terça-feira, dezembro 27, 2005

Apagou-se o. s o p r o;
o meu.
até quando...não sei...
pode ser até amanhã ou até daqui a muitos
até amanhãs...
.
Por isso aqui fica o meu
A t é .S e m p r e .*

sábado, dezembro 17, 2005

"
[antes da palavra]

hesito muito antes da palavra
porque um precipício se abre nela
e não tem sentido, vibra apenas.
porque pode ser a morte
ou o nascimento para um lugar
de cores e fadas e barcos de sol.
porque me doem as maõs
cada vez que tento segurar
o mundo em traços redondos quadrados.

(...)



."







Vasco Gato
in
Um Mover de Mão
.

.
#
Hoje queria não ter tantas palavras para te caracterizar

#
de tantas que me disseste e de todas que quis perder

quinta-feira, dezembro 08, 2005

(lembranças)

tinha o corpo repleto de marcas de água,e suor a escorrer-lhe pelas vagas do tempo.
- "quero acabar . . . quero acabar de mim"

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

(Era uma palavra a sair de um texto resoluto.)

segunda-feira, novembro 28, 2005

taken by me @ Pt
.


...e de repente todas as mãos se fecharam e todos os gritos cessaram na perfeição de um poema

sábado, novembro 19, 2005

A ti, Virgínia...
obrigada pelo que me fizeste
sonhar sem o saberes...
taken by Rose
Amesterdão





Aqueles dias
Aquelas horas
Ou só momentos
Ou só instantes...
.
Os já passados
Os já perdidos
[...]

.
.
M. Virgínia Monteiro
in
As cinzas e as brisas


sábado, novembro 12, 2005



Ah quantas máscaras e submáscaras,
Usamos nós no rosto da alma, e quando,
Por jogo apenas, ela tira a máscara,
Sabe que a última tirou enfim?
De máscaras não sabe a vera máscara,
E lá de dentro fita mascarada.
Que consiência seja que se afirme,
O aceite uso de afirmar-se a ensona.
Como criança que ante o espelho teme,
As nossas almas, crianças, distraídas,
Julgam ver outras nas caretas vistas
E um mundo inteiro na esquecida causa;
E, quando um pensamento desmascara,
Desmascarar não vai desmascarado.
-.
.
..
Fernando Pessoa, Poemas Ingleses

@ me
.
.



...dos tempos k foram
de máscara posta com mãos de poeta dorido;
era o medo de entrar que me fazia guerreira
ou o medo de nao sair
que me fazia permanecer. O quanto fugi,respirei sem querer...
o dia,
as horas,
o tudo que não conseguia mas que
queria sentir
porque só assim me sentia perto de ti.
quando...

quarta-feira, novembro 02, 2005




porque
há horas em que se perde o poema
e é quase nada, o voltar do verbo...



[segunda]
[terça]
[quarta]
[quinta]
[sexta]
[sábado]
[domingo]
.
,
.
.
.
(fotos by me # frases entre as fotos by A.M.)

quarta-feira, outubro 19, 2005


Coimbra@ taken by me
.
.

"São lágrimas por dentro,Tão doídas e fundas..."
.
Ana Luísa Amaral
.
.
.
....que já nem consigo pensá-las ou soletrá-las
ou esforçar-me para as secar.
É o conseguir viver com elas
sem que elas se façam sentir
muito incomodamente.

sábado, outubro 15, 2005


taken by me
@ Coimbra
.
.
basta de estrelas
e de nuvens
e de pássaros.
Falemos antes de gaiolas
que é tempo de conquistar o céu
.
.
António Ramos Rosa
.
.
.
(agora sou eu que peço um CHÃO...)

terça-feira, outubro 04, 2005

O som
de uma draga,
ao longe tira a areia do rio;
e não digas que não o ouves
que estás morta
ou que
não o finges.
É um som que embala
ou que espera a noite.
- as noites querem-se claras ou escuras?
OU SOU EU QUE TEM MEDO DAS NOITES?
de TODAS?Ou
só desta?
OU DE MIM? - é...
é da noite em mim
que tenho medo :
a noite do medo de mim.
Era tão
mais fácil
se fosse do ruído da noite...

domingo, setembro 25, 2005





À *

Apesar de os nossos caminhos já terem
andado mais paralelos do que até aqui
têm andado, sabemos sempre onde nos encontrar-mos.

quinta-feira, setembro 22, 2005

e de repente o mundo fechou-se
abriu-se o vento
perdeu-se a voz
e tu entraste
Cidades Unidas___________________
taken by me
.
.
Se fores pela direita
Olharei em redor
Se fores pela esquerda e descansares
Olharei em redor
.

