra há escritores como o António Rebordão Navarro, escultores como a Irene Vilar, arquitectos como o falecido Fernando Távora, e tantas outras pessoas, de valores e disciplinas diversas, que poderiam ser tema ou actores de uma actividade permanente e persistente que elevasse o nível cultural da Foz e das suas gentes. Mais uma vez, algumas associações e pessoas lá vão mantendo a luz da acção na escura apatia deste Executivo.

O património e o urbanismo são então uma das piores lacunas desta Junta. A nosso favor temos a conjuntura económica que não é favorável à construção a esmo, permitindo à Foz um respiro que há muito não tinha. No entanto, os perigos espreitam, sobretudo os de grandes empreendimentos de luxo a instaurar nas poucas quintas que nos sobram, a de Montebelo à cabeça. O Executivo que teve oportunidades várias de mobilizar a população para dizer basta no caso das Torres Altis, limitou-se a lembrar, como se disso não se fale há dezenas de anos, a classificação patrimonial da Foz Velha, esquecendo que política a sério faz-se com palavras e acções e não com declarações de intenções e de impotências. Veja-se a mudança para pior sofrida na Foz a nível da qualidade de vida no aspecto do trânsito e do estacionamento. Veja-se ainda que desde há muitos anos que não se vê nascer um jardim ou um arranjo nas ruas interiores da Foz, que reponha um certo viver calmo e facilite a boa vizinhança. O ataque cerrado que a Foz tem tido pelas construtoras e alguns privados, com cobertura das diversas Câmaras que se sucedem, já teria merecido uma estrutura permanente de cidadãos, apoiada e financiada pela autarquia, que quotidianamente desse combate mediático e jurídico a essa destruição do património e da nossa qualidade de vida e mais, que soubesse congregar cidadãos para a exercer as pressões necessárias sobra as instituições, como a lei permite e a democracia exige quando se tem razão.

E as praias ! Que vergonha é esta de termos as praias, que já foram as mais famosas do país, reduzidas a amontoados de areia sujos e geradores de doenças, inaptas para a prática dos banhos. Estas praias que alguns julgaram « só de ricos » são agora as « praias dos pobres », daqueles que, não podendo ir para o Algarve ou Punta Cana, tinham ali à mão de um bilhete de autocarro a possibilidade de banharem-se no mar. Mas não, a APDL, dona e senhora da frente marítima da cidade, de onde tira proveitos importantes, e a Câmara, com a cumplicidade deste Executivo, sabem que é mais fácil e mais rentável aprovar a extensão de uma esplanada por cima de areal exposto ao sol, que de tratar de uma vez por todos dos saneamentos públicos, redes de esgotos e estações de tratamento de águas necessárias para que as praias da Foz voltem a ser utilizáveis pela população. Este Executivo, repetimos, não gere nem as praias nem os saneamentos, mas pergunto-lhes : que faz um habitante duma casa quando se lhe rebenta um cano de água dos SMAS à porta de casa ? Ou quando a energia eléctrica deixa de lhe chegar ? Fala com os serviços apropriados, reclama, protesta e…, se for caso disso, vai até à barra dos tribunais. É isso que se pede a um órgão político eleito e que tem uma área geográfica de actuação, e não que ande a carpir mágoas, fazendo de conta que defende os nossos interesses. Mas, claro, reclamar, protestar, implica aborrecer « os amigos », perturbar interesses, desfazer apoios.

A sua actuação social pretensamente benéfica para a terceira idade, baseada em passeios, almoços e jantares e festividades, onde se gastam fortunas (para um orçamento de Junta, claro) tem iludido completamente um trabalho necessário de inventariação dos problemas, de ataque aos mais graves, dando um apoio sistemático e presencial a alguns dentre eles. A grande maioria dos beneficiados com aquelas actividades do Executivo, pessoas que nos merecem o maior respeito evidentemente, não são pessoas carenciadas, e, mais ainda, todos os que conheço têm-me confessado que prescindiam destas benesses em favor de apoios aos mais necessitados. A visão do Executivo é burocrática, fechada, nunca se esforçando por buscar apoio na sociedade, onde há forças e meios para a entreajuda e solidariedade.

