http://www.makepovertyhistory.org
Photobucket - Video and Image Hosting

Sábado, Fevereiro 11, 2012

Ecrã

japoneiraphoto by me





não posso ficar mais tempo, querem fechar a sala


as cortinas fecham-se sobre o ecrã





e de resto a tua mão abandona-me aos poucos


caída no veludo coçado das cadeiras





enquanto o umbigo seca de saliva


a minha boca desloca-se do teu sexo


como a última imagem triste


do final feliz que nunca vimos





é tudo um súbito clarão


iluminado como uma polaroid antiga


talvez chova lá fora agora





e o amor seja um coração lavado


por dentro da água sem nenhuma imagem





bem sabes que não posso ficar mais tempo


e a sala está já fechada




Nuno Falber

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

VHM
photoshop by me

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

Doçura

serralves

photo by me @Serralves



[..]




OS dias côncavos, os quartos alagados,as noites que crescem
nos quartos.




É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os barços.E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites
corta pelo meio





o abraço da nossa morte.Os fulcros das caras
um pouco loucas




engolfadas, entre as mãos sumptuosas.





A doçura mata.




A luz salta às golfadas.
A terra é alta.











Tu és o nó de sangue que me sufoca.











Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões











da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta.E como estrelas











duplas











consanguíneas, luzimos deum para o outro











das trevas.











Herberto Helder















Terça-feira, Janeiro 10, 2012

Quinta-feira, Dezembro 29, 2011

#24 _Projecto Poemagem (2º)

Photo by Adriana O. /
Texto de Cris H.





Atrás dos meus medos se uniu

um fulgor de fuga e liberdade





Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Em cada partida uma pena

Em cada partida uma mão de aço


Em cada partida um dia no tempo


Em cada partida o balanço de uma saudade ainda morna






Ler mais »

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011

#23 _Projecto Poemagem (2º)




Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.








novamente a mesma luz que seduz e cega

indomesticável

perene

e voluntariosa

Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

#22 _Projecto Poemagem (2º)

Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.




 Há não sei quê de díspar em ti que me afecta os sentidos:

será o ler-te?
será o ouvir-te?
será o tocar-te?


será o provar-te?

Domingo, Novembro 27, 2011

taken by me





ja quase que nada que vem de ti ultrapassa a realidade







já quase que nada que vem de ti resiste ao assombro

 
já quase que nada que vem  de ti




Quinta-feira, Novembro 17, 2011

#21 _Projecto Poemagem (2º)



Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.




O silêncio pendura-se nas últimas palavras; naquelas que só soubeste dizer enquanto esperavas que o descanso te arrefece, nessa tua forma de estar não estando
























Domingo, Novembro 06, 2011

#20 _Projecto Poemagem (2º)

...e de repente todas as mãos se fecharam e todos os gritos cessaram na perfeição de um poema.



Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.

Sexta-feira, Outubro 21, 2011

# 19 _Projecto Poemagem (2º)

Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.





Acordar.

Entrar.

Contemplar.

Sentir.

Sair.

Respirar.

Sonhar.

Sorrir.

Partir.

Segunda-feira, Outubro 17, 2011

Metamorfose

Para a minha alma eu queria uma torre como esta,
assim alta,
assim de névoa acompanhando o rio.

Estou tão longe da margem que as pessoas  passam
e as luzes se reflectem na água.

E, contudo, a margem não pertence ao rio
nem o rio está em mim como a torre estaria
se eu a soubesse ter... 
                                  uma luz desce o rio
                                  gente passa e não quer sabe
 que eu quero uma torre tão alta que as aves não passem
                                                       as nuvens não passem
                                                       tão alta tão alta
que a solidão possa tornar-se humana.



Jorge de Sena



taken by me

Quinta-feira, Outubro 13, 2011

Outonos



taken by me

Sexta-feira, Outubro 07, 2011

# 18 _Projecto Poemagem (2º)

                                                                         Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.



Pensar que o dia se fez hora nas tuas mãos onde acabaram por morrer todos os meus sons e todos os meus silêncios.


Sexta-feira, Setembro 09, 2011

# 17 _Projecto Poemagem (2º)



photo by Adriana O. / Texto de Cris H.
Ler mais »

Segunda-feira, Agosto 29, 2011


]



É bom mudar de casa, de janela,

arrumar de outra maneira as ilusões,

tratar de coisas puras como tintas

e sofás, pôr ordem entre os livros

e a vida, simular a liberdade.