O meu olhar há-de acompanhar-te
Como a poeira à volta dos teus pés
.

Se desceres à planície
E fizeres a tenda com o véu da mulher
Não desviarei o olhar
Não dividirei a túnica
.
Se fores pelo centro de ti mesmo
Tactearei
Abrirei a mão e estarás próximo
Basta respirares
E olharei em redor

:
.
Daniel Faria





sexta-feira, setembro 16, 2005


by «Francesca Woodman » [ver site]
:
:
hoje apetecia-me que alguém escandalosamente me dissesse
que está tudo bem;
que tudo vai correr bem...
que me mentisse escandalosamente bem...
mas que eu
escandalosamente acreditasse.

segunda-feira, setembro 12, 2005

tenho. medo.de.me. sentir .e. aperfeiçoar. a. palavra. silêncio. dentro. de. mim.



Olhar sobre Gaia



Ode à noite (inteira)
:
Gosto do momento, exacto ou nem por isso,
em que se torna possível colar cartazes
nas paredes ao lado dos meus ombros (espero
o autocarro, vejo devagar, sorrio). Mas
gosto, sobretudo, dos cães quase sem dono
que roçam as esquinas, pisando restos de garrafas
- ou das pessoas que desconheço.
:
:
Manuel de Freitas


domingo, setembro 11, 2005

"Wow. After I jumped, it ocurred to me. Life is perfect. Life is the best, full of magic, beauty, opportunity, and television. And surprises...lot's of surprises, yeah. And then there's the best stuff, of course. Better than anything anyone ever made up, 'cause it's real."




in The Million Dollar Hotel



sexta-feira, setembro 02, 2005




taken by me
CAIS DE GAIA


Atrás de meus olhos
dorme uma lagoa profunda
e o céu que trago na mente
meu vôo jamais alcança.
Há no meu corpo um incêndio
que queima sem esperança
a própria terra que piso
vira um abismo e me come.
[...]
.
.
Ferreira Gullar
.
.
.
E porque escolhi eu um poeta brasileiro?
Pelo simples facto de que me foi dado a conhecer
por uma amiga também ela da mesma pátria
do poeta (beijim bigalhão pra ti Cris e outro pró Pablo)
e porque com este post,
quero dar um abraço bem forte à Lili *

segunda-feira, agosto 29, 2005

Para o que quer que seja é preciso algo

taken by me @Porto
.
.
.
Para nunca mais mentir
.
.
para ver
para dar
para estar
para ter
para ir
pra sorrir
e entrar
para rir
pra voltar
a tentar
pra sentir
e mudar
pra voltar
a cair
para me levantar
para nunca
mais tentar
mentir
pra crescer
para amar
para ser
o lugar
pra viver
e gostar
de gostar
de viver
pra fugir
pra mostrar
pra dizer
pra ter paz
pra dormir
pra fingir acordar
para ser
derramar
para nunca
mais tentar
mentir
.
.
Ornatos Violeta

quinta-feira, agosto 25, 2005

when loves come to town
Alvalade 2005 @ U2
.
.
Alguém pode converter-se numa presença lancinante nas nossas vidas..
Quando alguém nos acontece, transfigura o próprio sentido da nossa existência.
[...]
O amor chega-nos com doçura, é doce.
Mas o perigo do amor é que traz consigo também a amargura.
A amargura é a presença do fim.
[...]
O amor é um animal selvagem que chega até nós em silêncio.
Aloja-se em nós e ocupa cada ponto do nosso corpo,mais,
toda a nossa vida. O seu poder de contaminação
é total. Basta um só olhar. O amor é esse conflito permanente
e completo : liberta e agarra, é doçura e amargura, refaz e desfaz,
ressuscita e adormece, faz-nos sonhar e confronta-nos com a realidade pura e dura,
dá à luz. Mas também tem o poder de nos matar.
No amor oscilamos entre tudo poder ser e nada poder ser,
a impossibilidade de tudo.
É este o amor, é esta a nossa vida:
.
:
Pedro Paixão in Ladrão de fogo

sexta-feira, agosto 19, 2005


taken by me
@Porto
.
.
.

