sexta-feira, dezembro 31, 2004

Pra estes próximos 365 dias que se aproximam...




Peace on Earth
Hear it every Christmas time
But hope and history won't rhyme
So what's it worth?
This peace on Earth
Peace on Earth
Peace on Earth
Peace on Earth
_________(Bono)

quinta-feira, dezembro 30, 2004

domingo, dezembro 26, 2004


Porto num tempo quase desnecessário
taken by SombrArredia





EM-TODAS-AS-RUAS-TE-ENCONTRO-E-EM-TODAS-AS-RUAS-TE-PERCO
______________Mário Cesariny in Pena Capital

quinta-feira, dezembro 23, 2004

ON MY SKIN
I TEASTE YOU
I BREATHE YOU
I SCAN YOU
I WAIT FOR YOU
I SEE YOU
I WALK IN
I CRY IN
.
.
.




taken by SombrArredia
´num Café em Coimbra



"Então sento-me à tua mesa.Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
(...)
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo."
_______________Herberto Helder

Máscara"
desenho gentilmente cedido por Cris Alcântara

..... ........ ........ ......
Técnica mista sobre papel Canson


Miga...
pois é Cris,

a net tem destas coisas surpreendentes,não é "sósia"? :)...
Pensar que a culpa disto tudo é do "lindinho"...
rararaaarararararr

Obrigada por partilhares tantas madrugadas sem fusos ...,desafiadoras das nossas coerências artísticase mentais;
e por me mostrares os "traços" do Ferreira Gullar, Clarice Lispector, Carlos Bracher...and so on, and so on


Beijim e parabénsssss pelo teu dia :) :)

terça-feira, dezembro 21, 2004

As cores dos mares...

"da minha Língua vê-se o mar"
#Vergílio Ferreira



"modelei as chaves do mundo
a que outros chamam seu
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse fui eu"
#António Gedeão
"e o destino não quis
que eu me cumprisse como porfiei
e caísse de pe´, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
desaguar,
e, em largo oceano eternizar
o seu esplendor torrencial de rio"
# Miguel Torga
"mar alto!ondas quebradas e vencidas
num soluçar aflito e murmurado...
o voo de gaivotas, leve, iamculado
como neves nos píncaros nascidas!"
#Florbela Espanca
"as ondas quebravam uma a uma
eu estava só coma areia e com a espuma
do mar que cantava só p´ra mim"
#Sophia Mello B. Andresen
"nada sabe do mar
quem não morreu no mar
calem-se os poetas
e digam só metade
os que andam sobre as ondas
suspensos por um fio"
Sebastião da Gama

"Marprati" ________ @taken by A.M.
"com o mar
as curvas das ondas
e o dorso de um peixe ao luar
fiz uma deusa
que criou o mar.
Depois deitei-me ao comprido com o mistério resolvido"
#José Gomes Ferreira
"casa branca em frente ao mar enorme
com o teu jardim de areias e flores marinhas
e o teu silêncio intacto em quem dorme
o milagre das coisas que eram minhas."
#Sophia M. B. Andresen
"tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia
e ele próprio era o o início
do mar que o continuava.
Destino de a´gua salgada
principiado na veia"
#Natália Correia



segunda-feira, dezembro 20, 2004






"Experimento um silêncio?"
mas o que é que me dizes?
o que já sei de cor?
quero outro além desse
de todas as cores






domingo, dezembro 19, 2004


aguarela e lápis de cera

Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verãonos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua
numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado
e à palma da tua mão...

(...)

Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidosque voltei a encontrar em ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...

...nela te pinto nua
Numa chama minha e tua

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado

_______________________"A carta" @ Toranja











15 longos minutos olhando uma cadeira vazia
preta
de aço
baça

15 longos minutos...
tantos
que não me cabiam na véspera de todos os dias

sexta-feira, dezembro 17, 2004





"In jazz,
as in other musics,
some yhings are of their time,
some ahead of it,
while others
simply know no time at all..."
do inlay do "Birth of the Cool"________Miles Davis

segunda-feira, dezembro 06, 2004


by sombrArredia

a todos os meninos e meninas que se portaram bem este ano
tenho a dizer-lhes que o Pai Natal tem o hábito de visitar este blog...
portanto
se quiserem deixar aqui a vossa listinha de presentes,façam o obséquio ehheh



domingo, dezembro 05, 2004

A solidão era eterna
e o silencio inacabável.
Detive-me como uma árvore
e ouvi falar as arvores.





