domingo, janeiro 30, 2005

Serigrafia sobre papel Craft 1997
by {sombrArredia}
[o desenho é o trabalho mais íntimo que se faz. somos só nós, um lápis,aguarelas,cores e o papel.está muito próximo,amamo-lo e mantemo-lo só para nós.náo queremos mostrá-lo. é diferene da poesia.]
@Rebecca Horn _______ Artista plástica
in Suplemento mIL Folhas / jornal Publico 29.01.05

quarta-feira, janeiro 26, 2005


taken by SombArredia





Sós
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós e ninguém nos conhece
(...)
Os astros não se explicam; arrefecem.
Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se dentro se refracta,
nenhum ser se transmite.
Quem tenta o sofrimento sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o sofrimento sou eu e mais ninguém.
Quem estremece neste meu estremecimento sou eu só e mais ninguém.

Dão-se os lábios,dão-se os braços, dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mim; segredos dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, dão-se os dias, dão-se aflitivas esmolas;
(....)
dão-se os nervos, dá-se a vida, dá-se o sangue gota a gota, com uma braçada rota.
Dá-se tudo e nada fica.
(...)



António Gedeão

onde só em janeiro as há...


take by sombrArredia __dum alto duma cidade
[...]
e uma melancolia grave como um horizonte longínquo.
E um choro para dentro,estúpido e terno.
[...]
Vergílio Ferreira in "Pensar"

Passos inéditos que me foram empurrados
e só compreendidos no fim...
Segui o que tinha que seguir naquela manhã
e descobri que a luz e o som andam de mãos dadas
para extinguir o que não se viveu até hoje.
"O vento, esse zumbido interior perseguir-te-à sempre",
só tenho que o sincronizar entre o gesto e o acordar,
entre o olhar e o adormecer.
(mas
até lá
é provável que me perca novamente).

terça-feira, janeiro 25, 2005

quis escrever isto numa mão
à uns dias atrás...
Não o fiz
.....
vai a tempo ainda de o dizer :)

domingo, janeiro 23, 2005


"holofotes"_ take 2
take by {me}



novamente a mesma luz que seduz e cega
indomesticável
perene
e voluntariosa

"para um Palco"
taken by SombrArredia




o som quando é "visto" tem este aspecto.
o som

o perturbante som que quando não me é dirigido

me fere e me faz ajoelhar.








quinta-feira, janeiro 20, 2005


"Holofotes permissos" _ Take 1
Taken by {me}
.Quando nâo "temos luz"
tenta-se ir ao encontro dela
de qualquer jeito.
.Da melhor maneira que se nos depara no momento ...
nem que seja pra constatarmos que não reflectimos
qualquer pedaço de cintilação conhecida,
e que estamos baços
ou com "sujidade" no espelho da alma.
.E se esse encontro acontece e a luz nos encadeia,
então,
ficamos esmagados no chão e já dele não conseguimos sair.
Então espera-se pacientemente.
.Erguemos talvez então um pouco a cara p´ra respirar,
esticamos o corpo afim de que os outros percebam que estamos "ali"...
e que aquele espaço é nosso.
Sim.
É nosso.
.É nosso apesar de o ocuparmos de rastos,
porque só de rastos é que conseguimos permanecer
em dias de nódoas negras na alma.



sábado, janeiro 15, 2005

numa noite com medo de não conseguir
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"metásteses com água"
by SombrArredia
tinta de óleo sobre papel/tela
o medo vai ter tudo.Pernas.ambulâncias.e o luxo blindado.de alguns automóveis.Vai ter olhos onde ninguém o veja.mãozinhas cautelosas.enredos quase inocentes. ouvidos não só nas paredes.mas também no chão.no teto.no mumúrio dos esgotos e talvez até (cautela).ouvidos nos teus ouvidos.O medo vai ter tudo.Fantasmas na ópera.sessões contínuas de espiritismo.milagres.cortejos.frases corajosas.meninas exemplares.seguras de penhor.maliciosas casas de passe.conferências várias congressos muitos.óptimos empregos.poemas originais e poemas como este.projectos altamente porcos.heróis.(o medo vai ter heróis!).costureiras reais e irreais.operários (assim assim).escriturários.(muitos) talvez a minha.com certeza a deles.Vai ter capitais.países.suspeitas como toda a gente.muitíssimos amigos.beijos.namorados esverdeados.ardentes.amantes silenciosos.e angustiados.o medo vai ter tudo.tudo.e tenho medo.que é justamente. (o que o medo quer).O medo vai ter tudo.quase tudo.e cada um por seu caminho.havemos todos de chegar.quase todos.a ratos.
_________Alexandre O´Neiil in Poema pouco original do medo

_______-(cont. do Post de 12 Nov.) ________

taken by SombrArredia



movo-me
1 2 3 passos para a direita
descruzo os braços
conto os intervalos de tempo

descompassos no tempo
descompassos no teu tempo
descompassos no desespero do tempo

abro a única janela para o mundo que em ti existe
num acto selvático de te saber
permites-me?
ou sorris pela fresta da loucura?

precisava de um 3ª braço
para me segurar os meus outos dois
enquanto eu te descanso
e não esburaco o lacre que te remendei em mim

o que é mais terrível...?
saber-te longe
ou
perceber-te perto?