Stay with the demons you drowned
Stay with the spirit i found
Stay and the night would be enought
:
@BonoVox

:
:
.
De noite tudo é transparente demais.
De noite tudo é lúcido demais.
De noite tudo é escandalosamente
.............
repetido até à exaustão
e esqueço-me que não vale a pena repetir a palavra FIM





quarta-feira, agosto 17, 2005

Há momentos, em que nem a voz dos outros, nos chega para aliviarmos o que balança no nosso peito.
Por agora resta-me recordar o que foi escrito certamente
com sangue em papel de cetim;pois como disse Jonh Lennon
"Escrever uma canção é sentarmo-nos e abrir uma veia"
destas palavras
aqui escritas,


estas da foto queria ter sido eu a escrever
ao meu pai

Tough, you think you’ve got the stuff
You’re telling me and anyone
You’re hard enough

.
You don’t have to put up a fight
You don’t have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight
.

Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone
:
And it’s you when I look in the mirror
And it’s you when I don’t pick up the phone
Sometimes you can’t make it on your own

.
We fight all the time
You and I… that’s alrightWe’re the same sou
lI don’t need… I don’t need to hear you say
That if we weren’t so alikeYou’d like me a whole lot more

:
Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone
And it’s you when I look in the mirror
And it’s you when I don’t pick up the phone
Sometimes you can’t make it on your own

:
I know that we don’t talk
I’m sick of it all
Can - you - hear - me – when – I -Sing, you’re the reason i sing
You’re the reason why the opera is in me…
Where are we now?I’ve got to let you know
A house still doesn’t make a home
Don’t leave me here alone...

[...]




quinta-feira, agosto 11, 2005

Foz do Douro
taken by me
.
.
Será para este rio que ainda não encontrou o mar
que este seu "olhar" se perde?
:

.


taken by Gil Ferreira

segunda-feira, agosto 08, 2005

_______________________________________
_______________________________________
_______________________________________


PA & B

________________________________________
________________________________________
________________________________________

dentro daquilo que tu sabes


sábado, julho 30, 2005


-------------------------------------
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali


A principio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes,
atravessaram o meu peito

se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca

floresceram comigo.
.
.
-------Vinícios de Moraes
:
:
:
:
Atrás dos meus medos se uniu
um fulgor de fuga e liberdade.
.
Sei-o porque assim aconteceu...
.
ou porque assim o ansiava ardentemente...

sexta-feira, julho 29, 2005

--- e de lá tanta água do tempo que aconteceu...
Lês em silêncio?----
*


taken by me
(a)olhar DE UM CAIS
:
:
.
O velho poeta
:
:
O seu desejo era que plantassem
um espinheiro numa nesga de
.
.
terra frente ao mar e ao rio
e que ele florisse nem
.
.
que fosse uma única vez.
Esse espinheiro protegê-lo-ia
.
.
mais do frio que um edredão.
A nesga de terra continua lá
.
.
e o mar e o rio e a manhã.
Só o espinheiro e o poeta
.
.
é que não.
:
:
_______Jorge de Sousa Braga

sábado, julho 23, 2005

Se os meus olhos te incomodam quando te olho de frente, não me importo de arrancá-los e amar-te cegamente



__Mário de Sá Carneiro

terça-feira, julho 19, 2005

maisnãoseiquegritaremsurdina
maisnãoseiquegritaremsurdina
maisnãoseiquegritaremsurdina

silêncio

domingo, julho 17, 2005

Há não sei quê de díspar em ti que me afecta os sentidos:
será o ler-te?
será o ouvir-te?
será o tocar-te?
será o provar-te?

Será que saberei algum dia?
Será que naquela hora soube então o que me aconteceria?
será que não existirá o fim?
taken by me
.
:
.
As Aves
:
Afluem às margens, jogam
como se a água lhes pertencesse,
pousam no meio dos arbustos
como se tivessem todo o tempo! No
entanto, sabem que as nuvens
vão encher o céu; e que o norte
irá enviar o vento frio que as
há-de arrastar para sul, deixando
atrás de si o silêncio
nos campos. Mas pouco lhes importa
isso, quando se juntam, e
cantam a efemeridade do
instante.

:
:
Nuno Júdice
:
:
:
:
"APENAS O VAZio que existe depois das coisas para nos fazer duvidar de que alguma vez EXISTIRAM."
.
José LuÍs Peixoto
in
Uma casa na escuridão

quarta-feira, julho 13, 2005

O silêncio pendura-se nas últimas palavras;
naquelas que só soubeste dizer enquanto esperavas
que o descanso te arrefesse,
nessa tua forma de estar não estando.
.
Prefiro o frio da palavras ao calor da ilusão...