________Juan Ramon Jimenez






Foto de Jorge Henriques do livro " Domingo De Manhã"




Serias obrigado a escolher
Entre o jardim da árvore única
E a única árvore do jardim.
Serias obrigado
E nenhum facto
Travestido de consequência
Te faria voltar atrás.
________Regina Guimarães
porque quero
porque sim
porque estará
porque sempre
lá...

sábado, dezembro 04, 2004

"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."
António Lobo Antunes (exerto da entrevista ao JL ,Jan 82)



Há madrugadas em que se nao fizermos a vontade às palavras, elas ficam-nos a bailar o sono, batendo em surdina nos dedos...nas folhas.
(tok tok tok...ruído surdo e compassado.)
Obstruindo-nos os poros...dilacerando a carne.
Cuspindo-nos para o inferno de nós mesmos e tapando a saída.

......E tanto nos sopram que nos vencem.
E tiram-nos as meias mentiras e lançam-nos as verdades inteiras no hálito do papel
E elas lá ficam...a olhar para nós, com aqueles (A)s abertos e os ( O)s ainda mais assustadores....

São os nossos fantasmas que despertam e querem vida.
A vida que não lhes queremos dar por medo. Por medo de nós...












O impossível grito
Se eu pudesse caminhar com palavras lentas sóbrias
e se eu pudesse falar-te ou gritar
como um vento selvagem
se tu pudesses ver-me e eu te pudesse olhar
- aqui onde escrevo e nada principia
Nenhum impulso emerge do ilimite vazio
nenhum punho se ergue entre as pregas do abismo
Se escrevo ou falo é o mutismo que fala
se olho é através de um não olhar
se prossigo sei que a minha sede é vã
onde estou é auém de toda a origem
onde estás é além de todo o encontro
E todavia escrevo terminando onde escrevo
sem o gérmen que abriria o diálogo da água
sem a dissonância viva de quem está ainda algures emparedado
e crê que um grito algém ainda ouviria
E todavia se escrevo é porque talvez espere
avançar entre os muros para uma praia secreta
que um sinal ilumine este deserto de cinza
que uma pergunta abale este bloco inamovível
Se eu pudesse falar-te através desta espessura
se tu pudesses ver-me se eu te pudesse olhar
_________________António Ramos Rosa

quarta-feira, dezembro 01, 2004

"A noite -a hora em que tudo é imenso como um olhar cego. A hora em que estamos a sós connosco, com esta coisa terrível que somos nós por dentro vivíssimos e não há público nenhum para nos ajudar."
_______________________@ Vergílio Ferreira in "Em nome da terra"






teste de parâmetros (fase laboratorial
da fotografia a preto e branco)



e HOJE foi uma noite difícil...

domingo, novembro 28, 2004







"o poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é a
raiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido."
________José Luís Peixoto in "A criança em ruínas"

o meu Porto...

"Quando o comboio se aproxima da cidade, humedece-me o olhar e o corpo é varrido por um fio estranho, ao ver as casas derramadas sobre o Douro. As escarpas rasgam o céu pousado sobre as torres e abrem-se para o intenso correr de janelas onde o sol transforma cada vidro em espelho dos rumores do rio."

E porque há sempre restos de palavras que ficam sós no conquistar da estrada, e que não as dizemos por desdém ao tempo.
E porque há sempre pinhais mais frescos no decorrer de uma viagem, que acabamos por guardar no nossso lado esquerdo.
Eu conheci essa viagem e não me deste tempo de te amar...
obrigada mesmo assim *






Trago dentro do meu coração
Como num forte que não se pode fechar de cheio
Todos os lugares onde estive
Todos os portos onde cheguei
________Álvaro de Campos



[...]
you can run from love
and if it´s really love it will find you
[...]

U2 "A man and a woman"

quinta-feira, novembro 25, 2004

Naquela tarde

O livro estava ali,parado, de capa brilhante e apelativa a olhar p´ra mim.
Quieto na sua forma de estar.
Ausente da luz de neon que transfigurava as feições e ausente da música que lutava por sobreviver numa morna tarde de Outono.
O livro conseguiu os seus ensejos : cativou-me e fez-me seu no acto de o desfolhar ternamente e medrosamente.
O livro permaneceu presente naquela estante, naquela prateleira,naquela livraria esperando cativar outra "vítima" ávida de poesia como eu.





tinta da china sobre papel Canson

Sugiro uma visita ao site deste senhor,dono desta bela frase :)
http://www.valterhugomae.com




metrostairs? who knows?



"... Há noites que nos levam para onde
o fantasma de nós fica mais perto:
e é sempre a nossa voz que nos responde
e só o nosso nome estava certo."
_________________Natália Correia, um excerto do poema "Sete Luas"



Porto_____ Num passeio distante

Cidade manuseada de mensagens que busco ainda ao caminhar

dá-me tudo
tu
que conheces o meu pesar...



