" Qual de ti "
:)
aguarela e tinta da china
hoje acordaste de uma forma diferente dos outros dias
sentes-te estranho
tens as mãos húmidas e frias
tentas lembrar-te de algum pesadelo
mas o esforço é em vão
parece-te ouvir passos dentro de casa
mas não sabes de quem são
deixas o quarto
e vais à sala espreitar atras do sofa
mas aí tu já suspeitas que os fantasmas não estão lá
vais à janela e ao olhares para fora
sentes que perdeste o teu centro
e de repente descobres
que chegou a hora de olhares para dentro
porque há qualquer coisa que não bate certo
qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
e não podes deixar de sentir que o culpado és tu
vês o teu nome escrito num envelope
que rasgas nervosamente
tu já tinhas lido essa carta antecipadamente
e os teus olhos ignoram as letras
e fixam as entrelinhas
e exclamas: "mas afinal... estas palavras são minhas!"
o caminho para trás está vedado
e tens um muro à tua frente
e quando olhas pros lados vês a mobília indiferente
e abandonas essa casa
onde sentiste o chão a fugir
arquitectas outra morada,
mas sabes que estás a mentir
(Jorge Palma in Balada de um estranho).
2 comentários:
A imagem é perfeita...uma espiral. Nas espirais vamos descendo, descendo, descendo... até acharmos o fundo do nós (ou nunca acharmos o fundo de nós).
a imagem está lindissima :)*
Enviar um comentário