segunda-feira, janeiro 10, 2005

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domingo, janeiro 09, 2005

Encontrámo-nos por acaso.
Falámos da mesma poesia, da mesma música, do mesmo que nos move...
e apesar de estarmos separados por milhas de água, apesar de estarmos à espreita de um fuso horário que nos acerte o passo,
o mesmo desacerto com o Real, é-nos familiar, e a fuga ao mesmo também.
Esse "tira e põe" da máscara.
Esse subir e descer do palco.
Esse dar aos outros um Eu disfarçado.
Contas à parte, fica-nos caro...muito caro.
A factura de já quase nao conseguirmos viver sem essa "metáfora" é paga no instante em que caímos no absoluto de nós mesmos.
Depois é uma luta de gigantes o que se avizinha:
ou dou-me protegida;
ou dou-me como sou e estou.
Ambas opções doem.
Ambas dilaceram.
Ambas me dizem : "fizeste bem"






taken by SombrArredia


Sombras da Noite




Não vou escrever esta noite nem singularidades nem metafísica. É difícil muitas vezes chegar a conclusões vazias, e no final de tudo, quando o pano baixa, perceber que se fez o personagem certo na peça errada.O encerramento cénico, para não se dizer cínico é sempre precedido, por aplausos, ou por silêncio . Prefiro o silêncio.
Cai o pano, e eu continuo a encenar o teatro que acabou, faço o mesmo papel, e finjo estar bem com ele, e , todo dia ao acordar, visto a mesma máscara do dia anterior.
Depois da madrugada, sempre aparece a luz do dia, cumprimento as pessoas com meu falso interesse, "oi ,como vai?" e sempre com mais frequência nos dias que não quero saber de ninguém.
Um poeta disse que estamos sós com tudo o que amamos, mas eu acredito que é o que amamos que nos torna sós. Ilusões são feitas de pilares de areia e é uma questão de tempo, o intervalo entre cada onda para tudo desabar.
Na penumbra do quarto vejo a noite caminhar,compreendo que um coração nem tem nenhuma lógica e me revolto com a biofísica.Percebo que posso Ter um relógio de sombras tanto de dia quanto à noite, e pela madrugada vejo as sombras caminharem, mudam de lugar, como um jogo policromático, um estudo azul prata e breu, de algum pintor esquecido na imensidão.
Contas não pagas atordoam-me como as promessas não cumpridas, e percebo que é difícil encontar honestidade nos dias de hoje.O medo de se machucar tornou-se maior que o de machucar. O medo de amar tornou-se maior que o de tentar.
___________ by Glauco Callia
Amigo e Poeta :
Obrigada por me teres oferecido este texto e tantos outros que me fizeram companhia aqui em além -mar, (como um dia o teu punho me escreveu)
*
( promete-me que continuas na tua senda pessoal,prometes? )
*

sábado, janeiro 08, 2005

Madruga feita de baús dos outros...
tão próxima do meu báu que o abri sem o querer e o espreitei, e o remexi, e constatei que as coisas ainda se mantéem na mesma posição e na mesma ânsia inquieta e que isso nunca irá dissolver-se na corrosão do tempo.
Sorrir?

Basta sorrir?
Ou basta saber permanecer
e aprender a viver com o calor do tempo passado?



by SombrArredia




Não partas já.Fica até onde a noite se dobra.para o lado da cama eo silêncio recorta.as margens do tempo. É aí que os livros.começam devagar e as cores nos cegam.e as mãos fazem de norte viagem. Parte apenas.quando a manhã se ferir nos espelhos do quarto.em estilhaços de luz; e um feixe poeiras.rasgar as janelas como uma ave desabrida.Alguém murmurará o teu nome,vagamente,.como o gastar dos dedos na derradeira página.E então,sim,parte que outra história se.invente mais tarde,quando os pássaros gritarem.à primeira lua e os gatos se deitarem sobre.o muro,de olhos acessos,fingindo que perguntam.





_________Maria do Rosário Pedreira in "A casa e o cheiro dos livros"

quinta-feira, janeiro 06, 2005

domingo, janeiro 02, 2005


"O que uma barra branca provoca?"

técnica mista sobre papel Canson
by SombrArredia



[...]
felizmente, há os versos, último esconderijo da pureza.porque o destino são os versos e os pombos que cruzamo céu em círculos que sempre regressam.




__________José Luís Peixoto in "A criança em ruínas"

sábado, janeiro 01, 2005

Há uma cidade com um Café que tem desde hoje um espaço vazio,outrora ocupado por uma mesa.
Não refiro a que canto se encontrava a dita mesa, pois concerteza repararão ao entrar,numa especíe de luz de forma quadrangular derramada pelo chão.
É assim que ficam sinalizados os lugares onde se derramaram centenas de palavras escritas com o tinteiro da "loucura".
São lugares mágicos, povoados de sentimentos, à espera de serem novamente ocupados por alguém que os sinta e os explore e cuide deles novamente, tal como o último "inquilino" o fez.
A quem o ocupar, que o ame e o aconchegue, pois foi um lugar cativo de uma personagem...de uma bela personagem, que agora anda por essa cidade solta e uivante...
Até um dia...


taken by SombrArredia




e se me deixares ir até ao fundo da linha?
desembarcava no único traço que te conheço
ensinavas-me de olhos fechados a cor do orvalho que vês pela manhã
16.50
algures na linha do norte,
lugar à janela
lugar 76
carruagem 21