...E ouve-se o silêncio descer pelas vertentes da tarde
chegar à boca da noite
e responder.

.
:
Ruy Belo in Aquele grande rio Eufrates


segunda-feira, julho 11, 2005



taken by Téte. // clicar pra «VER»

.
.
.
Destruímos sempre aquilo que mais amamos
em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os cobades destroem com um beijo,
os valentes, destroem com a espada.
.
.
Oscar Wilde, Balada do Cárcere de Reading

sábado, julho 09, 2005

M_____M
.
.

*há no teu silêncio um poente imenso
que me curva a quimera de o poder encontrar*

Maio,2003 Belém

.
:
:

taken by C.


Clicar pra «OUVIR»
.
.
.
[ in Jazz,
as in other musics,
some things are of their time,
some ahead of it,
while others
simply know no time at all... ]

terça-feira, julho 05, 2005

[[[ontem o meu Porto vi-o assim:
altivo demais para mim ,que me senti
insignificante demais para o poder abraçar;
trouxe-o na lembrança...
e chega *
]]]


taken by me


Shakespeare podia ter vivido aqui.
Podia ter dançado na noite de S. João, quando o rio
transborda para as ruas nas correntes humanas
que as inundam. Podia ter escrito
nos invernos de ausência o que a noite
ensina sobre a privação.
Podia terensinado, à beira do cais, que o tempo lascivo
corre como a água, levando o que não há-de
voltar e trazendo o que nunca terá nome
nem corpo. As almas, que empalidecem quando
o sol poente se reflecte nos vidros,

cantam bruscamente o verão: reflexo de um
reflexo, frutos que se deixam colher pela
memória, seres sem ser que não hão-de voltar
a nascer: Mas o que ele cantou, podia
tê-lo cantado aqui. Todos os lugares são,
afinal, lugar nenhum para quem não habita
senão a própria voz: sonho de outra margem,
cantor perdido no labirinto das pontes. Perto
da foz, sem o saber; sonhando a nascente,
como se não fosse ele próprio a única fonte.



Nuno Júdice




foto cedida by Zé Luís
(Porto)














«««««peripécias acontecem sempre
e esta foi uma delas: ao querer fazer novo Post
este foi apagado, daí já nao conseguir
escrever o que escrevi, porque o momento
passou.
Fica somente o registo do poema
e a lembrança do que estava escrito e
que sei que foi lido pela pessoa a quem o dirigi»»»»»»«
(4 julho*um beijo neste dia que é teu)
:

.

.

Poema morto



Repara como as árvores mortas
se surpreendem aind apelo vento,
repara como as suas folhas decrépitas
ainda se movem por ele.
Assim sou eu, já sem luz,
mas a sentir ainda o vento
a marulhar-me as folhas,
assim sou eu, inerte,
mas a sentir por mim frémitos de vida...

Repara como as almas se ajeitam,
encolhidas e enroladas nos seus nichos,
repara como eu me altero,
entre hipérboles de palavras
que deixo perdidas e...
sem rima...

Vê como é tão difìcil sorver
do dia a luz completa

e bebê-la, enfiada que está
no seu canto, resguardada,
vê como, a pouco e pouco,
eu me deixo perder entre os teus dedos
e os dedos são já apenas fumo
longo e lento por mim
como a brevidade
de um poema já dito....
.
.
A. Malheiro

sábado, julho 02, 2005


adopt your own virtual pet!

« É sempre aconselhável
fugir da pretensa "linha editorial",
nem que seja para pôr um pouco
de sopro risonho neste meu espaço
demasiado sombrio...
por isso,brinquem aqui com o "bicho"
que ele agradece ehhehe »

segunda-feira, junho 27, 2005

Desculpa P. ter aproveitado a ideia que expusseste mas
eu "tinha" que colocar isto, hoje, aqui, agora...
Mexeu demais comigo, doeu...fez mossa.
.

.
A angúsita tem muitos dedos,
muitas mãos que nos prendem e nos presenteiam com sorrisos falsos.

«Francesca » [ver site]
conheceu um desses sorrisos da pior maneira possível:
através da morte.
Da morte provocada por ela mesma,
numa cidade: Roma..

mas podia ser outra qualquer
Num dia de Janeiro de 1981...
mas podia ser ter sido outro.
Foi ela a vítima...
mas podia não ser
Tinha 22 anos,
absorvia o mundo
atrás de uma máquina...
de uma máquina fotográfica

e deixou alguma dessa beleza
impressa em sais de prata.
Foram decerto gritos mudos
que ela soltou;
gritos que não foram compreendidos,
questionados;
gritos que só por si deviam abalar o mundo de quem os ouvisse,
mas parece que não foi isso que sucedeu.
QUEM É QUE "NÃO QUIS" que o seu mundo fosse abalado por eles?