Parece-nos possível voltar a acreditar

na mão que nos estende um pé de salsa,

na pechincha da beleza, quando passa

no poente da razão.

Apetece cometer uma loucura,

comprar um telescópio, decorar

o canto nono dos Lusíadas,
subir umas escadas do avesso,










pensar que nunca mais teremos frio.


José Miguel Silva






Ler mais »

Quinta-feira, Agosto 25, 2011

# 16 _Projecto Poemagem (2º)

photo by Adriana O. /
Texto de Cris H.
Ler mais »

Segunda-feira, Agosto 15, 2011

# 15 _Projecto Poemagem (2º)


Encontro-me em todas de ti,as ruas,
remotas ilhas de presença ambígua;
camélias pendentes,
escombros
habitados por palavras
agri-doces ou acres, ou,
sonolentas,ou
sonhadoras...
o aperto de ambos,o deslizar das mãos.
.
.
o aperto,o corpo,o sexo,
o
..






photo by Adriana O. / Texto de Cris H.








Segunda-feira, Agosto 08, 2011

Quinta-feira, Julho 28, 2011

# 14 _Projecto Poemagem (2º)


photo by Adriana O. / Texto de Cris H.



e se me deixares ir até ao fundo da linha?
Desembarcava no único traço que te conheço e

ensinavas-me de olhos fechados a cor do orvalho que vês pela manhã.

Sexta-feira, Julho 15, 2011

# 13 _Projecto Poemagem (2º)



Photo by Adriana O. / Texto de Cris H.





abrir as palavras
detê-las
constantemente no encruzilhar dos teus dedos,
ou, do sinal do provir,
do relançar
para além...
há sempre a luz do "não" dito,
ou somente o desejo
de omitir -
com os lábios tudo se diz em luz
aberta,
só os fechamos quando o olhar nos trai




Sexta-feira, Julho 08, 2011


Photo by me @ Porto




Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.
Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.



Sophia de Mello Breyner Andresen


Domingo, Julho 03, 2011

# 12 _Projecto Poemagem (2º)


photo by Adriana O. / Texto de Cris H.







Não me perguntes em que horizontes ando nem em que espaços me escondo. Não me perguntes em que noite lunar ou em que manhã solar me refugio. Aquilo que sou está demasiado esfumado para me acreditar.

Sexta-feira, Junho 17, 2011

# 11 _Projecto Poemagem (2º)



photo by Adriana O. / Texto de Cris H.





movo-me
1 2 3 passos para a direita
descruzo os braços
conto os intervalos de tempo

descompassos no tempo
descompassos no teu tempo
descompassos no desespero do tempo

abro a única janela para o mundo que em ti existe
num acto selvático de te saber
permites-me?
ou sorris pela fresta da loucura?

precisava de um 3ª braço
para me segurar os meus outros dois
enquanto eu te descanso
e não esburaco o lacre que te remendei em mim

o que é mais terrível...?
saber-te longe
ou
perceber-te perto?








Domingo, Junho 05, 2011

# 10 _Projecto Poemagem (2º)







photo by Adriana O. / Texto de Cris H.















Transformação





a casa;
as palavras dentro da casa.A
casa dentro de ti.
De ti , toda essa voz doce tão depressa feita melopeia, feita murmúrio, ou
num beijo de esquecer, o teu vulto, dobrado
sobre ti mesma,
o xaile escuro envolvendo-te o regaço, o
escuro, a cor da memória, da casa,
do tecto,
da incerteza que passa inócua; o
apressar do aconchego, da companhia habitada;
o bafo
o andar arrastado
o trago.
Tudo cinematográficamente perfeito...
e no entanto arde.

Segunda-feira, Maio 23, 2011

# 9 _Projecto Poemagem (2º)



Photo by Adriana O. / Texto by Cris H.








Subitamente lembrou-se
que o quarto não era branco
e não tinha rosas…


Quinta-feira, Maio 05, 2011

# 8_Projecto Poemagem (2º)



photo by Adriana O.

texto by Cris H.






quero falar do teu corpo
como quem fala da prosa
espaço branco
intermédio
caiado de silêncios





Quinta-feira, Abril 28, 2011


photo by me






Pode haver um muro, um mar

a palavra exposta

a poesia a um passo de ti

imprecisa

cautelosa em manhãs de nevoeiro

Quinta-feira, Abril 21, 2011

# 7 _Projecto Poemagem (2º)





photo by Adriana O. e texto by Cris H.











