segunda-feira, junho 27, 2005

Desculpa P. ter aproveitado a ideia que expusseste mas
eu "tinha" que colocar isto, hoje, aqui, agora...
Mexeu demais comigo, doeu...fez mossa.
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A angúsita tem muitos dedos,
muitas mãos que nos prendem e nos presenteiam com sorrisos falsos.

«Francesca » [ver site]
conheceu um desses sorrisos da pior maneira possível:
através da morte.
Da morte provocada por ela mesma,
numa cidade: Roma..

mas podia ser outra qualquer
Num dia de Janeiro de 1981...
mas podia ser ter sido outro.
Foi ela a vítima...
mas podia não ser
Tinha 22 anos,
absorvia o mundo
atrás de uma máquina...
de uma máquina fotográfica

e deixou alguma dessa beleza
impressa em sais de prata.
Foram decerto gritos mudos
que ela soltou;
gritos que não foram compreendidos,
questionados;
gritos que só por si deviam abalar o mundo de quem os ouvisse,
mas parece que não foi isso que sucedeu.
QUEM É QUE "NÃO QUIS" que o seu mundo fosse abalado por eles?





Esta dor não passa quando adormeço / chora ao pé de mim / irremediável // alguém nos toca o ombro e / damos por nós mais sozinhos // o meu lugar na morte / é junto da janela / logo atrás de ti."
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Mário Rui de Oliveira in "Bairro Judeu"

sábado, junho 18, 2005

taken by SombrArredia

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Eu que me finjo,me fito,
me ultrapasso nas vestes
sem presa de as despir;das peles
que demoro a tirar para
que a dor chegue mais devagar,
mais sem jeito de gente para
que eu não a reconheça,
não a chame pelo nome,
não a...
Quando me soube já era tarde,
já nada dizia...ou,
se dizia,
já nada pensava,
de tanta escuridão e pó,
desgastada pelo esforço que,
ao não me consumir,
me atiçava.
Qualquer dia toco-me e já não me sinto aqui

quinta-feira, junho 16, 2005

taken by Teresa Parente
((um *bj p ti minhoca)) .

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Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormisseem
tua sombra e loucura.
Não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo:olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa,descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principaim o mar e o mundo
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Herberto Helder
in
"Ofício Cantante"



quarta-feira, junho 15, 2005

Qualquer poeta que tenha atravessado os túneis pode assinar a palavra «merda»
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Herberto Helder in Photomaton & Vox


terça-feira, junho 14, 2005

Quando a saudade me grita demasiado alto
e os meus passos são inseguros para me meter a caminho,
venho

A q u i « [SITE] »
e esqueço que há um écran como divisória

segunda-feira, junho 13, 2005

A ti,POETA:por todas as palavras que ficaram no eco em mim,o meu profundo agradecimento.

................... (Eugénio de Andrade.1923_2005)
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A poesia não vai
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"A poesia não vai à missa
não obedece ao sino da paróquia;
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não;

caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão
que o chama.

Animal solitário, às vezes
irónicos,às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do verão."

quinta-feira, junho 09, 2005

a alguém mt especial *____M____*
quando acontecem dias como o de hoje e as palavras não pesam no decorrer destes anos que nos aconteceram

quarta-feira, junho 08, 2005

CORTOU OS PULSOS

DOR NAO SENTIU.


SOB O
JACTO FRIO
DA TORNEIRA

O FRIO
ANASTECIA BEM

E AQUELES
LONGOS INVERNOS EM QUE PASSEARA A ALMA


TINHAM SIDO DUROS À SOBREVIVÊNCIA.

DOR NÃO SENTIU.

SÓ QUE A IDEIA , DO FIM LOGO ALI


NUM ESPAÇO DE TANTO AZUL, SOBREVEIO

UMA FOME DE SOL E CORPO
QUENTE.

AMARROU OS BRAÇOS COM
PANOS

DE TEXTURAS CERRADAS

E CERROU OS DENTES.

PARA DAR MAIS TEMPO
AO TEMPO.

ATRAVESSOU A AREIA E DEITOU-SE
ALI,

QUENTE E VERMELHA, JUNTO AO MAR,



A MARÉ, CHEIA,

MAS CHEIA MESMO
LEVOU-A.

É QUE JÁ
NEM O MAR A PODIA
ATURAR.

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Miuxa Carvalhal







domingo, junho 05, 2005


não é sobre a solidão,
pouco me importa quem me
desviou a palavra, é sobre
a tua ausência no lugar
íngreme da minha pele,por isso
cairei implume telhado abaixo
debulhada no coração

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Valer Hugo Mãe
in
O retrato da minha alegria


@imagem original de João Barreto
@tratamento by me

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a casa;
o telhado dentro da casa. O tecto
dentro de ti.
De ti toda essa voz, rouca tão depressa feita murmúrio, ou
num beijo de esquecer,o teu vulto, dobrado
sobre ti mesmo,
a toalha branca envolvendo-te o pescoço; o branco,
a cor da cal,da casa,
do tecto,
da incerteza. O apressar do dizer: “queres vir?”.
tudo cinematograficamente perfeito…
e no entanto arde

quarta-feira, junho 01, 2005

preencho o resto das palavras que me deste com o resto das palavras que me fizeste ser

taken by me




"(...)não percebo
dentro de momentos é cedo ainda para matar palavras
será sempre cedo nas moradas do meu silêncio?"
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Al Berto in Doze moradas de silêncio 1978/78)