sábado, julho 30, 2005


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Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali


A principio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes,
atravessaram o meu peito

se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca

floresceram comigo.
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-------Vinícios de Moraes
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:
:
Atrás dos meus medos se uniu
um fulgor de fuga e liberdade.
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Sei-o porque assim aconteceu...
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ou porque assim o ansiava ardentemente...

sexta-feira, julho 29, 2005

--- e de lá tanta água do tempo que aconteceu...
Lês em silêncio?----
*


taken by me
(a)olhar DE UM CAIS
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O velho poeta
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O seu desejo era que plantassem
um espinheiro numa nesga de
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terra frente ao mar e ao rio
e que ele florisse nem
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que fosse uma única vez.
Esse espinheiro protegê-lo-ia
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mais do frio que um edredão.
A nesga de terra continua lá
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e o mar e o rio e a manhã.
Só o espinheiro e o poeta
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é que não.
:
:
_______Jorge de Sousa Braga

sábado, julho 23, 2005

Se os meus olhos te incomodam quando te olho de frente, não me importo de arrancá-los e amar-te cegamente



__Mário de Sá Carneiro

terça-feira, julho 19, 2005

maisnãoseiquegritaremsurdina
maisnãoseiquegritaremsurdina
maisnãoseiquegritaremsurdina

silêncio

domingo, julho 17, 2005

Há não sei quê de díspar em ti que me afecta os sentidos:
será o ler-te?
será o ouvir-te?
será o tocar-te?
será o provar-te?

Será que saberei algum dia?
Será que naquela hora soube então o que me aconteceria?
será que não existirá o fim?
taken by me
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:
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As Aves
:
Afluem às margens, jogam
como se a água lhes pertencesse,
pousam no meio dos arbustos
como se tivessem todo o tempo! No
entanto, sabem que as nuvens
vão encher o céu; e que o norte
irá enviar o vento frio que as
há-de arrastar para sul, deixando
atrás de si o silêncio
nos campos. Mas pouco lhes importa
isso, quando se juntam, e
cantam a efemeridade do
instante.

:
:
Nuno Júdice
:
:
:
:
"APENAS O VAZio que existe depois das coisas para nos fazer duvidar de que alguma vez EXISTIRAM."
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José LuÍs Peixoto
in
Uma casa na escuridão

quarta-feira, julho 13, 2005

O silêncio pendura-se nas últimas palavras;
naquelas que só soubeste dizer enquanto esperavas
que o descanso te arrefesse,
nessa tua forma de estar não estando.
.
Prefiro o frio da palavras ao calor da ilusão...




...E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite
e responder.

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:
Ruy Belo in Aquele grande rio Eufrates


segunda-feira, julho 11, 2005



taken by Téte. // clicar pra «VER»

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Destruímos sempre aquilo que mais amamos
em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os cobades destroem com um beijo,
os valentes, destroem com a espada.
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Oscar Wilde, Balada do Cárcere de Reading

sábado, julho 09, 2005

M_____M
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*há no teu silêncio um poente imenso
que me curva a quimera de o poder encontrar*

Maio,2003 Belém

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:
:

taken by C.


Clicar pra «OUVIR»
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[ in Jazz,
as in other musics,
some things are of their time,
some ahead of it,
while others
simply know no time at all... ]

terça-feira, julho 05, 2005

[[[ontem o meu Porto vi-o assim:
altivo demais para mim ,que me senti
insignificante demais para o poder abraçar;
trouxe-o na lembrança...
e chega *
]]]


taken by me


Shakespeare podia ter vivido aqui.
Podia ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes humanas
que as inundam. Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.
Podia terensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que nunca terá nome
nem corpo. As almas, que empalidecem quando
o sol poente se reflecte nos vidros,

cantam bruscamente o verão: reflexo de um
reflexo, frutos que se deixam colher pela
memória, seres sem ser que não hão-de voltar
a nascer: Mas o que ele cantou, podia
tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são,
afinal, lugar nenhum para quem não habita
senão a própria voz: sonho de outra margem,
cantor perdido no labirinto das pontes. Perto
da foz, sem o saber; sonhando a nascente,
como se não fosse ele próprio a única fonte.



Nuno Júdice




foto cedida by Zé Luís
(Porto)














«««««peripécias acontecem sempre
e esta foi uma delas: ao querer fazer novo Post
este foi apagado, daí já nao conseguir
escrever o que escrevi, porque o momento
passou.
Fica somente o registo do poema
e a lembrança do que estava escrito e
que sei que foi lido pela pessoa a quem o dirigi»»»»»»«
(4 julho*um beijo neste dia que é teu)
:

.

.

Poema morto



Repara como as árvores mortas
se surpreendem aind apelo vento,
repara como as suas folhas decrépitas
ainda se movem por ele.
Assim sou eu, já sem luz,
mas a sentir ainda o vento
a marulhar-me as folhas,
assim sou eu, inerte,
mas a sentir por mim frémitos de vida...

Repara como as almas se ajeitam,
encolhidas e enroladas nos seus nichos,
repara como eu me altero,
entre hipérboles de palavras
que deixo perdidas e...
sem rima...

Vê como é tão difìcil sorver
do dia a luz completa

e bebê-la, enfiada que está
no seu canto, resguardada,
vê como, a pouco e pouco,
eu me deixo perder entre os teus dedos
e os dedos são já apenas fumo
longo e lento por mim
como a brevidade
de um poema já dito....
.
.
A. Malheiro

sábado, julho 02, 2005


adopt your own virtual pet!

« É sempre aconselhável
fugir da pretensa "linha editorial",
nem que seja para pôr um pouco
de sopro risonho neste meu espaço
demasiado sombrio...
por isso,brinquem aqui com o "bicho"
que ele agradece ehhehe »