Aproximava-se um dia sem rumo e restou-lhe esperar.


Quarta-feira, Abril 06, 2011

# 6_Projecto Poemagem (2º)





photo by Adriana O. Texto de Cris H.












Enegreci-te nos olhos





Enegreci-te nas mãos


Com o pó do sentir


Espesso Dolente


Incapaz de se mover sem mais um sopro.




Há sempre


Um olhar humedecido que encontro para o teu negrume.

Sábado, Março 19, 2011

cais das colunas

taken by me
Cais das Colunas_ Lisboa






Lá fora é poesia...
...Essa que afoga e distorce quem a lê!
Lá fora é poesia...
...Essa que mata e maltrata sem se saber porquê!

Terça-feira, Fevereiro 22, 2011

Photobucket
taken by me @Lisboa
"UM SOPRO SI. MAS DESD E QUANDO UM SOPRO PODE JUNTAR-SE A OUTRO SOPRO PARA FORMAR UMA BRISA?"

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2011

Aviso


Made by me @
Técnica mista( serigrafia e lápis de cera )



VENHO avisar-te que vou começar a escrever textos longos sobre ti e que não vou querer andar por aí a tropeçar em penas tuas que deixas à solta a vazante do rio.

Terça-feira, Fevereiro 15, 2011

# 5_Projecto Poemagem (2º)





photo by Adriana O. Texto de Cris H.




Algures soou uma onda; não em
uníssono com as outras, não em simetria com nada;
nada nela era.

Apenas o era no arquejar imperfeito da manhã.



Sexta-feira, Janeiro 14, 2011

#4_Projecto Poemagem (2º)



photo by Adriana O. Texto de Cris H.

L



As cores das fachadas que estalam e não permanecem.
A realidade interposta de hábitos;
há buracos no céu; é só o que quero deixar aqui hoje.






#3_Projecto Poemagem (2º)



photo by Adriana O. Texto de Cris H.


Acordei com vontade de me fechar para o mundo.


Sê a minha obsessão


e desenho-te o sempre.



#2_Projecto Poemagem (2º)


photo by Adriana O. Texto de Cris H.


Agarrou-se à manhã seguinte, com um sorriso suspenso.

Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

#1_Projecto Poemagem (2º)


O velho Poemagem findou e deu origem a um novo Projecto de Poemagem
Dizeres meus e
olhares da
MundoFlo.


Quinzenalmente haverá o desafio de olharmos para dentro de nós e arrancármos à inércia dos dias laivos de luz ou de negrume...















photo by Adriana O. Texto de Cris H.





As palavras não têm querer.


Demasiado quentes explodem na boca de quem ama.


E TUDO acontece como antigamente.



words by
SombrArredia


Domingo, Janeiro 02, 2011

Photobucket
photo by me @Porto
o
o
E assim se me morrias, assim de um momento para o outro a apalpar pé ante pé até que o cordel de soltasse.

Quinta-feira, Dezembro 30, 2010

# 47 Poemagem

Photobucket
photo by <Nuno G.





Quando começa uma pessoa a nascer? Quando começa a morrer? Será que começa a morrer antes de ter nascido por inteiro? Sentado numa cadeira de praia interrogo o pé que desenha na areia quente uma âncora. E depois a âncora desenha um coração. E depois o coração desenha uma janela. Levanta-se da cadeira, aproxima-se da janela, debruça-se, dá um impulso ao corpo magoado e cai. Só o vento o acompanha, Está ainda a nascer? Ou começou agora? […]


Eduardo Prado Coelho e Ana Calhau
in
Dia por ama, Texto editora



Quinta-feira, Dezembro 23, 2010

# 46 Poemagem

Photobucket

photo
by Leva Jansone





Palavras


Senta-te ainda à mesa - escreves
palavras tão compactas, tão opacas
como a luz que te cega. Cada dia
promete o infinito em meia dúzia
de palavras - o amor,
a vida, o tempo, a morte, a esperança,
o coração. Repete-as,
repete-as muitas vezes em voz alta
e escuta a sua música
até não quererem dizer nada.



