[[[ontem o meu Porto vi-o assim:
altivo demais para mim ,que me senti
insignificante demais para o poder abraçar;
trouxe-o na lembrança...
e chega * ]]]

taken by me
Shakespeare podia ter vivido aqui.
Podia ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes humanas
que as inundam. Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.
Podia terensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que nunca terá nome
nem corpo. As almas, que empalidecem quando
o sol poente se reflecte nos vidros,
cantam bruscamente o verão: reflexo de um
reflexo, frutos que se deixam colher pela
memória, seres sem ser que não hão-de voltar
a nascer: Mas o que ele cantou, podia
tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são,
afinal, lugar nenhum para quem não habita
senão a própria voz: sonho de outra margem,
cantor perdido no labirinto das pontes. Perto
da foz, sem o saber; sonhando a nascente,
como se não fosse ele próprio a única fonte.
Nuno Júdice
altivo demais para mim ,que me senti
insignificante demais para o poder abraçar;
trouxe-o na lembrança...
e chega * ]]]

taken by me
Shakespeare podia ter vivido aqui.
Podia ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes humanas
que as inundam. Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.
Podia terensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que nunca terá nome
nem corpo. As almas, que empalidecem quando
o sol poente se reflecte nos vidros,
cantam bruscamente o verão: reflexo de um
reflexo, frutos que se deixam colher pela
memória, seres sem ser que não hão-de voltar
a nascer: Mas o que ele cantou, podia
tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são,
afinal, lugar nenhum para quem não habita
senão a própria voz: sonho de outra margem,
cantor perdido no labirinto das pontes. Perto
da foz, sem o saber; sonhando a nascente,
como se não fosse ele próprio a única fonte.
Nuno Júdice

4 comentários:
lindo.. cidade onde gostaria de viver.. beijo
:-)
...tenho que lá ir. Vou mostrar o Porto (e Coimbra) à minha Flor.
bjos
E depois aqui, que surpresa, descubro o "meu" (tb teu agora) "lampião do Sebastião", que continua lá, (snif) escondido, num dos recantos daquela cidade. Ai, ai... suspiro (enooorme). Bjs pa ti.
Muito bela a foto cedida por Zé Luís...ai Porto , Porto..
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