Porto numa tarde_ __ Miragaia





ou "talvez porque..."
se eu entornar tudo por cima do vazio que em mim existe
sobrará sempre este sopro...
este sopro de verdade.




domingo, novembro 21, 2004

E porque ao ler um poema lindissímo num blog de uma amiga...
" Qual de ti "
:)



aguarela e tinta da china

hoje acordaste de uma forma diferente dos outros dias
sentes-te estranho
tens as mãos húmidas e frias
tentas lembrar-te de algum pesadelo
mas o esforço é em vão
parece-te ouvir passos dentro de casa
mas não sabes de quem são

deixas o quarto
e vais à sala espreitar atras do sofa
mas aí tu já suspeitas que os fantasmas não estão lá
vais à janela e ao olhares para fora
sentes que perdeste o teu centro
e de repente descobres
que chegou a hora de olhares para dentro

porque há qualquer coisa que não bate certo
qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
e não podes deixar de sentir que o culpado és tu

vês o teu nome escrito num envelope
que rasgas nervosamente
tu já tinhas lido essa carta antecipadamente
e os teus olhos ignoram as letras
e fixam as entrelinhas
e exclamas: "mas afinal... estas palavras são minhas!"

o caminho para trás está vedado
e tens um muro à tua frente
e quando olhas pros lados vês a mobília indiferente
e abandonas essa casa
onde sentiste o chão a fugir
arquitectas outra morada,
mas sabes que estás a mentir

(Jorge Palma in Balada de um estranho).

sábado, novembro 20, 2004


Porto_ ao acordar

estranha é a cidade sem o teu rosto - vazia.
(...)
estranha é a cidade sem o teu toque - despida.
(...)



quarta-feira, novembro 17, 2004

O silêncio visto de cima tem este aspecto.
Moroso e indulente como a chama que luta por vencer...
até que num ápice se consome
e apaga a pessoa a quem iluminou até então.





"Ninguém, me contou que o silêncio era o significado das palavras muito verdadeiras"
________________________@José Luís Peixoto

sábado, novembro 13, 2004


V. Nova de Mil Fontes
__miradouro





Nuvens



Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
A fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
Os amigos mais íntimos com um cartão de convite
Para o ritual do grande do Grande Desfazer: "fulano de tal comunica
a V. Ex.a. que ai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos...)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) - nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
Foi assim contigo?
Sentiste-te cansada?
:(
....No outro dia falei com uma Nuvem, sabem?
que me falou coisas sábias...
:)

sexta-feira, novembro 12, 2004



Imaginei-te recolhido entre paredes de pedra marcadas com os nomes e as demoras...
Procuro nas gavetas pedaços esquecidos de mim...
Perguntas-me se são gravuras ou pinturas o que eu procuro - e eu respondo - eram beijos.
Fechas a porta com o estrondo d o vento que derrubou as palavras.
Entrei.
...............................................................................
Presinto que um dia das tuas mãos saia um pássaro que não mais voe...

terça-feira, novembro 09, 2004

take1


hoje acordei com a dor dos dias gastos.terrivelmente gastos.
permanecer nos dias.
ficar nos dias
........................
talvez eu saía disto.
talvez amanhã o sol doa menos

segunda-feira, novembro 08, 2004


Icarus fall


cair
cair
cair
cair até quando?
sou eu que estou a cair e não os outros



Ai se um dia pensares em voltar
Deixa-te ficar porque eu não esqueci
Mas, se um dia, deixar de lembrar
Parado a chorar, por ti... tanto faz
Hoje eu sei
No teu olhar sem perdão
Quando um dia, o que der e vier
For tudo o que eu quiser
Talvez seja então
Quando havia a voz para dizer
E o que acontecer
Eterno desta vez
Tudo o que eu guardei
Já quis achar
Mas perdi...
Trago o negro nos olhos pintado
A dor no peito escondida
O riso na boca inventado
Como te inventei a ti
Deixa lá o tempo
Deixá-lo fugir
Pois cada momento
Me faz descobrir
Trago o negro nos olhos pintado
A dor no peito escondida
O riso na boca inventado
Como te inventei a ti
Como eu te inventei...
__________________________________@Um Zero amarelo in Sem Perdão


sábado, novembro 06, 2004

...E porque a esta hora, eu devia estar a tomar um café oferecido por uma outra Sombra,que não eu,(sim, é p´ra ti Ss) e à qual eu presto desde já o meu obrigado, pelo facto de mais uma vez a tua argúcia não te ter deixado mal e de me ter "nickado" com este nome que tão bem me assenta...
...E porque a foto do Post anterior me avivou a saudade...
...E porque todos os dias não chegam...
..E porque hoje tive o privilégio de escutar alguém, que tão bem soube dizer poesia dessa grande senhora chamada Sophia de Mello B. Andresen, ficando-me na memória esta....e apenas esta frase de um dos seus poemas:
" O Porto é o lugar

onde para mim
começam
todas as maravilhas
e todas as angústias"
...Ou porque simplesmente todos os agradecimentos à pessoa que me "mostrou" essa cidade nunca serão demais...
*

