sábado, dezembro 04, 2004

"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."
António Lobo Antunes (exerto da entrevista ao JL ,Jan 82)



Há madrugadas em que se nao fizermos a vontade às palavras, elas ficam-nos a bailar o sono, batendo em surdina nos dedos...nas folhas.
(tok tok tok...ruído surdo e compassado.)
Obstruindo-nos os poros...dilacerando a carne.
Cuspindo-nos para o inferno de nós mesmos e tapando a saída.

......E tanto nos sopram que nos vencem.
E tiram-nos as meias mentiras e lançam-nos as verdades inteiras no hálito do papel
E elas lá ficam...a olhar para nós, com aqueles (A)s abertos e os ( O)s ainda mais assustadores....

São os nossos fantasmas que despertam e querem vida.
A vida que não lhes queremos dar por medo. Por medo de nós...






1 comentário:

Aromas Do Mar disse...

Gostei deste canto soprado.., voltarei mais vezes é uma certeza!
Obrigada pela tua visita.
Beijo do Mar Revolto