terça-feira, maio 31, 2005

encontro-me em todas de ti,as ruas,
remotas ilhas de presença ambígua;
camélias pendentes,
escombros
habitados por palavras
agri-doces ou acres, ou,
sonolentas,ou
sonhadoras...
o aperto de ambos,o deslizar das mãos.
.
.
o aperto,o corpo,o sexo,
o...
OndeTudoÉtaoDiferente




"Um dia li num livo: "viajar cura a melancolia".


«...»
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros
viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, vêem. O olhar de
cada um, sobre as coisas do mundo é único, não se confunde com nenhum outro."
Al Berto



terça-feira, maio 24, 2005

abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos,
ou,do sinal do provir,
do relançar
para além...
há sempre a luz do "não" dito,
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,
só os fechamos quando o olhar nos trai


taken by me






:
Estarei ainda muito perto da luz?

Poderei esquecer
estes rostos,
estas vozes,e ficar diante do meu rosto?

Às vezes,como num sonho,
vejo formas como um rosto
e pergunto:"De quem é este rosto?
"E ainda:"Quem pergunta isto?"


"E:E com quem fala?"
Estarei ainda longe de Ti,
quem quer que sejas ou eu seja?
Cresce a noite à minha volta,

terei palavras para falar-Te?
E compreenderás Tu este
não sei qual de nós,que procura
a Tua face entre as sombras?

Quando eu me calar
sabei que estarei diante de uma coisa imensa.
E que esta é a minha voz,
o que no fundo de isto se escuta.
:
:
de Nenhum Sítio(1984)
António Manuel P ina




sábado, maio 21, 2005

taken by_me

(em volta de )

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(texto retirado p´la autora)

Só tenho uma ponta
de cigarro para fumar
E para apagá-la :
todo o mar
.
Jorge de Sousa Braga
" Sagres" 1987
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Há sempre o que eu preciso tanto em ti
Cabo Mondego
(Fig.da Foz)


foto gentilmente cedida por «Mar Revolto»


sexta-feira, maio 13, 2005

à Rose
foram tantos os abraços
foram tantos os passos
foram tantas as ruas
foram tantas as amarguras
foram tantas as palavras
foram tantas as madrugadas
foram tantas as mãos
foram tantos os chãos
foram tantos os acordares
foram tantos os olhares
foram tantos os rios
foram tantos os frios
tantos os ecos
os toques
as pontes
...

quarta-feira, maio 11, 2005


by
------------> «Paulo Nozolino»



Far Cry

O fotógrafo português Paulo Nozolino expõe 83 fotografias de diferentes fases dos seus 30 anos de carreira. É a oportunidade de ficar a conhecer mais profundamente a obra de um dos fotógrafos nacionais mais conceituados. Até 10 de Julho no Museu de Serralves.
As suas fotografias, tiradas um pouco por todo o mundo, são testemunhos de lugares, pessoas, interiores e cenas urbanas. A sua imagem de marca: o preto e branco muito denso e escuro, onde é a luz que rasga a "escuridão" das suas criações.
(PUBLICO:Guia do Lazer)





sábado, maio 07, 2005

Aprender a amá-lo
Aprender
Aprender a amá-lo
Aprender sempre
Amá-lo sempre
Para sempre
Até sempre
Exaustivamente o sempre

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Nunca o sempre







(foto da autora)





quarta-feira, maio 04, 2005

Exercício do olhar
taken by SombrArredia

(Prova de contacto em papel mate /
grão3 / Máquina PRATIKA MTL 5B)

Enegreci-te nos olhos


Enegreci-te nas mãos
Com o pó do sentir
Espesso
Dolente
Incapaz de se mover sem mais um sopro.

Há sempre
Um olhar humedecido que encontro para o teu negrume

Ou será para o meu?
Ou será para o “voyer” ali da mesa ao lado
Que mais não é
Do que a Certeza mitigando à Saudade
Um pouco de paz?

terça-feira, maio 03, 2005

taken by me
Cravo sangue


Cravo sangue
cor ambígua do pecado
tantas vezes em ti.


Cravo sangue
de dor a soar por mim.


E se eu não sorrir?
E se eu não quiser?
E se eu não vir onde está o fim?


Flor de sangues mascarada
desenho que espera um fim.


Flor de sangue descansada
repousa o teu braço enfim.


E se eu então fingir?
E se eu então fugir?
Resta a cor...
ou não será?


Maio 04

domingo, maio 01, 2005

Lua I

foto gentilmente cedida por Glauco Callia






Claridade dada pelo tempo







Deixa-me sentar numa nuvem
a mais alta

e dar pontapés na Lua que era como eu devia ter vivido
a vida toda
dar pontapés
até sentir um tal cansaço nas pernas
que elas pudessem voar

mas não é possível
que tenho tonturas e quando
olho para baixo
vejo sempre planícies muito brancas
intermináveis
povoadas por uma enorme quantidadede sombras
dá-me um cão ou uma bola
ou qualquer coisa que eu possa olhar
dá-me os teus braços exaustivamente longos
dá-me o sono que me pediste uma vez
e que transformaste apenas para
teu prazer
nos nossos encontros
e nos nossos dias perdidos e achados logo em
seguida
depois de terem passado
por uma ponte feita por nós dois
em qualquer sítio me serve
encontrar o teu cabelo
em qualquer lugar me bastam
os teus olhos

porque
sentado numa nuvem
na lua
ou em qualquer precipício
eu sei
que as minhas pernas
feitas pássaros
voam para ti
e as tonturas que a planície me dá
são feitas por nós
de propósito
para irritar aqueles que não sabem
subir e descer as montanhas geladas
são feitas por nós
para nunca nos esquecermos
da beleza dum corpo
cintilando fulgurantemente
para nunca nos esquecermos
do abraço que nos foi dado
por um braço desconhecido
nós sabemos
tu e eu
que depois de tudo
apenas existem os nossos corpos
rutilantes
até se perderem no
limite do olhar
dá-me um cigarro
mesmo que seja só um
já me basta
desde que seja dado por ti
mas não me leves
não me tires
as tonturas que eu teria
que eu terei
sempre que penso cá de cima
duma altura vertiginosa
onde a própria águia
nada mais é que um minúsculo
objecto perdido
onde a nuvem
mais alta de todas
se agasalha como um cão de caça
leva-me a recordação
apenas a recordação
da vida martelada
que em mim tem ficado
como herança dada há mil e
duzentos anos deixa que eu fique
muito afastado
silencioso
e únicono alto daquela nuvem
que escolhi
ainda antes de existir






Mário Henrique Leiria