SombrArredia

Pooooortooo ;)


Foto cedida por Teresa Cruz


Querias ter a certeza que regressavas ao nosso Portugalzinho e que deixavas p´ra trás aqueles simpáticos camelos,não era?
(eu tb hei-de fazer uma passeata de camelo lá pelas Áfricas ehheeh)
Ainda bem que espreitaste pela janela :)
brigada krida*

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar


Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar


E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão


Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir


E anda sempre alguém por lá Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar



Jorge Palma



E vale a pena dar uma espreitadela ao site deste senhor...

sexta-feira, novembro 05, 2004


para onde?



Abriste a persiana e fizeste o que eu te pedi Ss?





"A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura
Ora amarga! ora doce
Pra nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura... "

quarta-feira, novembro 03, 2004



Na sequência de uma conversa com uma amiga sobre contrabaixistas, cordas e outras coisas mais,veio o ímpeto de passar este pretenso poema




Fala de um contrabaixo




O tempo revestiu-se de ti.
É nu. Cruel a madrugada que
desperta, inerte.
Soam soluços desvairados
de compassos.
Assim te recordo, ao abraço
que me prende, sempre que
a mim recorres.
Abraça-me como se fosse
a última dança...aquela que
nunca se deu.
Sou um braço, de madeira
feito de luta e de cansaço.
Sou alma, de ti, e de quem
a mim escuta.
Escuro é o compasso com o palco.
Só a ti te toco e só tu a mim
me tocas.
Somos um só corpo,aberto
a aplusos que do outro lado
exalam

terça-feira, novembro 02, 2004


foto cedida por João Garcia Barrreto

Ali desliza na pele do rio o carinho que te encontrará junto ao mar



segunda-feira, outubro 25, 2004


desenho by sombrArredia



(...) Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim (...)
Pedro Abrunhosa




domingo, outubro 24, 2004


desenho a grafite cedido por Carlos Machado :)


Guardar o tempo na curva dos teus olhos.É assim que eu quero permanecer...


Sei de cor cada lugar teu
Atado em mim
A cada lugar teu
Tento entender o rumo
Que a vida nos faz tomar
Tento esquecer a mágoa
Guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim
Protege o que eu te dou
Eu penso em ti
E dou-te o que de melhor eu sou
Sem ter defesas que me façam falhar
Nesse lugar mais dentro
Onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
Como se arrancassem tudo o que já foi
E até o que virá
E até o que sonhei
Diz-me que vais guardar e abraçar
Tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
E o mundo nos leve para longe de nós
E que um diao tempo pareça perdido
E tudo se desfaça num gesto só
Eu vou guardar cada lugar teu
Ancorado em cada lugar meu
E hoje apenas isso me faz acreditar
Que vou chegar contigo
Onde só chega quem não tem medo de naufragar

quarta-feira, outubro 20, 2004

"(...)está hoje um dia de vento e eu gosto do vento. O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras. Só entram nos meus versos as coisas de que gosto.O vento das árvores,o vento dos cabelos, o vento do universo,o vento do verão. O vento é o melhor veículo que conheço.Só ele traz operfume das flores. Só ele tráz a musica que jaze á beira-mar em agosto.Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento. O vento actualmente vale oitenta escudos. Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto"

segunda-feira, outubro 11, 2004





(...)Sei porque tive que vir: para escapar ao que me sufocava. Como se não outro lugar, outra cidade.(...) Agora devo esperar que algo aconteça, sem ter a mînima certeza de que vai acontecer, com a angústia acrescida de que algo aconteça sem que eu dê por isso (...)
__________________________Pedro Paixão in "Quase que gosto da vida que tenho"
...talvez seja então só isto que me resta...o de copiar as palavras dos outros para expressar o que sinto @sombrArredia

sábado, outubro 09, 2004

s o l i d ã o
so l i dão
s ol id ão
soli dã o
s ol id ã o

sobre cinzas


Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que me dá vida
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro
pedidndo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporando o teu sopro
para que vivas sempre luminosamente.
_______________Poemas Ameríndios