domingo, janeiro 09, 2005

Encontrámo-nos por acaso.
Falámos da mesma poesia, da mesma música, do mesmo que nos move...
e apesar de estarmos separados por milhas de água, apesar de estarmos à espreita de um fuso horário que nos acerte o passo,
o mesmo desacerto com o Real, é-nos familiar, e a fuga ao mesmo também.
Esse "tira e põe" da máscara.
Esse subir e descer do palco.
Esse dar aos outros um Eu disfarçado.
Contas à parte, fica-nos caro...muito caro.
A factura de já quase nao conseguirmos viver sem essa "metáfora" é paga no instante em que caímos no absoluto de nós mesmos.
Depois é uma luta de gigantes o que se avizinha:
ou dou-me protegida;
ou dou-me como sou e estou.
Ambas opções doem.
Ambas dilaceram.
Ambas me dizem : "fizeste bem"






taken by SombrArredia


Sombras da Noite




Não vou escrever esta noite nem singularidades nem metafísica. É difícil muitas vezes chegar a conclusões vazias, e no final de tudo, quando o pano baixa, perceber que se fez o personagem certo na peça errada.O encerramento cénico, para não se dizer cínico é sempre precedido, por aplausos, ou por silêncio . Prefiro o silêncio.
Cai o pano, e eu continuo a encenar o teatro que acabou, faço o mesmo papel, e finjo estar bem com ele, e , todo dia ao acordar, visto a mesma máscara do dia anterior.
Depois da madrugada, sempre aparece a luz do dia, cumprimento as pessoas com meu falso interesse, "oi ,como vai?" e sempre com mais frequência nos dias que não quero saber de ninguém.
Um poeta disse que estamos sós com tudo o que amamos, mas eu acredito que é o que amamos que nos torna sós. Ilusões são feitas de pilares de areia e é uma questão de tempo, o intervalo entre cada onda para tudo desabar.
Na penumbra do quarto vejo a noite caminhar,compreendo que um coração nem tem nenhuma lógica e me revolto com a biofísica.Percebo que posso Ter um relógio de sombras tanto de dia quanto à noite, e pela madrugada vejo as sombras caminharem, mudam de lugar, como um jogo policromático, um estudo azul prata e breu, de algum pintor esquecido na imensidão.
Contas não pagas atordoam-me como as promessas não cumpridas, e percebo que é difícil encontar honestidade nos dias de hoje.O medo de se machucar tornou-se maior que o de machucar. O medo de amar tornou-se maior que o de tentar.
___________ by Glauco Callia
Amigo e Poeta :
Obrigada por me teres oferecido este texto e tantos outros que me fizeram companhia aqui em além -mar, (como um dia o teu punho me escreveu)
*
( promete-me que continuas na tua senda pessoal,prometes? )
*

3 comentários:

Anónimo disse...

O vocalista dos "Legião Urbana", tem uma frase assim:
Quando não estas aqui, meu espirito se perde, sinto falta do teu corpo junto ao meu, meu coracao é tao pobre, nao sabe ainda dos problemas do mundo.quando não estas aqui sinto falta de mim mesmo, e meu coração voa longe.
Sempre precisei de um pouco de atenção,aho que não sei quem sou, só sei do que não gosto e nesses dias tão estranhos fica a poeira se escondendo pelos cantos, este é o nosso mundo , o que é demais, nunca é o bastante, e a primeira vez é sempre a ultima chance.

in Teatro dos Vampiros

* Glauco

paula. disse...

Bom dia!!! :D

Vim ver como a casinha estava a ficar! E relembrar à menina sombra q não seja arredia (rss hoje o dia promete ja tou a ver, ja começo logo demanhã com trocadilhos assim ehehehe) e que pergunte o q quiser sobre como ajeitar a supracitada a seu jeito...
(ai ai...e ainda são 9.32...isto começa bem hj :\ ...

;) beijos, o primeiro texto está belissimo ... o segundo quase a sua "sombra" :)

Paula Maria Sofia a própria (pronto ok, é oficial, nao estou bem lol).

Boa segunda!

Anónimo disse...

Eu só estou buscando meu amigo Glauco Callia. Por favor comunicate conmigo.

Siempre tu amiga, Cecilia
(Argentina)
cesu@infovia.com.ar