Do ponto de vista do exercício do poder, ou seja, na prática política, este Executivo está longe, longe dos fozeiros. Vê-se apenas nas festas e… daqui a pouco, no período eleitoral. Visitar instituições e associações, congregar movimentos de pessoas, aproveitar as muitas e diversas personalidades que vivem na terra e, pura e simplesmente, facilitar a expressão das ideias ao cidadão, isso não querem, nem sabem como fazer. Abusa dos seus poderes utilizando todos os meios para denegrir os seus adversários, mesmo aqueles pagos pelo erário público. Chega mesmo a utilizar publicações de índole de lazer ou cultural para atacar as diferentes ideias que se lhe opõem, pior ainda, utiliza mesmo palcos de espectáculos públicos recreativos e culturais para o fazer também, palcos esses também saídos de investimentos públicos.
Publica-se mesmo a foto do Presidente do Executivo na publicidade às festas de Verão. Este mesquinho (e ridículo) aproveitamento, demonstra bem que a intenção é não largar o poder, aproveitando o que têm para servir o poder que se segue, que esperam seja deles outra vez, perpetuando-se num lugar que, nesta altura, já tem as suas vantagens económicas e outras.
O Executivo assume-se como o “grande e único organizador” de actividades, sobretudo as vistosas, as que saem nos jornais. Os tentáculos reforçam-se e estendem-se : os amigos são os ajudantes, quem colabora é premiado, os familiares são contratados. As contabilidades circulam – como é de lei, é certo ! – no edifício da Junta, mas a sua análise, na sua forma detalhada e clara, deveria ser pedida pelas oposições para divulgação pública.
Caminhamos rapidamente para a criação de um monstro – mais um ! -, institucional, sobretudo agora com um novo edifício, vistoso e bem situado, completamente desfasado da importância política de uma Junta de Freguesia. O Centro Cultural, de que a Foz tanto necessita e que foi parte do programa eleitoral do Executivo, passou para segundo plano, prevalecendo o interesse pessoal e de poder do Executivo, mascarado na urgência e imprescindibilidade de melhoria dos serviços administrativos da Junta (o que poderia ter sido feito de outra forma).

Cara Ana Maria,

A derrota deste Executivo nas próximas eleições será uma vitória para a Foz, isto mesmo sem antever o que vai ser o futuro consigo ou com outros. Evito-lhe para já, por aquele objectivo fundamental e também por cortesia, dizer-lhe o que penso acerca das « oposições » na Foz até hoje (a que nunca esteve ligada, eu sei). Acima de tudo, devo contribuir para que o actual Executivo caia nas próximas eleições, por tudo o que eu disse e pela própria sobrevivência de O Progresso, que apenas pode esperar mais perseguição política e pessoal. No entanto, o que pude ver no seu espírito crítico e de abertura a todos, mesmo aos que de si discordam, fazem-me crer que consigo a renovação política na Foz pode avançar e com isso restaurar na Foz um ambiente cívico e cultural mais avançado, mais tolerante e livre, próprio dos tempos e das tradições desta terra, onde nasci e que tanto amo.

Desejo-lhe coragem e boa sorte.
Com um abraço.

Tervuren, 19 de Setembro de 2005

Joaquim Pinto da Silva

Nota: Desde que viu o dia (I série, em 1978, e II, em 1994) que O Progresso da Foz se declarou como um jornal e grupo de defesa dos interesses locais, e assim o temos feito, pese embora o que isso nos custa em termos de sobrevivência e de paz quotidiana. Rigorosamente sem partido mas sempre tomando parte, tem sido o nosso lema e pretendemos continuar nesse caminho.