Fernando Pinto do Amaral
in
Poemas Escolhidos

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

# 45 Poemagem

Photobucket
photo by Jacinta Moore







De neve nada sei, de sol também,
de milhares de sossegos acordados,
da subida do teu rosto atrás dos ombros,
da mão ardente, da vista da sacada
nada sei.
Ponho palavras como coisas feitas:
só entre elas, enquanto jogam, leves,
seu rodado sem cor nem qualidades,
minha ciência existe, e já não minha,
ou só tão minha como tua e delas,
ar entre os dedos, sumo de verdades.


Pedro Tamen
in
O Aparelho Circulatório

Quinta-feira, Dezembro 09, 2010

# 44 Poemagem

Photobucket
photo by Heidi Romano


ç-
ç

Verão de Água




Verão de água
ao sul de uma praia

convexo na boca

um pássaro de viagem

semelhante
ambíguo
de se reter nos
braços

animal de areia
a pernoitar nas algas



Maria Teresa Horta
in
Verão Coincidente

Quarta-feira, Dezembro 08, 2010

C.I.D.A.D.E.

Cidade manuseada de mensagens que busco ainda ao caminhar

dá-me tudo
tu,
que conheces o meu pesar...


pt

photo by me@_Porto

Quinta-feira, Dezembro 02, 2010

# 43 Poemagem

Photobucket
Photo by Loraine@grijs

p
.
Que significa “cativar”?
-Tu não deves ser daqui, disse a raposa. Que procuras?
-Procuro homens, disse o principezinho. Que significa “cativar”?
-Os homens, disse a raposa, têm espingardas e caçam. É uma maçada! Também criam galinhas. É o único interesse que lhes acho. Andas à procura de galinhas?
- Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa cativar?
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa “criar laços”..


Antoine de Saint-Exupéry
in
O Principezinho


Domingo, Novembro 28, 2010

Photobucket

photo by me (Porto)





PORQUE TODAS AS ÁRVORES TÊM O TEU OLHAR
.
.
De todas as manhãs
as melhores são as de sol
amarelo Van Gogh.








Sexta-feira, Novembro 26, 2010

# 42 Poemagem


photo by Adriana O.








[…]
Agora é a tua ausência que se ri de mim no silêncio da minha casa. Quando tu vivias, podias sempre voltar. Existias em suspenso sobre os dias em que nos afastávamos. Respiravas algures na mesma cidade. Encontrar-nos-íamos no acaso duma tarde, num recanto de jardim, diante de uma natureza morta da tua Josefa de Óbidos. Às vezes saía à tua procura nos bares que dantes frequentávamos. E voltava para casa com a certeza d que o céu estudaria a hora e a luz precisas desse encontro.
[…]


Inês Pedrosa,
in
Fazes-me falta

Sábado, Novembro 20, 2010

# 41 Poemagem

Photo by Ffgoatee



Gozo os campos sem reparar neles

Gozo os campos sem reparar para eles.
Perguntas-me por que os gozo.
Porque os gozo, respondo.
Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente
E ter uma noção do seu perfume nas nossas idéias mais apagadas.
Quando reparo, não gozo: vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo, que está entre a erva,
Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos
À dureza fresca da terra cheirosa e irregular;
E alguma cousa dos ruídos indistintos das cousas a existir,
E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas,
E só um resto de vida ouve.



Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos",
Obra Poética de Fernando Pessoa

Etiquetas:

Quinta-feira, Novembro 11, 2010

# 40 Poemagem



Photobucket
photo by NunoG.









Antes do começo

Antes do nenúfar da origem

Antes da hélice dos tufões ciclópicos

Antes do escancarar da sombra a vazar-se

Antes do golpe de gongue no tímpano do dia

Antes da dança dos fosfenos no nada


Antes

Do inimaginável repouso da energia

No não figuradp o rarescente o denso

Na involução do Ser que não existe

No germe cujo nada é o princípio

Na semente cujo fruto é o nada

Ela dorme


Antes do começo

Antes do nenúfar da origem

Antes da hélice dos tufões ciclópicos

Antes do escancarar da sombra a vazar-se

Antes do golpe de gongue no tímpano do dia

Antes da dança dos fosfenos no nada


Antes

Do inimaginável repouso da energia

No não figurado o rarescente o denso

Na involução do Ser que não existe

No germe cujo nada é o princípio

Na semente cujo fruto é o nada

Ela dorme




Ernesto Sampaio
in
Fernanda

moon phases
 
eXTReMe Tracker
SOPROS PASSADOS

Powered by Blogger