Esta dor não passa quando adormeço / chora ao pé de mim / irremediável // alguém nos toca o ombro e / damos por nós mais sozinhos // o meu lugar na morte / é junto da janela / logo atrás de ti."
:

Mário Rui de Oliveira in "Bairro Judeu"

sábado, junho 18, 2005

taken by SombrArredia

:
:
:
:
Eu que me finjo,me fito,
me ultrapasso nas vestes
sem presa de as despir;das peles
que demoro a tirar para
que a dor chegue mais devagar,
mais sem jeito de gente para
que eu não a reconheça,
não a chame pelo nome,
não a...
Quando me soube já era tarde,
já nada dizia...ou,
se dizia,
já nada pensava,
de tanta escuridão e pó,
desgastada pelo esforço que,
ao não me consumir,
me atiçava.
Qualquer dia toco-me e já não me sinto aqui

quinta-feira, junho 16, 2005

taken by Teresa Parente
((um *bj p ti minhoca)) .

.

.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormisseem
tua sombra e loucura.
Não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo:olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa,descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principaim o mar e o mundo
.

:
:
:
Herberto Helder
in
"Ofício Cantante"



quarta-feira, junho 15, 2005

Qualquer poeta que tenha atravessado os túneis pode assinar a palavra «merda»
:
:

Herberto Helder in Photomaton & Vox


terça-feira, junho 14, 2005

Quando a saudade me grita demasiado alto
e os meus passos são inseguros para me meter a caminho,
venho

A q u i « [SITE] »
e esqueço que há um écran como divisória

segunda-feira, junho 13, 2005

A ti,POETA:por todas as palavras que ficaram no eco em mim,o meu profundo agradecimento.

................... (Eugénio de Andrade.1923_2005)
:
:
:

A poesia não vai
.
:

"A poesia não vai à missa
não obedece ao sino da paróquia;
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não;

caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão
que o chama.

Animal solitário, às vezes
irónicos,às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do verão."

quinta-feira, junho 09, 2005

a alguém mt especial *____M____*
quando acontecem dias como o de hoje e as palavras não pesam no decorrer destes anos que nos aconteceram

quarta-feira, junho 08, 2005

CORTOU OS PULSOS

DOR NAO SENTIU.


SOB O
JACTO FRIO
DA TORNEIRA

O FRIO
ANASTECIA BEM

E AQUELES
LONGOS INVERNOS EM QUE PASSEARA A ALMA


TINHAM SIDO DUROS À SOBREVIVÊNCIA.

DOR NÃO SENTIU.

SÓ QUE A IDEIA , DO FIM LOGO ALI


NUM ESPAÇO DE TANTO AZUL, SOBREVEIO

UMA FOME DE SOL E CORPO
QUENTE.

AMARROU OS BRAÇOS COM
PANOS

DE TEXTURAS CERRADAS

E CERROU OS DENTES.

PARA DAR MAIS TEMPO
AO TEMPO.

ATRAVESSOU A AREIA E DEITOU-SE
ALI,

QUENTE E VERMELHA, JUNTO AO MAR,



A MARÉ, CHEIA,

MAS CHEIA MESMO
LEVOU-A.

É QUE JÁ
NEM O MAR A PODIA
ATURAR.

.
:

Miuxa Carvalhal







domingo, junho 05, 2005


não é sobre a solidão,
pouco me importa quem me
desviou a palavra, é sobre
a tua ausência no lugar
íngreme da minha pele,por isso
cairei implume telhado abaixo
debulhada no coração

.
.
Valer Hugo Mãe
in
O retrato da minha alegria


@imagem original de João Barreto
@tratamento by me

.
.
.
.
a casa;
o telhado dentro da casa. O tecto
dentro de ti.
De ti toda essa voz, rouca tão depressa feita murmúrio, ou
num beijo de esquecer,o teu vulto, dobrado
sobre ti mesmo,
a toalha branca envolvendo-te o pescoço; o branco,
a cor da cal,da casa,
do tecto,
da incerteza. O apressar do dizer: “queres vir?”.
tudo cinematograficamente perfeito…
e no entanto arde